28 novembro 2006

O MITO DO «GLOBAL WARMING» - Uma visão diferente



Por Por Rui G. Moura *
A temperatura está a subir em Lisboa? Como na maioria das cidades da Europa…Então, como a temperatura sobe, dizem-nos que podemos encontrar aqui a confirmação do «global warming»… A culpa é das emissões antropogénicas – ponto final, parágrafo!

* Responsável pelo blog http://mitos-climaticos.blogspot.com


Mas princípios elementares da Física desmentem esta afirmação que está na moda. É fácil repetir a cartilha do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change). Para quê raciocinar? Aparentemente, é tão simples que não merece discussão…Aquela afirmação, tão repetida, até parece ser verdadeira!

Mas a observação mostra que a pressão atmosférica está a aumentar. Na figura junta foi traçada a curva da pressão média anual num ponto (perto da costa portuguesa, entre Lisboa e Porto) de coordenadas de 10 ºW x 40 ºN. (ver blogue)

O aumento permanente da pressão desde os anos 1970 (mais de 2 milibares nesta escala da média anual!), não é compatível com o «global warming»! Estamos perante a refutação da pseudo teoria do efeito de estufa antropogénico (EEA).

Alisou-se a curva real com linhas de tendência linear e polinomial. A pressão tem tendência crescente desde os anos 70 do século XX.

Esta figura reduz a teoria do EEA, o «global warming» e a «climate change», tudo junto, «à recusa perversa e pecaminosa de ver a verdade manifesta perante nós» (Popper).

O aquecimento pelo EEA (causa) provocaria um abaixamento da pressão (efeito), pois o ar quente subiria, sem a subsidência (pressão vertical de cima para baixo) dos anticiclones. A teoria do efeito de estufa antropogénico fica cientificamente rejeitada…

Esta pseudo teoria não admite um aumento da pressão. Como este aumento não pode ser ignorado (a prova dos nove está na figura!), é necessário seguir “outro caminho” para explicar o fenómeno real registado pelos manómetros.
Leis da Física, sim!

Seria interessante que algum cientista, português nomeadamente, explicasse através de leis da Física as vagas ou ondas de calor que apareceram em 2003 e no Verão passado.
Leis da Física, sim. Não através de modelos que são incapazes de incorporar essas leis.

O que pode comandar o aumento da pressão atmosférica? O raciocínio da meteorologia -climatologia “clássica” encontra-se completamente baralhado. Esta crise de conceitos já foi reconhecida em meados do século passado.

Descidas de ar quente vindo da troposfera, de leste ou do Sul também são impossíveis. Diminuiriam a pressão, se conseguissem atingir o solo.

Porque não procurar outra explicação? Mesmo que esta explicação não seja “clássica”. Os anticiclones móveis polares (AMP), vindos da região boreal – no Hemisfério Norte – formam aglutinações anticiclónicas (AA) no lado oriental do Atlântico Norte.

No Hemisfério Sul repete-se o que acontece no Norte com os AMP lançados pelo Antárctico.

Uma dessas AA é bem nossa conhecida. É designada, na literatura clássica, por anticiclone dos Açores. Perto de Lisboa e da Península Ibérica.

Os AMP formam campos de altas pressões e as AA. Está explicado o aumento das pressões. Esta explicação faz parte da moderna teoria meteorológica-climática. Teoria esta que refuta todas as clássicas.

De igual modo, todas as afirmações falaciosas relacionadas com o «global warming»– fusões dos mares gelados e dos pólos, retracção dos glaciares, subida dos oceanos e afogamento das ilhas do Pacífico, ciclones tropicais violentos, etc. –, ficam refutadas.

Existem explicações sérias para alguns destes fenómenos. Porque outros nem sequer existem a não ser na imaginação dos seus criadores. Mas as explicações são censuradas pelos media e revistas internacionais, algumas delas ditas científicas. O mesmo acontece entre nós.

Existem seis AA no planeta. Três em cada hemisfério. Dividem a Terra em seis unidades de circulação atmosférica. Esta teoria moderna foi estabelecida por Marcel Leroux, professor jubilado de Climatologia da Universidade de Lyon.

No meu blogue (http://mitos-climaticos.blogspot.com/) encontra-se explanada a teoria que não cabe numa nota como esta. Esta teoria explica o que a do efeito de estufa antropogénico não consegue explicar.

Alterações climáticas: um conceito bem confuso


Ao se ignorar deliberadamente todos os contornos do problema (pressão, p.e.) e quando se esquece de observar os factos reais (figura), repete-se mecanicamente a afirmação falsa de que tudo é devido às “alterações climáticas” que é um conceito bem confuso.

Estamos a discutir uma acção imperceptível do CO2, colocando palas ao lado dos olhos, como se faz aos animais. As palas escondem a evolução real do clima como o aumento da pressão (e outros factos). Andamos a perder tempo (e também muito dinheiro).

Existem coisas bem mais importantes para resolver. Como sejam as consequências da real evolução do tempo e do clima. Os hospitais do Alentejo já verificaram que tanto o calor como o frio afectam a saúde dos seus doentes. É uma conclusão inteligente.

A NASA e a NOAA fazem observações excelentes. Mas as explicações ou os diagnósticos que emitem são falaciosos. A NASA e a NOAA desconhecem a dinâmica do Árctico. Aliás desconhecem a dinâmica do tempo e do clima em todo o globo terrestre.

Estudos com bases de dados que são o output de outros realizados com os GCM (Global Climate Model), como os do IPCC, não têm qualquer significado físico. São mera especulação. O uso do conceito erróneo do termo «alterações climáticas» não adiciona seriedade a esses estudos.

Os modelos utilizados pelo IPCC não incorporam a realidade, como seja a dinâmica do tempo e do clima tal como se apresenta na Natureza. Além disso, as hipóteses que utiliza para fazer correr os modelos não são mais do que hipóteses.

Por exemplo, as do IPCC, para o futuro das economias a nível planetário, consideram as moedas em termos de troca sem ter em consideração a paridade do poder de compra. Ou seja, segundo o IPCC, em 2100 o Zimbabué será mais rico do que os Estados Unidos da América.

27 novembro 2006

LIXO NA PRAIA- Ainda?


Foto da Madalena
Parece que as campanhas de sensibilização de pouco servem, o povo português responde melhor a coimas, talvez por perguiça, por ignorância, leviandade, ainda não consegui entender.
Não será tarefa muito árdua a de uma famíla ou a um só indivíduo levar um pequeno ou médio saco, de acordo com o que leva para a praia, e despejar todos os detritos resultantes de um dia passado numa praia nesses sacos! Além disso há já espalhados pela maior parte das praias recipientes para colocar o lixo que todos nós fazemos ao longo do dia.
No Inverno, quando a época balnear termina, mais premente se torna esta necessidade visto que os ditos receptores desaparecem, mas será que o cérebro também se esvazia? Será difícil entender que o lixo não deve fazer parte da paisagem natural, porque a desfeia, porque polui, porque provoca doenças, porque contribui para a extinção de algumas espécies marinhas? Será que estas situações não constituirão uma justificação bem grande para termos cuidado?
Um saco só...é só o que se pede e também algum entusiasmo na preservação do ambiente.
É sina nossa estarmos sempre no topo da lista do que é menos bom?
Onde está a nossa auto-estima lusitana?

MUDANÇA NO ECOSSISTEMA MARINHO HÁ 250 MILHÕES DE ANOS


Grande mudança no ecossistema marinho há 250 milhões de anos

Peter Wagner: «Não havia 'tendência inexorável' para os ecossistemas modernos»A Terra sofreu há 250 milhões de anos não só a maior extinção das espécies marinhas e terrestres, como uma profunda alteração do ecossistema marinho, segundo um estudo hoje publicado pela revista Science. Paralelamente a essa extinção, que eliminou 95 por cento das espécies m arinhas e 70 por cento das espécies terrestres, comunidades marinhas ecologicamente simples (invertebrados do grupo dos equinodermes) foram em grande parte suplantados por comunidades complexas (moluscos, crustáceos e outros).
Antes do último período da era primária (Permiano), há 253 mil hões de anos, os dois tipos de ecossistemas marinhos (simples e complexos) tinham a mesma importância. Depois da extinção em massa, que algumas teorias atribuem à colisão de um asteróide com a Terra, as comunidades complexas ultrapassaram as simples numa proporção de 3 para 1, situação que se manteve até à actualidade. "Sem a extinção em massa do fim do Permiano, o ecossistema marinho actual poderia ser idêntico ao que existia há 250 milhões de anos", afirma Peter Wagner, director do departamento de fósseis invertebrados do Field Museum de Chicag o (Illinois), que coordenou o estudo. Na sua opinião, o estudo demonstra que não existia uma "tendência inexorável" para os ecossistemas modernos. Esta investigação pode também ser entendida como uma chamada de atenção para a redução da biodiversidade. "Estudos de ecologistas especializados no mar mostraram que os humanos estão a fazer recuar o ecossistema marinho para o nível que tinha há 550 milhões de anos, antes da explosão da diversidade animal. O asteróide que eliminou os dinossáurios não o teria conseguido", sublinhou Wagner. Um recente artigo também publicado na revista Science previu que os recursos marinhos ficarão esgotados antes de 2050, se a poluição e a pesca continuarem ao ritmo actual.

UMA BOA NOTÍCIA - PORTUGUESES TROCAM CARRO PELO TRANSPORTE PÚBLICO


Apesar das modestas alterações é já um princípio e estou em crer que, se os transportes melhorarem a sua efìciência e diversificarem mais os seus percurso (estou a referir-me aos transportes rodoviários), os resultados poderão ser mais encorajadores. O comboio é o meio de transporte menos poluente, mas ainda não atinge a maior parate das populações que diariamente se ditigem para Lisboa e que por esse motivoutilizam o barco e/ou o autocarro. Por outro lado há imensas cidades que não estão ainda servidas por uma rede de transportes interna, que permita circular entre a periferia e o interior sem levar o automóvel.



