27 setembro 2005

A FACILIDADE NÃO AGUÇA O ENGENHO


A Facilidade é Aborrecida em Tudo
O estimarem-se as coisas que não têm valor, é o mesmo que fazê-las estimáveis: o que se busca com ânsia, não é o que se dá, mas o que se nega; o que se permite aborrece, o que se recusa, atrai: o amor não tem seta mais aguda, que aquela que se armou de proibição; no tomar, parece que há mais gentileza, que no aceitar; a dificuldade incita: muitas coisas não têm outro merecimento, que o serem dificultosas; a resistência é o que move a vontade; tudo o que se concede, é sem sabor; a impugnação faz a coisa considerável, porque lhe dá um ar de empresa, e de vitória: os mais altos montes são os que se admiram, só porque custam a subir; a facilidade é aborrecida em tudo; o lustre do argumento vem da contradição.

Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'

24 setembro 2005

PACIÊNCIA DE CHINÊS E TOLERÂNCIA DE PORTUGUÊS

LEQUE DE MADEIRA - 0,70 €
COMO É POSSÍVEL?
Há incongruências na vida que não podemos explicar, mesmo recorrendo aos gurus da economia.
Comparemos: este leque veio da China, fez uma viagem bem longa, presumo que é trabalhado manualmente, mas mesmo que seja com um molde...custou-me 70 cêntimos.
Hoje estacionei o carro na catedral do consumo(CCC) e quando fui pagar, a máquina não aceitou a minha única nota. Subi as escadas, tive que comprar um chocolatinho (mais um) , porque ninguém me quís trocar a dita, e enqunto fui e vim, o valor passou de 4,50€ para 6,50€.
Duas lições se podem tirar: desprezo total pela mão de obra e assalto descarado à carteira dos utentes do estacionamento.

23 setembro 2005

UM PLANETA COM ARTE E CULTURA

TAREFA DIFÍCIL

Um planeta com arte e cultura. Estarei a divagar certamente sobre algo impossível.

Passemos do geral para o particular, A VIDA. A vida pode ser comparada a um círculo, chamado RODA DA VIDA, dividido em seis sectores:
1 - Família e casa
2 - Finanças e carreira
3 - Mente e educação
4 - Físico e saúde
5 - Social e Cultura
6 - Espiritual e Ética
A PESSOA TOTAL é aquela que consegue desenvolver as suas múltiplas actividades e funções sob um equilíbrio de valor em todas aquelas áreas.
Assim, sempre que uma ou mais daquelas áreas tiver um valor diferente das restantes, a RODA (círculo) deixa de o ser, para passar a polígono, perdendo a suavidade do movimento ou funcionamento! (princípio da RODA QUADRADA!...). Deve ser aqui que nos encontramos actualmente, por isso há tanta turbulência...
A meta é avaliarmo-nos, numa escala de 1 a 100, onde nos encontramos, num determinado momento - REALIDADE ACTUAL INDIVIDUAL - em cada uma daquelas seis áreas, e assim encontramos oportunidades de melhoria desenvolvendo METAS, OBJECTIVOS E PLANOS DE ACÇÃO para corrigirmos as áreas mais fracas e mantermos as mais fortes!

Se todos conseguirmos que a RODA execute o seu movimento de forma suave, talvez algum dia possamos dizer que o movimento da terra sobre o seu eixo e à volta do sol se faz sem sobressaltos devido à suavidade com que nós guiamos as nossas vidas. Conseguiremos igualmente um planeta com arte e cultura!

Tudo isto se aprende, se cultiva e se aplica! É só querer e procurar os meios, talvez estejam ao nosso alcance.

