04 novembro 2006

RELATÓRIO STERN


Relatório Stern Portugal entre os países mais afectados pelo aquecimento global



Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo aquecimento global, segundo um relatório britânico divulgado hoje, que aponta consequências como falta de água, ondas de calor e fogos florestais.

O relatório Stern, encomendado pelo Governo britânico ao ex-responsável do Banco Mundial Nicholas Stern, evidencia as grandes variações climáticas na Europa, salientando que as regiões vão ser afectadas de maneira diferente.

"O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do 'stress' hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas", refere o documento.

O Norte da Europa poderá registar um aumento na produtividade agrícola (com a adaptação à subida das temperaturas) e menos necessidade de gastar energia no Inverno.

Subida das águas ameaça Holanda

O degelo das neves alpinas e padrões de precipitação mais extremos podem aumentar a frequências das cheias nas principais bacias hidrográficas como as do Danúbio, Reno e Ródano. O turismo de Inverno será gravemente afectado.

O estudo prevê também que muitos países costeiros em toda a Europa sejam vulneráveis à subida do nível do mar.

A Holanda, onde 70 por cento da população seria ameaçada com uma subida de um metro no nível do mar, é o país que se encontra mais em risco.

O relatório refere ainda que os países desenvolvidos em latitudes mais baixas (caso de Portugal) são os mais vulneráveis.

Falta de água e ondas de calor no sul da Europa

Regiões onde a água já é escassa enfrentariam grandes dificuldades e custos crescentes. Estudos recentes sugerem que um aumento de dois graus nas temperaturas globais poderia levar a uma redução de 20 por cento na disponibilidade de água.

A escassez de água nesta região vai limitar o efeito de fertilização do carbono e levar a quebras substanciais na agricultura.

Os custos dos fenómenos extremos como tempestades, cheias, secas e ondas de calor vão aumentar rapidamente com temperaturas mais altas, neutralizando alguns dos benefícios iniciais associados às alterações climáticas.

Só os custos destes fenómenos poderiam atingir 0,5 a um por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em meados do século e continuarão a aumentar à medida que o mundo aquece.

As ondas de calor, como a que aconteceu na Europa em 2003, provocando a morte de 35 mil pessoas e prejuízos de 11,7 mil milhões de euros na agricultura, serão comuns em meados do século.

A disparidade Norte-Sul dos impactos das alterações climáticas já tinha sido registada durante esta onda de calor, quando as colheitas no Sul da Europa tiveram uma quebra de 25 por cento, enquanto no Norte da Europa se verificou o contrário (aumento de 25 por cento na Irlanda e 5 por cento na Escandinávia).

Nas latitudes mais baixas, espera-se um aumento global do consumo de energia, devido à maior procura de ar condicionado no Verão.

Nestas regiões, as mortes durante o Verão deverão ultrapassar a redução de óbitos durante o Inverno, levando a um aumento global da mortalidade.

Turismo poderá deslocar-se para Norte

Da mesma maneira, o turismo pode mudar-se para Norte, já que as regiões mais frias vão passar a ter verões mais quentes, enquanto as regiões mais quentes do Sul da Europa vão sofrer uma maior frequência de ondas de calor e reduzir a disponibilidade de água.

A distribuição destes impactos em vários sectores poderá estimular uma mudança para Norte a nível da actividade económica e população em regiões como a América do Norte ou a Europa, à medida que as regiões do Sul vão sendo afectadas por aumentos desproporcionados dos riscos para a saúde humana e fenómenos extremos associados a uma perda de competitividade na agricultura e no sector florestal, menor disponibilidade de água e aumento dos custos da energia.

Vastas regiões do mundo serão devastadas por consequências sociais e económicas das temperaturas elevadas.

"Como a História demonstra, assistiremos a um movimento populacional em grande escala, que desencadeará conflitos regionais", salienta o estudo.



Relatório Stern



03-11-2006 - PUBLICO.PT
Aumento de 0,5 por cento em relação a 2004
Concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera atingiu níveis recorde em 2005




A concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, tidos como culpados pelas alterações climáticas, registou níveis recordes em 2005, representando um aumento de 0,53 por cento em relação a 2004, revela a Organização Mundial de Meteorologia (OMM).

Num relatório divulgado hoje, em Genebra, a organização diz que em 2005 foram registadas 379,1 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono. Um ano antes, esse valor era 377,1 ppm.

"O aumento de 35,4 por cento nas concentrações de dióxido de carbono desde o final do século XVIII foi causado, em grande medida, pelas emissões libertadas pela queima de combustíveis fósseis", considera a OMM, em comunicado.

As concentrações de óxido nitroso também registaram níveis recorde, aumentando 0,19 por cento de 318,6 ppm para 319,2 ppm. Um terço das emissões é resultado de actividades humanas, como a queima de combustível e biomassa, a utilização de fertilizantes e vários processos industriais.

O metano manteve-se estável nas 1783 ppm. Sessenta por cento deste gás é libertado pela exploração dos combustíveis fósseis, cultura do arroz, queima de biomassa, lixeiras e gado.

Geir Braathen, cientista da OMM citado hoje pela BBC online, diz que "não existem sinais de que as concentrações de óxido nitroso e o dióxido de carbono estejam prestes a diminuir. Parece que vai continuar assim num futuro próximo".

Para Braathen, "cada ser humano deste planeta deveria pensar quanto dióxido de carbono emite e tentar fazer alguma coisa sobre isso".

A divulgação deste relatório antecipa a participação da OMM na segunda cimeira das partes do Protocolo de Quioto, tratado sobre a redução das emissões dos gases com efeito de estufa. Este encontro realiza-se simultaneamente com o COP12 da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, de 6 a 17 de Novembro, em Nairobi, no Quénia.

Na segunda-feira, um relatório elaborado pelo economista Nicholas Stern alertou para os graves problemas que a humanidade vai enfrentar se continuar a ignorar as alterações climáticas. Portugal está entre os países europeus mais afectados pelo sobre-aquecimento do planeta.