Portugueses começam a trocar o carro pelo comboioDepois de longos anos em sentido contrário, está a aumentar o número de portugueses que deixam os automóveis particulares em casa e a fazem a viagem para o emprego nos comboios da CP.
A notícia faz manchete na edição desta segunda-feira do jornal Público, que cita estudos recentes segundo os quais, nos primeiros nove meses deste ano, a CP transportou aproximadamente 2,5 milhões de passageiros a mais do que no mesmo período do ano passado.
Segundo o jornal, trata-se de um aumento modesto, de 2,5%, que ainda está longe de sanar o défice que vem do passado, já que, só entre 2000 e 2005, a CP perdeu 18 milhões de passageiros. Embora este resultado se deva igualmente a outros factores - por exemplo, a transferência da Linha da Póvoa para o Metro do Porto, em 2000.
No entanto, a CP acredita que os portugueses estão a responder à melhoria da oferta, uma vez que há mais comboios no serviço Alfa Pendular e mais regionais, razão pela qual, neste último caso, a subida de passageiros foi de 5,5%.
Os bons resultados da CP não são, contudo, um caso isolado, já que Fertagus, que opera os comboios que atravessam a Ponte 25 de Abril, em Lisboa, também registou, até Outubro deste ano, 5% de aumento no movimento de passageiros.
27-11-2006 7:55:41

21 novembro 2006

GALARDÃO ECO-ESCOLA


CERTIFICADO DE DESEMPENHO AMBIENTAL

Mais uma vez a escola viu o seu esforço pela qualidade ambiental reconhecido por entidades nacionais e internacionais. Não tem sido um trabalho visível, mas a sua utilidade na comunidade tem sido igualmente reconhecida por professores, alunos e seus encarregados de educação. É sempre gratificante ouvirmos dizer que a mensagem transmitida na escola é concretizada em casa. Nem que seja por um aluno apenas, já valeu a pena. Mas não é esse o nosso objectivo, queremos que toda a comunidade escolar se aproprie dos projectos ambientais de modo a tornar a vertente ambiental um propósito da escola para a comunidade.
E porque a escola é a força motriz destes projectos, apresentamos a sua página, ainda em construção:

www.eprep-montijo.rcts.pt

18 novembro 2006

BRUMA GLOBAL

Imagem TL
Cientistas: Camada poluição pode ajudar a arrefecer planeta
Um grupo de cientistas, entre os quais um prémio Nobel, defende que uma camada de poluição deliberadamente espalhada pela atmosfera poderia ajudar a criar «sombra» e impedir que o Sol aqueça excessivamente o planeta.

A reacção à proposta na conferência anual das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, que decorre em Nairobi, foi um misto de precaução, curiosidade e alguma resignação face a uma operação «tão drástica e massiva», segundo disse um responsável da ONU ao correspondente da agência AP.

O próprio cientista que primeiro fez a proposta, o climatologista Paul J. Crutzen (prémio Nobel da Química em 1995), «não está muito entusiasmado».

«Era para assustar os políticos», disse o investigador do Instituto Alemão de Química Max Planck, avisando, contudo, que «se não assumirem acções mais duras do que no passado, vamos ter de fazer experiências destas».

Contudo, depois de confrontados com esta proposta, vários cientistas levaram a sério a ideia, sublinhando que devem ser estudados eventuais efeitos secundários.

Este fim-de-semana, o Centro de Pesquisa Ames da NASA vai acolher um workshop de alto nível para analisar a proposta de «bruma» global e outras ideias de «geoengenharia» para contornar os efeitos das alterações climáticas.

Quando publicou a sua proposta na revista Climatic Change, em Agosto passado, Crutzen aludiu a «uma resposta política internacional muito desapontante» face ao aquecimento global.

O climatologista holandês sugere que poderiam ser usados balões para transportar sulfatos e dispará-los contra a estratosfera.

Enquanto o dióxido de carbono impede o calor de se escapar da terra, substâncias como o dióxido de enxofre, um poluente atmosférico, reflectem a radiação solar ajudando a arrefecer o planeta.

Tom Wigley, um climatologista americano, publicou em Outubro um artigo na revista norte-americana Science, citando, tal como Crutzen, o precedente da grande erupção vulcânica do monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.

O Pinatubo expeliu tantos detritos sulfurosos para a estratosfera que se acredita que arrefeceu a terra 0,5 graus durante cerca de um ano.

Wigley traçou cenários relativos à injecção de sulfatos a nível da estratosfera - à escala dos 10 milhões de toneladas de detritos lançados pelo Pinatubo - e concluiu que a ideia de Crutzen poderia resultar.

Seria necessária uma disseminação massiva de poluentes em cada um ou dois anos já que os sulfatos se precipitam na atmosfera sob a forma de chuvas ácidas.

O cientista americano disse que um «escudo» temporário daria aos líderes políticos mais tempo para reduzir a dependência humana dos combustíveis fósseis - a principal fonte de emissão de gases com efeito de estufa (GEE) O investigador referiu que os especialistas devem estudar aprofundadamente a exequibilidade da ideia e os seus possíveis efeitos na química da estratosfera, facto com que os participantes da conferência de Nairobi concordam.

«Sim, claro que essa pesquisa deve ser feita», afirmou à AP o climatologista indiano Rajendra K. Pachauri, responsável da rede das Nações Unidas para as alterações climáticas, que integra 2000 cientistas.

Mas «se as pessoas decidirem concretizar algo tão massivo e drástico como isto, é preciso ter a certeza absoluta de que não existem efeitos secundários», alertou.

Philip Clapp, um veterano das campanhas para a redução de emissões, também soou o alarme: «Já estamos envolvidos numa experiência descontrolada ao injectarmos GEE na atmosfera».

O geofísico americano Jonathan Pershing, do Instituto de Recursos Mundiais de Waschington, também se mostrou preocupado com as consequências imprevistas, mas sublinhou que valia a pena considerar a ideia.

Crutzen explicou que a sua proposta visava a «bruma» global como uma componente do planeamento a longo prazo.

Diário Digital / Lusa

PROTOCOLO DE QUIOTO SERÁ REVISTO EM 2008


Protocolo de Quioto será revisto em 2008

A comunidade internacional decidiu nesta sexta-feira em Nairóbi iniciar em 2008 o processo de revisão do Protocolo de Quioto, que visa a combater o efeito estufa.

A conferência "decidiu que a revisão do protocolo de Kioto, de acordo com o artigo 9, deverá começar em 2008", indicou uma resolução adpotada numa sessão realizada esta noite.

"Esta revisão será baseada nas melhores informações e avaliações científicas, sobretudo no 4º relatório do Grupo Intergovernamental de especialistas em mudança climática" (GIEC), que será publicado a partir de Fevereiro de 2007", precisou o texto.

O primeiro período de compromisso dos Estados participantes do Tratado internacional expira em 2012 e cabe à conferência de Nairóbi determinar as bases das futuras negociações.

Diário Económico


UE não está "à altura"
ONG criticam União Europeia na conferência internacional sobre o clima

As organizações não governamentais (ONG) de defesa do ambiente criticaram hoje a União Europeia por "não estar à altura" da conferência internacional sobre o clima, embora tenha apelado a acções "ambiciosas" contra o aquecimento global.


Em resposta às acusações, a União Europeia (UE) afirmou estar a "fazer o seu melhor" para obter avanços durante a conferência que decorre em Nairobi, precisando, no entanto, que nada está "garantido" porque as negociações são "imprevisíveis", como explicou Outi Berghll, representante da presidência finlandesa da UE.

"A UE, que se auto-proclamou líder nas negociações sobre as alterações climáticas não se tem mostrado à altura", declarou à agência AFP Stephan Singer, do Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF), à margem da 12ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que se realiza em Nairobi entre 6 e 17 de Novembro.

Na semana passada, a UE previu que um aumento de dois graus da temperatura na Terra, face aos valores de 1900, teria consequências "perigosas e em grande escala". O planeta já registou um aumento de, pelo menos, 0,7 graus desde o início do século passado.
A UE apelou então a acções "ambiciosas" para limitar os efeitos das alterações climáticas. "A UE falhou no estabelecimento de um calendário adequado necessário para assegurar a continuidade do Protocolo de Quioto aqui em Nairobi, embora tenha publicamente assumido a necessidade de acções urgentes", lamentou a Rede de Acção Climática, que integra a WWF e a Greenpeace, entre outras organizações.

O Protocolo de Quioto, que entrou em vigor em 2005, impõe a 35 países industrializados e à UE reduções das emissões de gases com efeito de estufa no período 2008-2012. Um dos objectivos da conferência de Nairobi é precisamente discutir o período pós-Quioto.

A UE insiste no facto de representar apenas 14 por cento das emissões mundiais de Gases de Efeito de Estufa (GEE) e entende que a pressão se deve exercer também sobre os grandes poluidores que não ratificaram Quioto, como os EUA e a Austrália, e sobre países em desenvolvimento, como a China, Índia ou o Brasil, que também poluem muito, mas não estão sujeitos a metas de redução.

Segundo as ONG, o acordo sobre os futuros compromissos de redução de GEE deve estar pronto em 2008, no máximo em 2009, o tempo necessário para permitir que estes países ratifiquem o documento antes de entrar em vigor, em Janeiro de 2013.

Neste contexto, a conferência de Nairobi deve ser uma oportunidade para elaborar um "plano de trabalho" para as futuras negociações sobre o pós-2012, argumentou o responsável da WWF. Mas "se ninguém dirige as negociações de Nairobi, é inevitável que vai ser um fracasso", alertou Singer.