20 setembro 2005

BANDEIRA VERDE

Até a bandeira eu vejo desfocada
Afinal o que queremos? E que direitos temos?
A bandeira, pano, geralmente rectangular, de uma ou mais cores, com ou sem emblema, que serve de distintivo a uma nação, agremiação, sociedade, corporação, etc. (in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora). Não lhe falta nenhum atributo, mas fica no que falta à definição, no etc.. De facto não tem muita definicão e significado só para alguns. Ainda por cima dá trabalho a colocar e tirar do mastro. Enfim, umas vezes penso que é um empecilho, outras um orgulho para a escola. Depende do entusiasmo. Parece que este ano até é capaz de dar jeito!!!! A alguns!!! Uma coisa é certa, o certificado ambiental está a ser emoldurado há um ano, acho que sairá uma obra de arte.
Outra bandeira virá substituir esta (se alguém a for buscar, o meu voluntariado já não dá para mais gastos) e espero que , como nova que é, eu a veja menos desfocada.
A escola vai realizar a sua inscrição no Programa pela quarta vez, o tema não é fácil, a autarquia já informou que não terá muita disponibilidade para as reuniões e novos projectos, restam-me como sempre alguns carolas entre alunos, professores e funcionários.
Cidadania devia ser uma prática e não uma palavra cada vez mais ouca de significado. Basta abrir os ecopontos e verificar que de pouco ou nada tem servido a existência do programa. E note-se que é uma escola antiga, mas bem apetrechada no que respeita a contentores. È pena que muitos já estejam partidos e que ainda haja pessoas que deitam os resíduos de forma aleatória nos recipientes. Será falta de cuidado, distracção, ignorância?
Já está tudo indicado novamente, agora é só lerem. Será que se dão ao trabalho?
Feliz e sábio aquele que já percebeu que este planeta ainda não foi ocupado porque o Homem está cá. Percebeu e tem o dever de o servir e não servir-se. Só assim conquistará o direito a ser feliz.
Ser Feliz é um Dever
É difícil ser feliz; requer espírito, energia, atenção, renúncia e uma espécie de cortesia que é bem próxima do amor. Às vezes é uma graça ser feliz. Mas pode ser, sem a graça, um dever. Um homem digno desse nome agarra-se à felicidade, como se amarra ao mastro em mau tempo, para se conservar a si mesmo e aos que ama. Ser feliz é um dever. É uma generosidade.
Louis Pauwels, in 'Carta Aberta às Pessoas Felizes'

17 setembro 2005

INTERROGAÇÃO

O HOMEM NUM LABIRINTO
UM MUNDO DESAPARECIDO?

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Representação da Península de Setúbal

Sustentabilidade na Nossa Terra

Este trabalho, pouco visível na imagem e na escola, resultou da eficiência desenvolvida pelos alunos da turma 6ºB. Com a habitual discrição e paciência que os caracterizam, a Virgínia e o J. Assunção, acederam a representar em maquete parte do distrito de Setúbal, neste caso o concelho de Montijo (cidade). Esta maquete juntou-se a outras, feitas noutras escolas, e completo o Distrito foi exposto no final do ano no Pavilhão da Ciência. Este trabalho, cujo objectivo era alertar as pessoas para a necessidade de serem tomadas medidas para que o desenvolvimento fosse possível de maneira sustentável, foi proposto pela C.M.M. e pela AFLOPS e CINZAMBU. Não quero ser crítica negativista, também me cabe a falta de divulgação (com alguma justificação), no entanto sinto que foi mais um trabalho para mostrar do que para mudar. À escola nem um agradecimento chegou, acto mínimo para quem se disponibilizou a alterar planificações, motivar alunos, ensinar a fazer miniaturas com as dimensões exigidas, em materiais novos.
Resta-me a habitual consolação: há 26 alunos que ouviram falar em desenvolvimento sustentável, foram ao Pavilhão da Ciência e participaram nas actividades desenvolvidas e há mais dois professores que continuaram a interessar-se pelo ambiente e por trabalhar com os seus alunos nesse tema.
Um pouquinho em cada turma e tudo seria tão fácil e tão mais eficaz.
Este ano, com as novas tecnologias já apresentadas em reunião de departamento, creio que todos ficaram mais cientes da importância do Projecto. O Projecto e os temas em curso foram apresentados em "power paper A3 e A4".
Reitero o meu agradecimento aos professores acima citados.
Proponho aos restantes que sigam o seu exemplo.

