13 novembro 2006

SITUAÇÃO DAS PESCAS EM PORTUGAL REQUER ATENÇÃO


DE NOVO A BIODIVERSIDADE - situação preocupante

Situação das espécies pescadas em Portugal requer atenção
2006-11-12

A situação das espécies pescadas pelo homem em Portugal não é dramática, "mas há motivos para preocupação", afirma Jorge Gonçalves, investigador do Centro de Ciências do Mar. Segundo um estudo recente de investigadores americanos sobre a biodiversidade nos oceanos, todas as espécies selvagens actualmente pescadas terão entra do em colapso em 2050.

Neste contexto, o termo "colapso" significa que terão desaparecido 90 por cento dos exemplares de cada uma das espécies que o homem captura mas Jorge Gonçalves é mais optimista em relação ao futuro.Para o investigador do Centro de Ciências do Mar, estrutura integrada na Universidade do Algarve, as conclusões do estudo podem não reflectir exactamente "o que se passa em Portugal ou até mesmo no mundo", embora sejam um alerta.

"Em Portugal não temos espécies na designada situação de colapso mas existem algumas que estão ameaçadas", revelou o investigador à agência Lusa. De acordo com Jorge Gonçalves, "o lagostim e a pescada são dois casos ilustrativos e a situação actual das suas populações resulta, em parte, de práticas de captura excessivas ou inadequadas".
Na opinião do especialista, "a natureza tem formas de repor o equilíbrio quando ocorre a redução de uma espécie, mas o ecossistema dessa espécie fica inevitavelmente mais pobre".

"A gestão do esforço de pesca e a selectividade das artes de pesca, nomeadamente no que se refere à malha das redes" são - para o investigador do Centro de Ciências do Mar - dois factores a ter em conta se se quiser preservar as espécies marinhas que o homem captura.

Alerta na Science

O alerta de que as espécies selvagens pescadas pelo homem podem estar em colapso, dentro de menos de meio século, foi feito pela revista "Science" na semana passada, com a publicação dos resultados de um estudo dirigido por Boris W orm, do Departamento de Biologia da Universidade Dalhousie, no Canadá.

A investigação, que reuniu académicos canadianos e dos EUA, assinala ainda que, com a perda da biodiversidade oceânica, estão a surgir outros problemas, caso da redução do potencial de recuperação, estabilidade e qualidade da água. Além disso, os oceanos perdem também a sua capacidade para resistir à poluição e ao aquecimento global.

Para chegarem a estas conclusões, os investigadores analisaram os resultados de 32 experiências, fundamentaram-se em observações realizadas em 48 áreas marinhas protegidas e tiveram em conta as capturas globais de peixes e invertebrados marinhos entre 1950 e 2003. Os autores do estudo afirmaram que ainda é possível resolver o problema mas lamentaram que, actualmente, apenas um por cento dos oceanos esteja efectivamente protegido.


in Ciência Hoje