Com Lusa

Alterações climáticas e energia: a determinação da Europa



Alterações climáticas e energia: a determinação da Europa
José Manuel Durão Barroso

Chegar às primeiras páginas não é garantia de importância. Mas, por vezes, as primeiras páginas justificam-se. As alterações climáticas não são uma questão de moda: trata-se do nosso futuro. Políticos, empresas, famílias, cidadãos - todos aqueles que têm interesse no futuro sabem que é necessário actuar agora para gerir os problemas de amanhã.
A Europa lidera actualmente os esforços mundiais para gerir as alterações climáticas e responder aos problemas do aquecimento global. O que não é por acaso. A União Europeia reúne um conjunto único de qualidades necessárias para actuar. Dispõe de um sistema de cooperação baseado em regras que reconhece que os problemas comuns carecem de soluções comuns. É líder a nível mundial em tecnologias-chave. É possível, também, que o espírito europeu seja especialmente aberto aos desafios a longo prazo. A "solidariedade" surge por vezes como um conceito vago; mas a luta contra as alterações climáticas é neste momento o exemplo de solidariedade mais consistente que esta geração pode mostrar à geração seguinte.
Hoje, os dados sobre as alterações climáticas são claros. Sabemos que o nosso planeta aquece ao ritmo mais rápido de sempre e que a espécie humana é a maior responsável pelo fenómeno. Todos podemos sentir os efeitos. Eis alguns exemplos: desde 1995 registaram-se os 11 anos mais quentes desde 1850; recuo rápido da maioria dos glaciares do planeta; derretimento acelerado nos últimos anos.
A análise do professor Nick Stern sobre os aspectos económicos das alterações climáticas, publicada em 30 de Outubro de 2006, indica com grande clareza os elevados custos da inacção. Porém, estes custos não são apenas económicos. A crescente escassez de água doce, a redução da produção de alimentos e o aumento do nível do mar implicarão enormes custos sociais, económicos e ambientais. Os países pobres são os que mais sofrerão, o que representa apenas novos riscos para a segurança global.
É difícil não parecer alarmista ao abordar a questão da alteração climática e do aquecimento global; pela minha parte, prefiro afirmar a nossa determinação quanto ao modo de actuar. É óbvio que para enfrentar as causas e os efeitos das alterações climáticas são necessárias mudanças essenciais. Mas se houver vontade política e um verdadeiro sentido de responsabilidade comum, podemos realizar essas mudanças. Reunidos na Finlândia no mês passado, os líderes europeus apelaram a uma actuação mais urgente no contexto das alterações climáticas, instando a Comissão a liderar este processo político. A presidência alemã que se avizinha já tornou bem claro que tenciona obter progressos neste domínio na primeira metade de 2007. O World Energy Outlook para 2006, publicado pela Agência Internacional da Energia a 7 de Novembro, mostra que existe uma alternativa credível ao "tudo como sempre".
Nos anos mais recentes, a Europa demonstrou a sua capacidade e determinação para ser líder, dando o exemplo. O regime europeu de comércio de emissões de gases com efeito de estufa indicou o caminho para procurar modos rentáveis de reduzir as emissões deste tipo de gases, levando as empresas a procurar formas próprias para as reduzir. É o maior regime de comércio de emissões do mundo, que abrange mais de 11.000 instalações em toda a Europa, responsáveis por cerca de metade das emissões europeias de dióxido de carbono. Este regime levou a questão das alterações climáticas para as salas de reuniões de todas as grandes empresas europeias. Lançou as bases para um mercado internacional do carbono, mercado esse que está em crescimento; não é de admirar que muitas das grandes empresas norte-americanas apelem agora à instauração de um regime semelhante nos EUA.
O nosso objectivo neste momento é limitar o aumento da temperatura média global futura a 2ºC acima dos níveis pré-industriais. As alterações climáticas já tornaram o mundo 0,65ºC mais quente. Na pior das hipóteses, até ao final do século, as temperaturas podem ter subido 5,8ºC. Para contrariar esta tendência, é necessário tomar medidas rigorosas nos próximos dez a 15 anos.
Como fazê-lo? Os problemas complexos carecem de soluções variadas. Para o efeito, estamos a trabalhar num pacote global de medidas.
A energia ocupa o primeiro lugar. A estratégia da Comissão Europeia para uma energia sustentável, competitiva e segura mostra que lutar contra as alterações climáticas, assegurar a nossa segurança energética e reforçar a nossa competitividade são indissociáveis. A melhoria da eficiência energética e o desenvolvimento de energias renováveis atingem vários objectivos ao mesmo tempo: menos emissões, menor dependência das importações, mercado mais estável e fomento da tecnologia europeia. No dia 19 de Outubro de 2006, a Comissão apresentou o Plano de Acção para a Eficiência Energética, que indica como aumentar em cerca de 20 por cento a eficiência energética da União Europeia até 2020. Em Janeiro, serão reveladas outras acções, que implicarão uma revisão estratégica da política energética. A mensagem será clara: temos de acelerar a mudança para uma economia com baixa emissão de carbono e aumentar a nossa segurança energética, mediante a melhoria da eficiência energética, o desenvolvimento de alternativas aos hidrocarbonetos e a utilização de hidrocarbonetos mais limpos. Para tanto, a existência de um verdadeiro mercado europeu da energia é tão essencial como a investigação e a inovação - por esta razão, penso que uma das prioridades do Instituto Europeu de Tecnologia deve ser o desenvolvimento de tecnologias ambientalmente limpas.
Em segundo lugar, é necessário olhar de frente as alterações climáticas, o que significa que a Comissão deve tomar uma posição firme e mais rigorosa na próxima ronda de planos nacionais de controlo dos gases com efeito de estufa para o período de 2008-2012, para garantir a sua total conformidade com as nossas obrigações de Quioto. E é também preciso ver ainda mais longe. Isto significa estender o comércio das emissões às emissões da aviação; a Comissão Europeia apresentará, em breve, propostas neste sentido. No início do próximo ano, a Comissão proporá um Livro Verde sobre as acções adicionais em matéria de alterações climáticas "pós-2012".
Mas a Europa não pode enfrentar sozinha o desafio climático. As nossas emissões correspondem apenas a 14 por cento das emissões totais do planeta e estima-se que elas serão reduzidas para 8 por cento do total até 2050. Deste modo, a nossa determinação tem agora pela frente o grande desafio de acolher outros parceiros numa nova geração de medidas globais para combater a ameaça global. Precisamos de reforçar a cooperação da indústria europeia com países terceiros em matéria de eficiência energética, energias renováveis e captação e retenção de carbono. Devemos oferecer apoio aos países em vias de desenvolvimento no sentido de juntar esforços no combate às alterações climáticas. Mais importante ainda, é necessário chegar a acordo quanto à redução das emissões globais e a um mercado global do carbono, a fim de conseguir um impacto genuinamente global.
Uma liderança europeia determinada pode ajudar a convencer o mundo da urgência de uma actuação firme relativamente às alterações climáticas. De 6 a 17 de Novembro de 2006, o mundo está a debater os futuros passos a dar, na conferência das Nações Unidas de Nairobi. Esta conferência deverá aproveitar o impulso proporcionado pela nova determinação de enfrentar as alterações climáticas e trabalhar num novo consenso sobre o caminho a seguir. O trabalho desenvolvido no G8 deverá também ajudar a preparar o terreno para um acordo mundial sobre as medidas relativas às alterações climáticas e à eficiência energética global.
A luta contra as alterações climáticas merece um lugar no topo da lista das prioridades da União Europeia. A Europa tem ideias, tem experiência e tem também a visão necessária para promover melhorias reais. Temos decisões difíceis pela frente, que implicarão seriamente cada cidadão europeu. Mas as alterações climáticas são demasiado importantes para serem colocadas nos assuntos "demasiado difíceis". Nos próximos meses, a Europa pode mostrar-se determinada em desempenhar o papel de liderança que lhe compete. Presidente da Comissão Europeia
necessária para promover melhorias reais. Temos decisões difíceis pela frente, que implicarão seriamente cada cidadão europeu. Mas as alterações climáticas são demasiado importantes para serem colocadas nos assuntos "demasiado difíceis". Nos próximos meses, a Europa pode mostrar-se determinada em desempenhar o papel de liderança que lhe compete.
Presidente da Comissão Europeia

A COMENTAR



"O que me tira o sono? A degradação ambiental".
Kofi Annan, "Única", 18-11-2006

15 novembro 2006

AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A SAÚDE


Centro internacional estuda influência na saúde humana das alterações climáticas
2006-11-14
Ciência Hoje


Anthony McMichael: «Alterações ambientais são o novo perigo para a saúde»


Um centro internacional de pesquisa do sistema terrestre anunciou hoje uma nova investigação sobre os riscos que as alterações climáticas representam para a saúde humana, um projecto apoiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O novo programa, intitulado "Alterações Climáticas e Saúde" (Global Environmental Change and Human Health - GECHH), pretende criar uma rede internacional de investigadores que possam identificar e quantificar os perigos que as alterações climáticas globais representam para a saúde humana e desenvolver estratégias de adaptação que contribuam para reduzir esses riscos.

"A saúde da população é um indicador crucial dos impactos das alteraçõe s ambientais globais em sociedades humanas", disse Anthony McMichael, co-autor do programa da Earth System Science Partnership (ESSP), salientando que "o desafio do projecto é perceber em que condições as alterações ambientais em larga escala são determinantes para a saúde de comunidades e populações inteiras a longo prazo".

De acordo com a OMS, as alterações climáticas são responsáveis pelo aumento do risco de contrair malária, que atinge actualmente cerca de 40 por cento da população do mundo, e as mudanças no uso da terra está a colocar 840 milhões de pessoas em risco de má nutrição. A organização da ONU alerta ainda que entre um a dois biliões de pessoa s que vivem em latitudes mais elevadas enfrentam um maior risco de cancro da pele e depressão do sistema imunitário, devido ao esgotamento do ozono estratosférico.

"As alterações ambientais globais constituem a principal nova categoria de perigo para a saúde, destacando-se principalmente as mudanças sistemáticas induzidas pelo homem no sistema natural e outros processos que sustentam a saúde e a vida", disse McMichael, acrescentando que o projecto "irá ajudar a focar opções políticas que assegurem um futuro mais saudável e mais sustentável".

Programa complementar

O projecto está a ser desenvolvido como um complemento de outros três que o ESSP está a promover, sobre o ciclo global do carbono, o sistema global da água e hábitos de alimentação. As alterações em cada um desses sistemas influência, através de diversos padrões, a saúde e o bem-estar humanos assim como a sustentabilidade social.

Os co-autores do projecto são Anthony McMichael, em conjunto com o Centro Nacional de Epidemiologia e Saúde da População da Universidade Nacional Australiana em Camberra, Austrália, e Ulisses Confalonieri com a Escola Nacional de Saúde Pública no Rio de Janeiro, Brasil.

O ESSP resultou de uma parceria de quatro programas internacionais de pesquisa sobre as alterações ambientais com o objectivo de estudar de forma integrada o sistema terrestre, as mudanças que estão a ocorrer e as implicações destas mudanças para a sustentabilidade global.

Os programas parceiros neste projecto são o DIVERSITAS (programa internacional sobre a biodiversidade), IGBP (programa internacional que estuda a Geosfera e a Biosfera), IHDP (programa internacional sobre a contribuição humana para as mudanças ambientais globais) e o WCRP (programa que pesquisa o clima mundial )

14 novembro 2006

FOGOS FLORESTAIS E BIODIVERSIDADE


Alterações climáticas podem comprometer combate a fogos.
Alguns cientistas receiam que o aquecimento global possa alimentar violentos incêndios florestais em vários lugares do mundo, desfazendo frágeis ecosistemas e prejudicando os esforços para proteger comunidades.

Recentes estudos relacionaram o aumento das temperaturas ao alastrar do s fogos florestais, particularmente no ocidente dos Estados Unidos que assistiu as últimas décadas a um número anormalmente elevado de fogos florestais.