15 setembro 2005

PROJECTO ECO-ESCOLA

NOVAS AQUISIÇÕES


Clubes Incluídos no Projecto

CLUBE "PENSAR O AMBIENTE" OU "CLUBE SÉCULO XXI"?

"Pensar o ambiente" é um acto de cidadania. Devia estar nas nossas mentes, ser natural, e não um acto intencional e prospectivo. Intencional porque se pretende mudar actos e mentalidades, prospectivo porque tem como meta tornar sustentável a vida no planeta no futuro (não longínquo).

A família e a escola são as organizações que de mãos dadas têm o dever de pensar o ambiente e agir. Outras organizações são também responsáveis, no entanto cabe essencialmente à escola dar o primeiro passo para a educação e a formação dos jovens, precavendo assim o seu futuro. A escola, como a entendemos agora, se é que entendemos, tem papéis acrescidos, de preferência de acompanhamento desses mesmos jovens. Estaremos então no cenário ideal. Não, não nos enganemos, o sucesso educativo parece não ter nada que ver com sucesso ambiental. Trabalhar, estudar, contribuir para a literacia num espectro alargado, essa é a obrigação, o dever do professor, do aluno e da família. Mas, será isso possível? Os projectos não passam disso mesmo se não houver apropriação por parte dos interessados, se não forem criadas as condições propícias ao seu desenvolvimento. Arriscam-se a ser mais projectos de papel e não de alterações de mentalidades, hábitos e atitudes.A escola tem que estar em acção e tem que haver acção na escola. Para tal são necessárias condições, as quais passam pelas instalações, condições de trabalho, equipamentos, ambiente de escola favorável...

A amplitude deste projecto pressupõe a intervenção de toda a comunidade escolar. À comunidade educativa cabe a responsabilidade de acompanhar, participar e facilitar todo o trabalho a efectuar pela escola e pelos intervenientes no projecto.

  • Deixo à reflexão: quem apoia as famílias iliteratas, quem apoia os alunos com dificuldades, quem apoia os professores nos seus constrangimentos, quem facilita a aprendizagem, permitindo a competição com a comunidade exterior à escola, quem, como, onde e quando?

Perante tanta confusão que gira na roda da vida, no sector escola, sector da roda da vida, recomendo a seguinte citação:

O Homem Ponderado Governa
Cultive a ponderação. É poder controlado. Armazena energia para ser usada em circunstâncias especiais. Ponderação é a arte de erguer as sobrancelhas em vez de deitar o telhado abaixo. Conserva-o calmo e acautelado em diferentes circunstâncias. Não significa fraqueza, nem estupidez, ou indiferença ou desinteresse. Na sua forma mais alta sugere autoconfiança, independência e domínio perfeito. O homem ponderado governa. O trabalho feito com ponderação é mais profícuo porque é bem feito, meticuloso e inteligente. Exerce uma grande influência sobre as outras pessoas. Sugere a existência de largas reservas de energia. Ponderação é poder bem controlado e dirigido. Evita desperdiçar energias vitais, e dá o equilíbrio necessário a todas as nossas forças.
Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

14 setembro 2005

FIM DA ÉPOCA BALNEAR

ACABOU MESMO


A praia foi abandonada e a época balnear acabou! Vamos embora!

Nesta altura do ano tudo fica vazio, a praia, as esplanadas, os corações dos jovens, as noites. Vazio de tudo e de todo. Acabou o barulho, a alegria, as conversas de esplanada. Fica a natureza, com os seus fins de tarde mais calmos, mais apelativos à reflexão, o pôr do sol outonal, mais "quente"e belo.

