CONFERÊNCIA INTERNACIONAL EM NAIROBI

Nairobi
Conferência internacional incita Humanidade a adaptar-se às alterações do clima
Conferência internacional incita Humanidade a adaptar-se às alterações do clima
Os delegados da 12ª conferência internacional sobre alterações climáticas salientaram hoje em Nairobi, no Quénia, a necessidade imperiosa de mecanismos de adaptação às alterações climáticas, fenómeno que ameaça destruir parte do património cultural e natural da Humanidade.
“As alterações climáticas estão a acentuar-se (...) e as suas consequências serão perigosas a uma larga escala se a temperatura global aumentar mais de dois graus centígrados, em relação ao nível pré-industrial”, previu Lars Müller, especialista em alterações climáticas na Comissão Europeia.
“Já estamos a viver um aumento de 0,7 graus desde 1990”, acrescentou.
Uma das maiores questões em cima da mesa nesta conferência é o reforço das capacidades de adaptação dos países, nomeadamente os mais desprotegidos perante as alterações do clima. Os países em vias de desenvolvimento já estão a pedir apoios.
Pela primeira vez, esta conferência realiza-se na África subsaariana, região muito vulnerável ao sobre-aquecimento, afectada por secas, inundações e pluviosidade cada vez mais irregular.
Os africanos mais pobres são os mais vulneráveis ao sobre-aquecimento
As populações que vivem nos países africanos mais pobres são aquelas que se arriscam a sofrer mais com os efeitos das alterações climáticas, segundo o relatório “Cartografar a vulnerabilidade ao clima e a pobreza em África”, divulgado hoje à margem da conferência da ONU em Nairobi.
Segundo o estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre Gado (ILRI), os locais mais vulneráveis nos próximos 50 anos correspondem às regiões onde vivem as populações mais pobres do continente africano.
O relatório aponta o Burundi e Ruanda, bem como algumas regiões da Etiópia, Eritreia, Níger e Chade como as mais vulneráveis.
“A situação é alarmante, mas não apenas por causa das alterações climáticas. É alarmante para toda a África devido às pressões em termos de densidade populacional, acesso aos mercados, degradação dos recursos naturais”, comentou Mario Herrero, co-autor do relatório.
Halldor Thorgeirsson, do secretariado da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, considera que as medidas de adaptação devem, sobretudo, “reduzir a vulnerabilidade económica” ao sobre-aquecimento.
Uma parte dos delegados achou importante salientar que a adaptação não significa renunciar à luta contra as alterações climáticas. Pelo contrário, são precisas medidas suplementares e os países industrializados devem dar o exemplo. A Comissão Europeia lembrou que a Europa está a aquecer mais rapidamente do que a média mundial.
União Europeia disposta a alargar o seu comércio de emissões a outros países
Hoje, o ministro das Finanças finlandês, Eero Heinäluoma – cujo país preside a União Europeia – disse que a Comissão Europeia está disposta a abrir o seu sistema de comércio de emissões aos países da Associação Europeia de Comércio Livre (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein).
Em conferência de imprensa em Bruxelas, no final de uma reunião dos ministros europeus das Finanças, Heinäluoma insistiu na “importância vital de lutar, colectivamente, contra o problema das alterações climáticas”. Para isso lembrou a publicação na semana passada do relatório britânico Stern, que chamava a atenção para o custo económico do sobre-aquecimento.
A decisão formal de integrar estes novos países no sistema de comércio de emissões será tomada durante uma outra reunião, precisou o ministro finlandês.
A 12ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas começou ontem e prolonga-se até dia 17.
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