«Realmente não há um lado bom nisto», reconheceu Thomas Swetnam, que chefia o Laboratório de Investigação na Universidade do Arizona.

Combater fogos florestais é uma tarefa árdua e cara que tem sido complicada pelo escasso crescimento da floresta e o aumento da presença humana perto da floresta.

«Contribuímos para a alteração climática e isso vai tornar as coisas muito piores», disse Swetnam.

Os cientistas estão já a ver uma mudança no comportamento dos fogos florestais devido ao aumento das temperaturas. Os incêndios sazonais atacaram forte em partes do ocidente dos Estados Unidos, na tundra siberiana e nas Montanhas Rochosas do Canadá. Se a tendência continuar, alguns prevêem que se multipliquem incêndios florestais difíceis de extinguir.

«Estamos a enfrentar uma nova realidade», disse Robin Wills, presidente da Assocation of Fire Ecology, um grupo profissional.

Milhares de cientistas e funcionários ligados à floresta que se reuniram em San Diego para uma encontro internacional sobre fogos florestais, que começou segunda-feira e dura toda a semana, exortaram os governantes a terem em consideração os efeitos do aquecimento global quando combaterem os fogos florestais.

Os futuros incêndios, alertaram, podem alterar drasticamente a terra e converter a vegetação de um tipo para outro. Isso, em contrapartida, pode colocar os animais e plantas em risco de extinção. O aumento dos fogos florestais pode também afectar o ambiente. Quando os incêndios deflagram, emitem toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera contribuindo para os gases com efeitos de estufa que aquecem o planeta.

Os cientistas sugerem, entre outras coisas, que as regiões mais em risco sejam assinaladas e que a madeira morta seja reduzida através do aumento de programas de queimadas controladas.

A passada época dos fogos florestais nos Estados Unidos foi a pior de sempre - e a mais cara, com mais de 89 mil fogos que queimaram 9,5 milhões de acres (3,8 milhões de hectares, de acordo com números do National Interagency Fire Center. Os serviços Florestais norte-americanos gastaram 1.5 mil milhões de dólares (1.17 mil milhões de euros para o ano fiscal de 2006 no combate aos fogos florestais, mais 100 milhões de dólares do que o orçamentado.

Os custos do aquecimento global podem superar os das guerras mundiaiss e não forem tomadas medidas na próxima década, segundo um relatório divulgado em Londres, no final de Outubro, que aponta Portugal como um dos países europeus mais afectados pelas alterações climáticas.

O estudo, da autoria de Nicholas Stern, um ex-responsável do Banco Mundial, prevê que o número de refugiados vítimas de secas ou inundações se eleve a 200 milhões de pessoas.

O relatório, que tinha sido encomendado há um ano pelo Governo britânico, salienta que os custos mundiais do aquecimento global poderão ser superiores a 5,5 biliões de euros, mais do que custaram as duas guerras mundiais ou a grande Depressão de 1929, tornando grandes zonas do planeta inabitáveis.

Mesmo que a poluição acabasse agora, os gases com efeito de estufa continuariam a aquecer o clima durante mais de trinta anos, com o nível dos mares a continuar a subir durante mais um século.

De acordo com o documento apresentado pelo governo britânico, Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo sobreaquecimento.

«O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas», refere o texto.

Diário Digital / Lusa

ALGUNS APONTAMENTOS SOLTOS




Al Gore, em 1997 deu numa excelente ajuda nas negociações de Quioto, no Japão, onde o mundo esboçou um tratado inovador, cujo objectivo era controlar a poluição causadora do aquecimento global. Ao regressar aos Estados Unidos enfrentou uma dura batalha, no Senado, para obter apoio para o tratado.
Segundo Al Gore, após as eleições, a administração Busch-Cheney decidiu bloquear quaisquer políticas destinadas a ajudar a diminuir a poluição causadora do aquecimento global.
Abandonaram a retórica pré-eleitoral sobre o aquecimento global, anunciando então que este facto não constituía sequer um problema.

"Verdade Inconveiente"
O autor pretende que a leitura do livro ou o visionamento do filme leve as pessoas a sentirem que o aquecimento global não está apenas relacionado com a ciência, do mesmo modo que não é apenas uma questão política. É AFINAL UMA QUESTÃO MORAL.

Como em tudo na vida e também nesta vertente ambiental poderemos sempre tirar benefício. Aliás, como refere na entrevista, a palavra CRISE, é expressa em chinês por uma expressão com dois símbolos «PERIGO» e «OPORTUNIDADE».

As emissões dióxido de carbono têm sido de tal ordem que estamos a alterar literalmente a relação entre a Terra e o Sol. Está a ser absorvido tanto CO2 pelos oceanos que, se continuarmos a este ritmo, aumentaremos a saturação de carbonato de cálcio a níveis que impedirão a formação de corais e interferirão com a formação da concha de qualquer criatura marinha.

No ano passado , as Academias das Ciências de 11 dos países mais influentes reuniram-se com a finalidade de "reconhecerem que a ameaça da alteração climática é nítida e galopante" e declarar que " o entendimento científico das alterações climáticas é agora suficientemente claro para justificar que os países actuem rapidamente". A mensagem é clara, esta crise significa PERIGO.

Porque a verdade é incómoda, parece mais fácil ignorá-la.

  • Que oportunidades nos traz esta crise?
- Potenciais negócios e novos lucros
- Construção de máquinas limpas (podemos utilizar o sol e o vento, podemos deixar de desperdiçar energia, podemos usar abundantes reservas de carvão sem aquecermos o planeta).


Mas, mais precioso ainda, esta crise oferece-nos a oportunidade de experimentarmos o que muito poucas gerações na história tiveram o privilégio de conhecer:
  • uma missão geracional;
  • a satisfação de um objectivo moral irresitível;
  • uma causa unificadora e partilhada;
  • a emoção de sermos forçados, pelas circunstãncias, a pormos de lado a pequenez e o conflito que tantas vezes sufocam a inquieta necessidade humana de transcendência;
  • a oportunidade de nos erguermos;
Quando nos erguemos isso encherá o nosso espírito e dar-nos-à uma sensação de renascimento, ao verificarmos que isto não tem nada a ver com política. Trata-se de um desafio moral e espiritual. Em causa está a sobrevivência da nossa civilização e a habitabilidade da Terra.
Como diz um eminente cientista, a questão é saber se a combinação de um polegar oponível e de um neocortex é viável neste planeta.

Que a mensagem sirva para tomarmos consciência do trabalho e da responsabilidade que nós, professores e adultos, temos na transmissão destes conhecimentos às gerações que nos seguem. O futuro é agora.

Estas notas soltas tiveram como base um artigo escrito na Revista Executive Digest, Al Gore Sem meias Verdades - O Colapso Ambiental Não é Uma Ilusão e Todos Somos Responsáveis.


13 novembro 2006

SITUAÇÃO DAS PESCAS EM PORTUGAL REQUER ATENÇÃO


DE NOVO A BIODIVERSIDADE - situação preocupante

Situação das espécies pescadas em Portugal requer atenção
2006-11-12

A situação das espécies pescadas pelo homem em Portugal não é dramática, "mas há motivos para preocupação", afirma Jorge Gonçalves, investigador do Centro de Ciências do Mar. Segundo um estudo recente de investigadores americanos sobre a biodiversidade nos oceanos, todas as espécies selvagens actualmente pescadas terão entra do em colapso em 2050.

Neste contexto, o termo "colapso" significa que terão desaparecido 90 por cento dos exemplares de cada uma das espécies que o homem captura mas Jorge Gonçalves é mais optimista em relação ao futuro.Para o investigador do Centro de Ciências do Mar, estrutura integrada na Universidade do Algarve, as conclusões do estudo podem não reflectir exactamente "o que se passa em Portugal ou até mesmo no mundo", embora sejam um alerta.

"Em Portugal não temos espécies na designada situação de colapso mas existem algumas que estão ameaçadas", revelou o investigador à agência Lusa. De acordo com Jorge Gonçalves, "o lagostim e a pescada são dois casos ilustrativos e a situação actual das suas populações resulta, em parte, de práticas de captura excessivas ou inadequadas".
Na opinião do especialista, "a natureza tem formas de repor o equilíbrio quando ocorre a redução de uma espécie, mas o ecossistema dessa espécie fica inevitavelmente mais pobre".

"A gestão do esforço de pesca e a selectividade das artes de pesca, nomeadamente no que se refere à malha das redes" são - para o investigador do Centro de Ciências do Mar - dois factores a ter em conta se se quiser preservar as espécies marinhas que o homem captura.

Alerta na Science

O alerta de que as espécies selvagens pescadas pelo homem podem estar em colapso, dentro de menos de meio século, foi feito pela revista "Science" na semana passada, com a publicação dos resultados de um estudo dirigido por Boris W orm, do Departamento de Biologia da Universidade Dalhousie, no Canadá.

A investigação, que reuniu académicos canadianos e dos EUA, assinala ainda que, com a perda da biodiversidade oceânica, estão a surgir outros problemas, caso da redução do potencial de recuperação, estabilidade e qualidade da água. Além disso, os oceanos perdem também a sua capacidade para resistir à poluição e ao aquecimento global.

Para chegarem a estas conclusões, os investigadores analisaram os resultados de 32 experiências, fundamentaram-se em observações realizadas em 48 áreas marinhas protegidas e tiveram em conta as capturas globais de peixes e invertebrados marinhos entre 1950 e 2003. Os autores do estudo afirmaram que ainda é possível resolver o problema mas lamentaram que, actualmente, apenas um por cento dos oceanos esteja efectivamente protegido.


in Ciência Hoje

12 novembro 2006

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Consciência Energética


Na Europa a questão da eficiência energética está no topo da agenda política de energia. A Comissão Europeia quer reduzir o consumo dos Estados-membros em 20% até 2020 e lançou um plano de acção que integra medidas de eficiência energética nos edifícios e nos transportes. A nível europeu, estão também em marcha vários programas que pretendem mobilizar as famílias para a necessidade de economizar energia.

Carla Castelo
Jornalista
opiniao@sic.pt




Muito se falou nos últimos dias dos preços da electricidade, mas não se viu nenhum governante aproveitar a ocasião para falar de eficiência energética. O País continua sem uma política que dê prioridade ao combate ao desperdício no consumo de energia.

Valem-nos iniciativas de organizações não governamentais de ambiente ou programas europeus. Um deles chama-se Echo Action e está a ser desenvolvido em vários países da Europa, da Suécia a Itália. Em Portugal, é promovido pela Agência de Energia de Sintra e pretende contar com duzentas famílias de oito concelhos da área metropolitana de Lisboa.