Como tudo na vida, acaba num lado, começa no outro. As cidades enchem-se, as escolas também, a alegria (quando há) inunda outros espaços. Apenas a natureza se mantém, inalterável, o pôr do sol continua "belo", "quente", "nostálgico".

A natureza não precisa de abertura e encerramento de épocas, mantém-se sempre, mas precisa de cuidados, carinho, respeito. São estes "valores" (será que são?) que vamos tentar pôr no ar para ver quem tem coragem de os apanhar. Já não digo transmitir porque, cada vez mais, penso que os valores não se transmitem, não se ensinam (há quem tenha razão), nascem connosco, são cultivados na família e na escola e se a semente é boa aproveita tudo quanto lhe é disponibilizado. Esperemos que as nossas sementes sejam de boa estirpe e que os agricultores saibam dispensar-lhe os cuidados necessários a um bom e são desenvolvimento.

11 setembro 2005

INQUÉRITO

Ferias e Pôr do Sol

Prometido é cumprido, com atraso justificado!

CINCO COISAS DE QUE NÃO GOSTO
Há muita coisa que não gosto, mas vou tentar escolher as que menos gosto. Não gosto da falta de lealdade (em qualquer área da vida), não gosto da injustiça, não gosto de caça, não gosto de passar o domingo em casa (detesto), não gosto que me mintam.

CINCO COISAS QUE GOSTO BASTANTE
Adoro ter amigos cá em casa, jantar fora, gin tónico, ler sem pressas, fotografia. Posso acrescentar uma? FÉRIASSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!

5 ÁLBUNS
The wonderful World of RAY CHARLES, THE BEATLES, LINDA RONDSTAD, ELLA FITGERALD, RODRIGO LEÃO (Cinema).

UMA MÃO CHEIA DE MÚSICAS
Da minha juventude guardo recordações de Adamo, dos Rolling Stones, da Francoise Hardy (quem não gostou?) do Cliff Richard, Adriano Correia de Oliveira, Ray Charles, Tom Jones.
Nomes de músicas? A maior parte não me lembro, apenas recordo a melodia, mas evito...fico nostálgica.

E AGORA? PASSO O TESTEMUNHO A QUEM?

08 setembro 2005

Placas em Cimento - Um Património Preservado

As Obras Públicas


Públicas. Sim, todos os que ali passam as vêem

Bem, nem sei bem como começar. Não quero ser cáustica, nem crítica sem alternativa a dar, mas verdade, verdadinha, depois de 31 anos de leccionação nunca esperei pisar de novo as velhas placas de cimento dos pavilhões pré-fabricados onde comecei a minha profissão. Afinal sempre havia algum motivo para não as tirarem (espertos). Constituem um património que data talvez de 1969 e que juntamente com o eucaliptal se transformaram num "ecossistema" a preservar(e eu que não sabia). Quantos momentos bons ali passei e maus também, à chuva, com frio, com calor, conforme a estação do ano, mas havia calor humano que nos confortava quando tínhamos que levar os filhos pequenos para casa das avós porque tínhamos reuniões atrás de reuniões (o PREC assim o ditava). Mas com tudo isto, tinha tempo para os filhos, para a casa, para sair. E agora? Acabou há muito tempo essa "folga". Será da idade? Não há tempo para nada. Há aqui uma contradição, devia haver, os tempos modernos assim o deviam permitir, mas não há. Não entendo o que se passa.

Estou a desviar o assunto, queria falar do Património Escolar. Parabéns a quem ainda não fez as contas de tudo quanto isto tem custado, escusa de ter um peso na consciência, pois creio que já dava para ter feito uma nova escola. Já o meu pai dizia, o Montijo há-de ser sempre o Montijo, não há nada a fazer. Guardemos este património.