O objectivo é reduzir os consumos de energia nas habitações e no meio de transporte usado, bem como sensibilizar as famílias para uma utilização mais racional de energia. Uma redução significativa do consumo (e da factura) pode ser conseguida com simples mudanças de comportamento ou pequenas intervenções na habitação, como a substituição de lâmpadas ou aparelhos demasiado gastadores. Mas nalguns casos podem ser sugeridas medidas mais profundas, como obras de reabilitação do edifício, nomeadamente ao nível do isolamento.

Com idêntico objectivo de sensibilização pública, a Quercus tem em curso desde Novembro de 2005 o programa Eco-Famílias. Estão a ser monitorizados os hábitos de cerca de trinta famílias e analisados os seus consumos reais.

Estes são dois casos em que se procura identificar potenciais de poupança no sector residencial, na falta de medidas e de bons exemplos por parte do Governo.

Quantos edifícios públicos foram construídos nos últimos anos de forma a pouparem electricidade ou gás?

Dir-me-ão que a legislação sobre eficiência energética dos edifícios só foi aprovada este ano e que entrará em vigor em 2007. Pois é, mas não deveria o Estado já ter começado a isolar paredes e a colocar painéis solares nos edifícios públicos, e a ter em conta factores de eficiência energética nas compras públicas?

A economia portuguesa cresce a passo de caracol, mas o consumo de energia é galopante, tal como o de emissões poluentes (que também teremos de pagar para cumprir o protocolo de Quioto). Portugal gasta energia como se fosse um país rico e inconsciente.

Carla Castelo


Esta opinião corroborada por muitos portugueses certamente é o espelho do que se faz em Portugal na generalidade, com pequenas excepções, sempre de iniciativa de organizações não governamentais ou de algumas autarquias, como é o caso de Sintra e também de Oeiras.
Poderão consultar www.oeinerge.pt

Também na escola vamos iniciar um novo programa denominado "Projecto Carbon Force...uma missão possível", e tentaremos, com a ajuda de alguns "carolas", melhorar a eficiência energética da escola ou quanto mais não seja detectar as ineficiências que não estão à vista. Sim, algumas são evidentes. Vamos tentar transmitir aos nossos alunos tudo quanto for possível neste campo da eficiência energética, mesmo nas suas casas, de modo a que pelo menos alguns contribuam para a redução dos GEE (gases com efeito de estufa).
www.carbonforce.pt

10 novembro 2006

ÁGUA É MAIS CARA PARA OS MAIS POBRES


Mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e 2,6 mil milhões não possuem saneamento básico. Metade da população dos países tem uma doença ligada à falta destes dois bens. E, ironia das ironias, "a água é mais cara para os que têm menos possibilidades económicas", diz o relatório de Desenvolvimento Humano 2006.

Nos bairros carenciados de Nairobi, as pessoas pagam até dez vezes mais por um litro de água do que os habitantes com um nível de vida superior na mesma cidade. As famílias mais pobres de El Salvador, Nicarágua e Jamaica despendem em média mais de dez por cento dos seus rendimentos em água. Já no Reino Unido, gastar mais de três por cento do rendimento familiar em água é considerado "um indicador de dificuldade económica".

O acesso à água canalizada nos lares é de 85% para 20% dos mais ricos; em comparação com 25% para 20% dos mais pobres.

Os números são acompanhados por uma crítica: "As raízes da crise em termos de água prendem-se com a pobreza, com a desigualdade e com relações de poder, bem como com políticas de gestão de água deficientes que aumentam a sua escassez", diz Kermal Dervis, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Os autores do relatório estabelecem como prioridade a definição de estratégias para que a população mundial tenha acesso a água potável e a saneamento no mais curto espaço de tempo. Caso contrário, nunca serão cumpridos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.

Isto porque a falta de água potável tem repercussões em todos os níveis da vida humana, além de perpetuar a "desigualdade entre homens e mulheres", sublinha o relatório. As doenças provocadas pela água, como a diarreia e as infecções parasitárias, custam 443 milhões de dias lectivos por ano e atrasam o potencial de aprendizagem de mais de 150 milhões de crianças. CN
in Diário de Notícias

Em Portugal as medidas de luta contra as alterações climáticas continuam a não ser postas em prática


Combate às mudanças do clima continua na gaveta


Rita Carvalho *
Apesar de Portugal ser um dos países europeus que mais pode sofrer com as alterações climáticas, o Governo continua a não explicar como vai pôr em prática a sua estratégia para lutar contra o fenómeno. Isto apesar de ter sido o próprio Executivo a fixar o prazo de 15 de Setembro para concretizar as intenções já enunciadas - tais como reduzir a velocidade média nas auto-estradas. Dois meses depois, essas medidas não são conhecidas e há mesmo ministérios que nem sequer entregaram as suas propostas ao Ambiente.

Os compromissos assumidos pelo Governo para reduzir a emissão de gases poluentes constam do Programa Nacional de Alterações Climáticas (PNAC), documento aprovado pelo Conselho de Ministros em Agosto. Desta estratégia nacional saíram objectivos como baixar a velocidade média nas auto-estradas de 120 para 118 quilómetros por hora; fazer com que 5% das pessoas que utilizam o transporte individual nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto passem a usar o transporte colectivo ou reduzir os dias de serviço dos taxis para baixar a poluição. Falta saber como se atinge os objectivos.

O PNAC previa que, até dia 15 de Setembro, cada ministério apresentasse um plano de acção onde constassem as medidas a desenvolver, a sua calendarização, os meios previstos para alcançar esses fins, os indicadores e resultados esperados e o organismo interno responsável pelo acompanhamento.

O programa determina ainda, "dada a importância da monitorização do cumprimento do PNAC, que para cada medida, o ministério proponente reporte o progresso da mesma no final de cada semestre". Em caso de "desvios desfavoráveis ao cumprimento do plano de actuação", lê-se no PNAC, será ainda exigido a cada ministério a "apresentação de um plano de contingência que permita colmatar a redução de emissões não alcançada".

Estes projectos ainda não são conhecidos. E, segundo apurou o DN, alguns ainda nem chegaram ao Ministério do Ambiente. Contactados pelo DN, alguns ministérios - como Economia e Transportes - não responderam, preferindo remeter para o Ministério do Ambiente essa informação, uma vez que é aí que será feita a coordenação deste programa transversal. Apenas as tutelas da Agricultura e da Administração Interna afirmaram já ter enviado os seus projectos, embora não tenham adiantado os seus conteúdos.

Numa altura em que o relatório Stern coloca Portugal como um dos países mais afectados pelo aquecimento global, o Ministério do Ambiente considera que a listagem de medidas do PNAC conhecidas "já mostra aos portugueses uma boa parte do que vai e tem que mudar". E quanto aos planos de acção, esclarece que "foram elaborados pelos ministérios responsáveis, estão em fase de análise e de uniformização, e serão oportunamente divulgados ao público".

Oposição

É precisamente o timing dessa apresentação pública que o PSD quer saber, tendo para isso entregue esta semana na Assembleia da República um requerimento que exige explicações ao ministro Nunes Correia. "Quais as diligências que, no seguimento dessas apresentações, estão a ser preparadas neste momento e a respectiva calendarização?", questiona o deputado social-democrata, José Eduardo Martins.

O ex-secretário de Estado do Ambiente considera que esta matéria exige medidas urgentes, lançando ainda críticas ao Governo, acusando-o de ser apenas reactivo e não pro-activo. Ao DN foi mais longe e afirmou que este "silêncio" é "a prova de que, em geral, fora da Secretaria de Estado do Ambiente nota-se uma enorme iliteracia no Governo em matéria de alterações climáticas".

O deputado laranja critica ainda o facto de o Governo ter estado um ano e meio a rever o PNAC. *Com Carolina Dourado


in Diário de Notícias

GELO NA ANTÁRTIDA MOSTRA INTERRELAÇÃO ENTRE HEMISFÉRIOS


Gelo da Antártida mostra interrelação entre hemisférios
2006-11-09

A análise de um novo núcleo de gelo na Antártida mostra que as alterações climáticas bruscas registadas nos últimos 150 mil anos estão estreitamente interrelacionadas em ambos os hemisférios por efeito das correntes atlânticas. A descoberta, de que dá ontem conta a revista científica Nature, corrobora a tese de que as correntes do oceano Atlântico ligam a Gronelândia e a Antártida numa espécie de "vaivém bipolar". Estudos anteriores já tinham demonstrado que alterações de temperatura no sul, mesmo fracas e curtas, estavam ligadas a rápidas alterações de temperatura no norte devido a alterações de correntes no Atlântico.

A Antártida aqueceu várias vezes nos últimos 20.000 a 55.000 anos ao mesmo tempo que o norte estava frio e a exportação de água quente do sul era reduzida. Em contraste, a Antártida começou a arrefecer à medida que cada vez mais água quente começou a fluir para o Atlântico norte durante os períodos quentes do norte.

Este resultado sugere uma ligação geral entre alterações climáticas de longo prazo em ambos os hemisférios através desde "vaivém bipolar", em resultado de viragens bruscas de circulação no Atlântico sul. No estudo publicado na Nature, um consórcio de cientistas de dez países europeus (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça) estabelece uma ligação precisa entre registos climáticos da Gronelândia e da Antártida através de dados sobre alterações globais em concentrações de metano presentes em bolhas de ar retidas no gelo.

Uma clara correspondência

Depois de sincronizarem a concentração de metano num núcleo de gelo do norte da Gronelândia com a do núcleo de Dronning Maud Land, na Antártida, observou-se uma clara correspondência entre os episódios quentes da Antártida e os chamados episódios Dansgaard-Oeschger, da Gronelândia. Cada uma das 25 flutuações bruscas de temperatura registadas nos núcleos de gelo analisados na Gronelândia têm correspondência directa no gelo da Antártida e a magnitude das variações de temperatura em ambos os hemisférios também se correspondem directamente.

O novo núcleo de gelo analisado por Hubertus Fischer, do Instituto Alfr ed-Wegener de Investigações Polares e Marinhas, de Bremerhaven (Alemanha), e colegas cobre um período de 150.000 anos e a sua importância deve-se sobretudo ao lugar geográfico que ocupa. O núcleo pertence a uma zona no Atlântico sul submetida a fortes nevões , podendo por isso os resultados da análise ser comparáveis com os da Gronelândia.

A magnitude dos episódios de aquecimento climático na Antártida demonstrou ser directamente dependente da duração do episódio concorrente no hemisfério norte, um sinal de que ambos resultam de uma redução semelhante na chamada "circulação termohalina" meridiana. No estudo, os cientistas descartam a ideia de que as grandes flutuações de temperatura na Gronelândia sejam um fenómeno totalmente localizado e realçam o papel da circulação oceânica atlântica como mecanismo de transporte térmico.
www.cienciahoje

ERUPÇÕES VULCÂNICAS CRIAM «MINI-BURACOS»


Erupções vulcânicas criam «mini-buracos»
2006-11-09


Gases vulcânicos levam à formação de partículas de gelo e ácido nítrico.
Os gases libertados durante as erupções vulcânicas aceleram reacções que levam à destruição da camada de ozono, indica um estudo conjunto de investigadores das universidades de Cambridge e Oxford, no Reino Unido. Segundo este trabalho, dirigido por Genevieve Millard, do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Cambridge, até erupções vulcânicas relati vamente pequenas podem destruir o ozono e criar "mini-buracos" na estratosfera. Anteriormente os cientistas tinham-se concentrado nos efeitos climáticos das pequenas partículas de sulfato vulcânico criadas pelo dióxido sulfúrico em itido durante as erupções.

Agora, ao analisarem dados de uma erupção do vulcão Hekla (Islândia) no ano 2000, os investigadores constataram pela primeira vez que os gases vulcânicos podem também levar à formação de partículas de gelo e ácido nítrico. "Trata-se de uma descoberta crítica, porque essas partículas activam gases clorados vulcânicos, acelerando reacções que levam à destruição do ozono", assinala o estudo, divulgado pelo centro europeu de informações científicas "AlphaGalileo".

"Mostrámos pela primeira vez que as erupções vulcânicas que penetram na estratosfera podem levar à formação do tipo de nuvens que promovem reacções com gases clorados vulcânicos. Esses gases destroem ozono estratosférico e conduzem à formação de mini-buracos de ozono" - afirmou a professora Millard.

As perdas de ozono causadas pela pequena erupção do Hekla duraram cerca de duas semanas, restabelecendo-se depois a normalidade. Foi a primeira vez que se observou a remoção completa de ozono local depois de uma erupção vulcânica. "Queremos agora saber o que poderá acontecer à camada de ozono depois d e uma erupção muito maior", adiantou David Pyle, da Universidade de Oxford, que coordenou o projecto.

"Haverá por exemplo perda significativa de ozono, e aumento das radiação ultravioleta, a baixas latitudes, após grandes erupções? - Queremos compreender isto, para podermos ter uma imagem melhor tanto do que poderá ter acontecido no passado e do que poderá acontecer no futuro", assinalou.
www.cienciahoje.pt

08 novembro 2006

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL EM NAIROBI


Nairobi
Conferência internacional incita Humanidade a adaptar-se às alterações do clima

Os delegados da 12ª conferência internacional sobre alterações climáticas salientaram hoje em Nairobi, no Quénia, a necessidade imperiosa de mecanismos de adaptação às alterações climáticas, fenómeno que ameaça destruir parte do património cultural e natural da Humanidade.

As alterações climáticas estão a acentuar-se (...) e as suas consequências serão perigosas a uma larga escala se a temperatura global aumentar mais de dois graus centígrados, em relação ao nível pré-industrial”, previu Lars Müller, especialista em alterações climáticas na Comissão Europeia.

“Já estamos a viver um aumento de 0,7 graus desde 1990”, acrescentou.

Uma das maiores questões em cima da mesa nesta conferência é o reforço das capacidades de adaptação dos países, nomeadamente os mais desprotegidos perante as alterações do clima. Os países em vias de desenvolvimento já estão a pedir apoios.

Pela primeira vez, esta conferência realiza-se na África subsaariana, região muito vulnerável ao sobre-aquecimento, afectada por secas, inundações e pluviosidade cada vez mais irregular.

Os africanos mais pobres são os mais vulneráveis ao sobre-aquecimento

As populações que vivem nos países africanos mais pobres são aquelas que se arriscam a sofrer mais com os efeitos das alterações climáticas, segundo o relatório “Cartografar a vulnerabilidade ao clima e a pobreza em África”, divulgado hoje à margem da conferência da ONU em Nairobi.

Segundo o estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre Gado (ILRI), os locais mais vulneráveis nos próximos 50 anos correspondem às regiões onde vivem as populações mais pobres do continente africano.

O relatório aponta o Burundi e Ruanda, bem como algumas regiões da Etiópia, Eritreia, Níger e Chade como as mais vulneráveis.

“A situação é alarmante, mas não apenas por causa das alterações climáticas. É alarmante para toda a África devido às pressões em termos de densidade populacional, acesso aos mercados, degradação dos recursos naturais”, comentou Mario Herrero, co-autor do relatório.

Halldor Thorgeirsson, do secretariado da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, considera que as medidas de adaptação devem, sobretudo, “reduzir a vulnerabilidade económica” ao sobre-aquecimento.

Uma parte dos delegados achou importante salientar que a adaptação não significa renunciar à luta contra as alterações climáticas. Pelo contrário, são precisas medidas suplementares e os países industrializados devem dar o exemplo. A Comissão Europeia lembrou que a Europa está a aquecer mais rapidamente do que a média mundial.

União Europeia disposta a alargar o seu comércio de emissões a outros países

Hoje, o ministro das Finanças finlandês, Eero Heinäluoma – cujo país preside a União Europeia – disse que a Comissão Europeia está disposta a abrir o seu sistema de comércio de emissões aos países da Associação Europeia de Comércio Livre (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein).

Em conferência de imprensa em Bruxelas, no final de uma reunião dos ministros europeus das Finanças, Heinäluoma insistiu na “importância vital de lutar, colectivamente, contra o problema das alterações climáticas”. Para isso lembrou a publicação na semana passada do relatório britânico Stern, que chamava a atenção para o custo económico do sobre-aquecimento.

A decisão formal de integrar estes novos países no sistema de comércio de emissões será tomada durante uma outra reunião, precisou o ministro finlandês.

A 12ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas começou ontem e prolonga-se até dia 17.

www.ecosfera.pt



06 novembro 2006

PROJECTO ECO-ESCOLA - ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Vamos dar início aos trabalhos. Foi marcado o dia 16 de Novembro para o hastear da Bandeira Verde e afixação do Certificado de Desempenho Ambiental. É certamente um acto simbólico e mais não pretendemos que isso. Apenas queremos simbolizar com este acto que na Escola do 2º Ciclo D. Pedro Varela houve quem se preocupasse com as questões ambientais e quisesse dar o seu contributo para a alteração de comportamentos que fossem adoptados pelos alunos na escola, de modo a todos contribuírmos para a melhoria da qualidade ambiental não só na escola, mas também em casa e na comunidade.
Passamos por momentos de desânimo, frustação e outros sentimentos que não vale a pena enumerar, os quais resultam da incompreensão de muitos no que respeita ao trabalho desenvolvido e da ignorância dos que teimam em viver descurando o ambiente, mostrando até algum desprezo pela qualidade de vida das gerações actuais e futuras. É pena, um pequeno esforço de cada um poderia trazer grandes benefícios. É só fazer umas simples contas de multiplicar. Se um professor, numa turma, conseguir transformar algumas atitudes em cerca de 10 alunos, 10 professores conseguirão, pelo menos o mesmo em 100 alunos. Ora num universo de cerca de 100 professores e 1000 alunos vejam o que conseguirímaos. Agora transponham essa informação para casa. Cada aluno transmite a sua aprendizagem, pelo menos a duas pessoas...agora multipliquem por 1000. Se essas pessoas influenciarem, por sua vez, os vizinhos, os colegas de trabalho etc., concluiremos que é de facto um projecto ambicioso.
Talvez não tenha até aqui passado a mensagem de forma clara ou as pessoas andam todas distraídas com outros problemas de classe.
Quem lê atentamente as notícias nacionais, internacionais e observa as alterações que são já visíveis, mesmo no nosso país, pode ficar, como eu fiquei muito pessimista em relação ao futuro, de tal modo que os problemas de classe, (ECD), vencimento, condições de trabalho (de que ninguém fala), autonomia da escola (onde está?), crítica constante de tudo o que os professores fazem na escola por pessoas que não sabem o que é estar na ecola e contruir a escola (e que, com toda a naturalidade dizem ...é um desperdício) e muitas outras que poderia enumerar, deixaram de ter a relevância que outrora poderiam ter. Que importância tem tudo isto se não sabemos se dentro de poucos anos os nossos filhos, os nossos alunos terão água, conseguirão viver acomodados a temperaturas extremas, conseguirão respirar e no cenário mais negro...VIVER?
Fico estupefacta quando um grupo de adultos vê alguém colocar as tampinhas dentro de um garrafão e comentar...lá vão os salvadores do planeta e colocar os resíduos dentro dos respectivos recipientes????. Sim, há-os em grande quantidade, mas nem sempre a inteligência das pessoas ou o conhecimento lhes permite acertar no alvo. Será que um dia o mundo não lhes cairá em cima? Espero bem que não.
Voltando ao assunto principal, isto foi um "adereço". O projecto vai avançar levando em anexo um novo projecto CARBON FORCE, para o qual será necessário a colaboração de alunos, professores e órgãos de gestão.
Se repararem, todos os artigos postados tratam quase exclusivamente do aquecimento global, a suas causas e a sua abordagem a nível ncional e internacional. Portanto creio que não há falta de informação. Parece-me que há apenas um défice de vontade, desculpável pelos inúmeros afazeres burocráticos que cada vez tornam mais evidente o simplex nas escolas.
Penso que seria bom que todos remassemos para o mesmo lado, criando sinergias, aproveitando eficientemente os parcos recursos que temos, de modo a conseguirmos a máxima eficácia (parece-me já ter dito isto algumas vezes, estou-me a repetir, desculpem, mas é da idade).
Vamos ver como vai decorrer o ano ecológico na escola. Estaremos disponíveis como sempre.

BIODIVERSIDADE OCEÂNICA EM CAUSA


ESPÉCIES PESCADAS ACTUALMENTE PODERÃO DESAPARECER ATÉ 2050.
Todas as espécies selvagens actualmente pescadas terão entrado em colapso, em 2050, revela um estudo sobre a biodiversidade nos oceanos que a revista "Science" publica hoje. O termo "colapso" significa que terão desaparecido 90 por cento dos exemplares de cada uma das espécies que o homem pesca. O estudo, dirigido pelo investigador Boris Worm, do departamento de Biologia da Universidade Dalhousie, no Canadá, e que reuniu académicos canadianos e dos Estados Unidos, assinala ainda que, com a perda da biodiversidade oceânica, estão a surgir outros problemas.