Gostava que os entendidos na matéria permanecessem na escola, nos blocos ou nos PLF (nova sigla para pré-fabricados) só 8 dias no Inverno, quando chove e 8 dias em Maio, Junho ou Setembro. Se desejar fazer sauna pode escolher os meses de Verão, se desejar experimentar a sensação de frio nórdico pode vir entre Novembro e Março. Também era bom que visitassem a escola num dia de reunião de D.T. ou C.P. ou A.E ou Departamento. Ficariam certamente surpreendidos com a capacidade que os professores têm para rapidamente organizarem algumas filas e tentarem ouvir alguém que, supostamente, dirige a reunião e que está no meio. Sugiro para a próxima que leve uma cadeira rotativa para não ter que pedir desculpa por estar de costas.

Sinceramente, eu não quero preservar este património, é demais, é aviltante, não me sinto na minha escola, sinto-me numa feira (desculpem o desabafo).

P.S Eu sempre defendi que os professores deviam estar na escola as 35 horas, como qualquer outro trabalhador, mas tem que ter um mínimo de condições para trabalhar. Onde estão os gabinetes? Os computadores e e e e as impressoras? E um projector de diapositivos (data show?)E um local de leitura? E um local para escrever? Não me venham mais com a história de que se o professor quiser consegue dar a volta, é que eu já estou tonta de dar tanta volta. Agora não dou.

06 setembro 2005

VAMOS RECOMEÇAR!!!!

Do Desânimo ao trabalho


Tento ilustrar com a figura, cujos bonecos são da página www.dpw.wau.nl/pv/temp/ clipart/screenbeans.htm, as várias fases por que tenho passado.
Fim do ano - cansaço e desalento
Logo a seguir - fúria e desencanto
Fim do projecto - arrumação do material todo e respectiva selecção (para o lixo e para recordação)
O correio trouxe-me em Agosto um pouco de alento, a Escola ganhou o galardão eco-escola, bandeira verde 2005.

De volta à escola:
-Então o projecto vai continuar?
Uma professora recém colocada:
-Ainda bem que aqui já exite o projecto, é a primeira escola onde chego e já há horta biológica. Ofereço-me para trabalhar com os meus alunos.
Estarei a ouvir bem?

Mais uns voluntários e consegui chegar acima do abismo. Ora vamos lá continuar a limpar e a cuidar do planeta.
Mais um ano! Pela primeira vez com voluntários! Isto promete!

Bom, aceitam-se ajudas de qualquer ser interessado pela edcação ambiental.
Já temos professores para o Conselho Eco-Escola, com os alunos podemos sempre contar, falta o apoio da autarquia (virá certamente) e faltam ideias.
Vamos tratar dos temas habituais:
- ÁGUA
- RESÍDUOS
- ENERGIA
- ESPAÇOS EXTERIORES
- HORTA ESCOLAR
- TRANSPORTES E MOBILIDADE SUSTENTÁVEL (tema do ano)
Como continuo adormecida pelo efeito "férias", não tenho ideias para o tema do ano. Não é bem assim, ideias tenho e muitas, mas inexequíveis no contexto, o que quer dizer que de facto não tenho ideias. Espero que os eventuais leitores sugiram actividades curriculares e não curriculares. Ficar-vos-ía muito grata e a escola também.
Talvez os meus ex-alunos (6ºD), alunos que marcaram muito positivamente a escola e o desenvolvimento do projecto, possam ajudar. Sei que pelo menos uma, a Soraia, lê de vez enquando este blog.

Tentamos com o desenvolvimento deste projecto formar homens, mulheres, verdadeiros cidadãos de um mundo que parece evoluir tecnicamente para a frente retrocedendo nos aspectos que respeitam à cidadania. Conciliar a formação humanista com inovação e cidadania afigura-se uma tarefa difícil, não impossível, se houver VONTADE.