O potencial de recuperação, estabilidade e qualidade da água está a diminuir exponencialmente devido à redução das espécies costeiras, alerta o estudo, segundo o qual a debilidade dos ecossistemas os torna mais vulneráveis à acção de espécies invasoras, como algumas algas nocivas. Além disso, os oceanos perdem também a sua capacidade para resistir à poluição e ao aquecimento global.

É possível inverter esta tendência mas lamentam que, actualmente, apenas um por cento dos oceanos esteja efectivamente protegido.
In Ciência Hoje

CHANCELER QUER MAIOR PROTECÇÃO CLIMÁTICA


A chanceler alemã alertou para os riscos de uma política que descure os efeitos das alterações climáticas. Merkel quer maior protecção climática


Chanceler alemã vai interceder junto dos EUA em conjunto com Tony Blair

A chanceler alemã, Angela Merkel, vai interceder junto da administração norte-americana a favor de uma maior protecção climática, em conjunto com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

A revelação foi feita pela própria chefe do Governo alemão num artigo que publicou hoje no jornal alemão Bild.
"Em conjunto, temos de convencer os americanos a juntarem-se a nós, e já cheguei a acordo sobre isso com Tony Blair", afirmou Angela Merkel no artigo, publicado no dia em que começou em Nairobi a 12ª conferência internacional sobre o clima.

A chanceler alemã alertou para os riscos de uma política que descure os efeitos das alterações climáticas, sublinhando que "quando os prejuízos surgirem, os custos serão muito maiores do que se investirmos em conjunto na protecção do clima".

A dirigente democrata-cristã também advogou, no mesmo artigo, que a Europa "volte a assumir um papel pioneiro" na redução das emissões de dióxido de carbono e no cumprimento do Protocolo de Quioto.

Merkel referia-se, sobretudo, à reformulação, já a ser negociada, do Protocolo de Quioto, que foi accionado em 1997 e expira em 2012.

O Governo alemão já anunciou que pretende dedicar especial atenção à protecção climática e à utilização racional dos recursos energéticos durante a sua presidência da União Europeia, no primeiro semestre de 2007, e na presidência do G-8 , durante todo o ano de 2007.

EUA fora do Protocolo de Quioto

No Protocolo de Quioto, 35 países industrializados comprometeram-se a limitar as suas emissões de gases de estufa , que fazem diminuir a camada de ozono na atmosfera e contribuem para o aumento da temperatura do planeta.

No entanto, segundo um relatório das Nações Unidas, a emissão de gases de estufa aumentou desde a mudança do século, apesar das boas intenções manifestadas no Protocolo de Quioto.

Na opinião de reputados cientistas, o aumento de temperatura gerada pelos gases de estufa tem sido responsável por várias catástrofes naturais, como secas prolongadas, furacões ou enormes quedas de água e inundações em vários pontos do mundo.

Os EUA, como grande potência industrial, são o país que mais gases de estufa produz, mas não subscreveram, até hoje, o Protocolo de Quioto.

O mesmo acontece com a China, uma grande potência emergente que atinge taxas de crescimento industrial cada vez mais significativas, mas onde a protecção ambiental é muito descurada.

Com Lusa

04 novembro 2006

RELATÓRIO STERN


Relatório Stern Portugal entre os países mais afectados pelo aquecimento global



Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo aquecimento global, segundo um relatório britânico divulgado hoje, que aponta consequências como falta de água, ondas de calor e fogos florestais.

O relatório Stern, encomendado pelo Governo britânico ao ex-responsável do Banco Mundial Nicholas Stern, evidencia as grandes variações climáticas na Europa, salientando que as regiões vão ser afectadas de maneira diferente.

"O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do 'stress' hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas", refere o documento.

O Norte da Europa poderá registar um aumento na produtividade agrícola (com a adaptação à subida das temperaturas) e menos necessidade de gastar energia no Inverno.

Subida das águas ameaça Holanda

O degelo das neves alpinas e padrões de precipitação mais extremos podem aumentar a frequências das cheias nas principais bacias hidrográficas como as do Danúbio, Reno e Ródano. O turismo de Inverno será gravemente afectado.

O estudo prevê também que muitos países costeiros em toda a Europa sejam vulneráveis à subida do nível do mar.

A Holanda, onde 70 por cento da população seria ameaçada com uma subida de um metro no nível do mar, é o país que se encontra mais em risco.

O relatório refere ainda que os países desenvolvidos em latitudes mais baixas (caso de Portugal) são os mais vulneráveis.

Falta de água e ondas de calor no sul da Europa

Regiões onde a água já é escassa enfrentariam grandes dificuldades e custos crescentes. Estudos recentes sugerem que um aumento de dois graus nas temperaturas globais poderia levar a uma redução de 20 por cento na disponibilidade de água.

A escassez de água nesta região vai limitar o efeito de fertilização do carbono e levar a quebras substanciais na agricultura.

Os custos dos fenómenos extremos como tempestades, cheias, secas e ondas de calor vão aumentar rapidamente com temperaturas mais altas, neutralizando alguns dos benefícios iniciais associados às alterações climáticas.

Só os custos destes fenómenos poderiam atingir 0,5 a um por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em meados do século e continuarão a aumentar à medida que o mundo aquece.

As ondas de calor, como a que aconteceu na Europa em 2003, provocando a morte de 35 mil pessoas e prejuízos de 11,7 mil milhões de euros na agricultura, serão comuns em meados do século.

A disparidade Norte-Sul dos impactos das alterações climáticas já tinha sido registada durante esta onda de calor, quando as colheitas no Sul da Europa tiveram uma quebra de 25 por cento, enquanto no Norte da Europa se verificou o contrário (aumento de 25 por cento na Irlanda e 5 por cento na Escandinávia).

Nas latitudes mais baixas, espera-se um aumento global do consumo de energia, devido à maior procura de ar condicionado no Verão.

Nestas regiões, as mortes durante o Verão deverão ultrapassar a redução de óbitos durante o Inverno, levando a um aumento global da mortalidade.

Turismo poderá deslocar-se para Norte

Da mesma maneira, o turismo pode mudar-se para Norte, já que as regiões mais frias vão passar a ter verões mais quentes, enquanto as regiões mais quentes do Sul da Europa vão sofrer uma maior frequência de ondas de calor e reduzir a disponibilidade de água.

A distribuição destes impactos em vários sectores poderá estimular uma mudança para Norte a nível da actividade económica e população em regiões como a América do Norte ou a Europa, à medida que as regiões do Sul vão sendo afectadas por aumentos desproporcionados dos riscos para a saúde humana e fenómenos extremos associados a uma perda de competitividade na agricultura e no sector florestal, menor disponibilidade de água e aumento dos custos da energia.

Vastas regiões do mundo serão devastadas por consequências sociais e económicas das temperaturas elevadas.

"Como a História demonstra, assistiremos a um movimento populacional em grande escala, que desencadeará conflitos regionais", salienta o estudo.



Relatório Stern



03-11-2006 - PUBLICO.PT
Aumento de 0,5 por cento em relação a 2004
Concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera atingiu níveis recorde em 2005




A concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, tidos como culpados pelas alterações climáticas, registou níveis recordes em 2005, representando um aumento de 0,53 por cento em relação a 2004, revela a Organização Mundial de Meteorologia (OMM).

Num relatório divulgado hoje, em Genebra, a organização diz que em 2005 foram registadas 379,1 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono. Um ano antes, esse valor era 377,1 ppm.

"O aumento de 35,4 por cento nas concentrações de dióxido de carbono desde o final do século XVIII foi causado, em grande medida, pelas emissões libertadas pela queima de combustíveis fósseis", considera a OMM, em comunicado.

As concentrações de óxido nitroso também registaram níveis recorde, aumentando 0,19 por cento de 318,6 ppm para 319,2 ppm. Um terço das emissões é resultado de actividades humanas, como a queima de combustível e biomassa, a utilização de fertilizantes e vários processos industriais.

O metano manteve-se estável nas 1783 ppm. Sessenta por cento deste gás é libertado pela exploração dos combustíveis fósseis, cultura do arroz, queima de biomassa, lixeiras e gado.

Geir Braathen, cientista da OMM citado hoje pela BBC online, diz que "não existem sinais de que as concentrações de óxido nitroso e o dióxido de carbono estejam prestes a diminuir. Parece que vai continuar assim num futuro próximo".

Para Braathen, "cada ser humano deste planeta deveria pensar quanto dióxido de carbono emite e tentar fazer alguma coisa sobre isso".

A divulgação deste relatório antecipa a participação da OMM na segunda cimeira das partes do Protocolo de Quioto, tratado sobre a redução das emissões dos gases com efeito de estufa. Este encontro realiza-se simultaneamente com o COP12 da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, de 6 a 17 de Novembro, em Nairobi, no Quénia.

Na segunda-feira, um relatório elaborado pelo economista Nicholas Stern alertou para os graves problemas que a humanidade vai enfrentar se continuar a ignorar as alterações climáticas. Portugal está entre os países europeus mais afectados pelo sobre-aquecimento do planeta.

03 novembro 2006

IT MAY BE HOT IN WASHINGTON TOO



Nov 2nd 2006
From The Economist print edition
A big British report on global warming is really directed at the United States
APRARELY has a report with so many charts and equations in it caused such a stir. Sir Nicholas Stern's review of the economics of climate change, published on October 30th, was all over the local media and much of the foreign press too. But the figures splattered over the report's 600 pages were something of a red herring, for the report was more about politics than about economics—specifically, the politics of getting America involved in the global effort to mitigate climate change.

Gordon Brown, Britain's finance minister, commissioned this review after the Gleneagles G8 summit in 2005. The government had set Africa and climate change as the main items on the agenda for the big powers. The participants got a long way on Africa and nowhere on climate change.

One reason for that was America's reluctance. It was a moving force in the effort to curb greenhouse-gas emissions in the 1990s, when the Kyoto protocol was being negotiated, but in 2001 the Bush administration refused to ratify Kyoto and has since shown no interest in the matter. Europe, Japan, and a very half-hearted Canada are doing their bit; but American involvement is generally reckoned to be crucial, not just because it is the world's largest emitter of greenhouse gases (see chart) but also because unless America tries to curb its emissions, developing countries won't either. And American intransigence has been particularly irritating to Tony Blair, because climate change is one of the areas where the British prime minister might have got some reward for his support over Iraq.

Sir Nicholas, who says he had no views on climate change before taking the job, has come up with a report that looks perfectly designed to push America's buttons. Most previous assessments of the cost of climate change to the world economy are relatively modest—in the order of 0-3% of global output. Since the costs of stabilising carbon dioxide concentrations by switching to alternative fuels are, most economists reckon, around 1% of global output by 2050, it might be worth doing something about climate change even on the basis of those figures.

But rich countries tend to do relatively well from those forecasts. Some—especially those in northern Europe—actually benefit from a bit of warming. The brunt of the costs falls on poor countries, because they are hotter and relatively dependent on agriculture. Rich countries just about manage to put up with the sufferings of poor countries now. A bit more is unlikely to move them to curb their emissions.

Sir Nicholas, however, comes up with quite different figures. By feeding into his model both some recent science on the increased risks of dramatic climate change, and the possibility of such catastrophes as a rise in sea level big enough to flood London and New York, he calculates that the range of possible outcomes lies somewhere between 5% and 20% of global output over the next century or two. At those sorts of levels of overall economic damage, the impact on the rich world as well as the poor world is huge.

Sir Nicholas's policy prescriptions, as well as his analysis, seem designed to draw America in. Although most economists argue that a carbon tax would be the most efficient solution, Sir Nicholas is neutral between a carbon tax and the other ways of raising the cost of emitting carbon—by regulation or a cap-and-trade system. Those are the methods America has tended to use to control pollution. Vehicle emissions, for instance, are controlled by regulation in America, whereas they are mostly discouraged by fuel taxes in Europe. Sulphur dioxide pollution in America has been cut by a successful cap-and-trade system. Europe adopted a cap-and-trade system to cut its emissions under Kyoto only because America was plugging the idea before it pulled out. America's aversion to taxes means that a carbon tax is not regarded as a serious option.

While resisting pressure to curb carbon emissions, the Bush administration has enthusiastically subsidised alternative energy technologies such as biofuels and nuclear. Many economists doubt the value of picking winners in this way. But Sir Nicholas supports the idea of technology subsidies as a vital part of the policy mix. Even if governments manage to put a global price on carbon, he says, the private sector will not necessarily trust them to maintain it, so may need extra incentives to invest.

It may be a good time to give climate change an extra push in America. A campaign by Al Gore, a former vice-president, has given the issue momentum, as has California's adoption of Kyoto-style targets. California is now talking about setting up a European-style emissions-trading scheme with north-eastern states.

A lot of businesses, convinced that the federal government will somehow raise the price of using fossil fuels, are investing in developing green technologies because they believe that the market for them is bound to grow. The more the private sector invests in greenery, the less resistance there is to legislation.

The Bush administration is sticking to its position that investing in new technologies, not controlling emissions, is the way to go. But there are a number of bills hanging around Congress, at various stages of maturity, to control greenhouse-gas emissions. One of them is backed by John McCain, the Republican front-runner for the White House in 2008. If he, or Hillary Clinton, the Democratic front-runner, get the job, America may well once more take a lead in the global effort to mitigate climate change. Which is what Sir Nicholas's report is all about.

TERRA TERÁ SIDO NO PASSADO UMA BOLA DE GELO


Terra terá sido uma bola de gelo no seu passado longínquo2006-11-02
Uma visão da evolução da Terra (imagem U. Bristol)O campo magnético da Terra permanece inalterado há mais de dois mil milhões de anos, o que parece confirmar a hipótese de que o planeta foi num passado longínquo uma gigantesca "bola de neve", revela hoje a revista "Nature". De acordo com um estudo divulgado por esta revista científica, o geólogo norte-americano David Evans, da Universidade Yale, em New Haven (Connecticut), recolheu inúmeros dados globais sobre o geomagnetismo das rochas evaporíticas ( salinas) "descendo" até ao período Proterozóico (era que precede o aparecimento de formas de vida complexas sobre Terra).
Evans concluiu que as propriedades magnéticas destas rochas sugerem que no período Proterozóico o campo magnético da Terra se formava, tal como hoje, à volta de um eixo bipolar, deduzindo ainda que na era do Neoproterozóico (a última parte do Proterozóico, até há 540 milhões de anos), o planeta parecia uma "bola de neve". Os cientistas concordam que a era do Neoproterozóico correspondeu a um período glaciar nas regiões equatoriais da Terra, mas dividem-se quanto à situação no resto do planeta. Uns têm defendido que as outras regiões do planeta estavam na altura igualmente cobertas de gelo e outros advogam que o fenómeno foi localizado, considerando que a obliquidade do planeta de então seria diferente da de hoje, fomentando o desenvolvimento dos gelos mais cedo perto do Equador. A obliquidade é o ângulo entre o eixo de rotação da Terra e a perpendicular ao plano da órbita terrestre em redor do Sol, que determina qual parte do planeta está fria e qual parte está quente. É a actual obliquidade terrestre de 23,5 graus que faz com que os pólos sejam as zonas mais frias e as regiões equatoriais as mais quentes, uma situação que seria invertida caso esta inclinação excedesse os 58 graus. Segundo Evans, o magnetismo das rochas evaporíticas analisadas, oriundas de depósitos geológicos situados entre 10 e 35 graus de latitude, não reflecte nenhuma alteração na obliquidade. No entender do geólogo norte-americano, isto só pode significar que a T erra devia ser então uma gigantesca "bola de neve" uniforme, contrariamente a outros períodos frios, nos quais os gelos abrangeram, em diversos graus, apenas as latitudes elevadas.
Ciência Hoje

02 novembro 2006

Portugal, nação sem Serviços Geológicos! Andamos ao contrário

Foto Ciência Hoje
A instituição IGM carrega uma história e identidade própria que importa pesar, pois é evidente: passados mais de 3 anos após a sua extinção o nome IGM ainda se mantém informalmente nos sectores público e privado de algum modo relacionados com o conhecimento geológico do território português, demonstrando a importância e vitalidade que a instituição detinha e ainda detém mesmo extinta.

Mas, qual a importância do conhecimento geológico para a sociedade e qual a necessidade de uma instituição independente e autónoma para proceder à sua aquisição e gestão e valorização?
É um dado adquirido que a sociedade facilmente esquece que o seu desenvolvimento está largamente condicionado pelo substrato rochoso sobre o qual se estabelece. Assim se compreende que em conceito tão actual como o do Desenvolvimento Sustentável a infra-estrutura geológica raramente seja tida em conta, pese embora constituir uma dimensão fundamental para o equilíbrio do nosso planeta. Na realidade, o conhecimento da infra-estrutura da Terra e a compreensão dos fenómenos que nela ocorrem, em suma, o conhecimento geológico, constituem premissa obrigatória para o verdadeiro Desenvolvimento Sustentável.
Importância do conhecimento geológico

É o conhecimento geológico que permite compreender as condições que presidem à localização, natureza e quantidade de um enorme leque de recursos naturais essenciais à manutenção da qualidade de vida das populações e seu desenvolvimento económico, como é o caso dos solos, das águas subterrâneas e dos recursos minerais e energéticos. Permite compreender e contribuir para a prevenção de catástrofes associadas a uma grande diversidade de riscos naturais, como sejam os sismos, as erupções vulcânicas e deslizamentos de terrenos e ainda aqueles com repercussões na saúde pública, como as emissões radioactivas naturais de radão e o excesso ou deficiência de elementos traço em solos e águas, como o arsénio, o flúor e o iodo.

É também o conhecimento geológico que permite determinar os melhores e mais seguros locais para a construção de edifícios e outras infra-estruturas civis, onde se pode captar água de boa qualidade para consumo, onde se localizam os melhores locais para a deposição de resíduos consoante a sua natureza, onde se podem construir infra-estruturas subterrâneas como túneis, armazenamento de gás natural, entre muitos outros. Em suma, o conhecimento geológico é estruturante da sociedade e está na base do Ordenamento do Território.

A detenção de informação geológica é, assim, uma mais-valia de extrema importância e imprescindível às políticas públicas e programas que visam o ordenamento do território, a protecção ambiental, saúde pública e a gestão dos recursos geológicos (energéticos, minerais e hídricos). É neste contexto que a nível mundial a grande maioria dos estados considera a detenção de informação geológica relativa aos seus territórios como um factor estratégico para a sua gestão, valorização e desenvolvimento, razão pela qual detêm a missão de a adquirir, gerir e difundir através de organismos autónomos e independentes da rotatividade do poder político. Ainda recentemente, o agora reeleito Presidente do Brasil, Lula da Silva, afirmou que “o conhecimento geológico é tão importante como a construção de estradas e caminhos-de-ferro”.

O carácter estratégico que este tipo de instituição representa para o desenvolvimento das nações sobrepõe-se largamente a eventuais dificuldades económicas ou orçamentais. Veja-se o caso de estados recentemente criados após o desmantelamento da antiga URSS ou após os acontecimentos na região dos Balcãs em que, mesmo perante as dificuldades inerentes à sua criação, a implementação deste tipo de organismos foi prioritária: Geological Survey of Slovack Republic, Czech Geologial Survey, Lithuanian Geological Survey, Geological Survey of Slovenia, Ukrainian State Geological Research Institute, Geological Survey of Bosnia & Herzegovina, etc.
Andamos ao contrário

Em Portugal andamos ao contrário. Se fomos a quarta nação do mundo a implementar uma instituição com as características de Serviço Geológico em 1848, após a extinção do Instituto Geológico e Mineiro em Agosto de 2003, somos das poucas nações em que tal não se verifica!
O processo evolutivo em curso no Estado Português desde há uns anos, que visa o aumento da sua eficiência e competitividade, obriga, sem dúvida, à reformulação de muitas das instituições que o compõem, levando, inclusive, à eventual extinção de algumas.

Não nos quer parecer, no entanto, que tal critério de extinção deva ser aplicado às instituições com identidade própria e que desempenham uma missão de carácter estratégico e eminentemente público, como aconteceu com o Instituto Geológico e Mineiro por critérios meramente administrativos e errados do ponto de vista económico e que pelos vistos se teimam em manter. A instituição IGM carrega uma história e identidade própria que importa pesar, pois é evidente: passados mais de 3 anos após a sua extinção o nome IGM ainda se mantém informalmente nos sectores público e privado de algum modo relacionados com o conhecimento geológico do território português, demonstrando a importância e vitalidade que a instituição detinha e ainda detém mesmo extinta.
Extracto de Ciência Hoje

É um acontecimento invulgar, estranho e que só pode ser explicado pela excessiva visão economicista que trespassa o nosso país de Norte a Sul.