Citação de Aldous Huxley, in "Sobre democracia e Outros Estudos":

O problema de reconciliar as reivindicações do homem e do cidadão tornar-se-á cada vez mais agudo. A solução desse problema será uma das principais tarefas da educação futura. Se irá ter êxito, e até mesmo se o êxito é possível, somente o evento poderá decidir.

05 setembro 2005

PATRIMÓNIO ALIMENTAR

NOVA RODA DOS ALIMENTOS E PIRÂMIDE ALIMENTAR

NÓS E O CONSUMO
O nosso padrão alimentar está a modificar-se a uma velocidade vertiginosa, alucinante e perigosa. O património gastronómico adulterou-se e por muito que se escreva, ensine, transmita, facilite a aprendizagem (não sei bem que termo hei-de usar), continuo baralhada, o conhecimento que eventualmente se consiga, só teoricamente fica nalguma parte ínfima e escondida do cérebro, num ficheiro a eliminar. Basta o caminho para a escola, os anúncios, os cafés com embalagens atractivas e agora até a escola cheia de máquinas para...obviar à falta de funcionários, obter mais alguns tostões e satisfazer algumas necessidades emocionais (segundo dizem), uma emergência de reunião ou quebra de açúcar repentina (aquilo a que dantes se chamava goludice), para deitar por terra tudo o que tentámos explicar, ensinar, transmitir, sei lá...elimina-se o ficheiro e prontossss! Lá vai um chocolate!
Fico preocupada com as horas que vou passar na escola, não pelo trabalho que lá penso fazer. se tiver espaço (é menos esse que faço em casa e vou poupar muito), mas pelo que a minha saúde vai sofrer em termos alimentares. Será que teremos lugar para a lancheira? E os bens perecíveis onde ficam?
Estou mesmo a ver os meus alunos ...com que então um chocolatinho? Então e a roda dos alimentos? ~E a pirâmide alimentar? É só para as aulas? Assim não vale professora.
-Foi uma urgência, logo ao jantar sigo as regras todas!!!!
Como é possível preservar este património nesta sociedade de consumo imposto?
As Necessidades do Consumidor
As necessidades do consumidor podem ter origem estranha, frívola e até imoral, e no entanto pode defender-se optimamente uma sociedade que procura satisfazê-las. Mas a defesa perde o sentido se é o processo de satisfazer necessidades que as cria.
John Kenneth Galbraith, in 'A Sociedade Afluente'

04 setembro 2005

Património de Infância

Casa em Sesimbra
Acabaram as férias e esperamos a entrada de um novo ano lectivo e de uma nova estação. Época nostálgica por excelência, não só porque se acaba o "dolce fare niente", mas também porque a continuação de uma estação seca antecipa a queda das folhas, o desaparacimento dos escassos espaços verdes. É uma época propícia à meditação. A lembrança da infância faz parte do património pessoal e a fotografia desta casa traz-me à lembrança os meus anos de criança. Por uma ninharia alugavamos esta casa durante os meses de Julho, Agosto e Setembro e vivíamos saudavelmente os meses de férias. Claro que nessa altura havia uma mãe que se ocupava de nós, os filhos, os primos, os amigos, sim porque a "nossa" casa estava sempre cheia de miudagem. Foi um espécie de património desaparecido do qual ainda consegui obter a fotografia da casa que nos albergava (antes que um majestoso prédio seja construído a bem do turismo). Havia sempre quem se sacrificasse para que nós (os sortudos) pudessemos ali ficar. O meu pai lá tinha que fazer um longo trajecto para fora de Sesimbra para desempenhar as suas funções.
Apesar dos três meses de reais férias conseguimos obter o nosso "canudo", não ficamos traumatizados, os nossos pais ficaram sempre com a consciência do dever cumprido e criámos oportunidades para que outros aproveitassem a "nossa" casa.
Todo este património desapareceu, os pais, os amigos de infância, os primos e os que restam não têm TEMPO para conviver. Será que o conhecimento nos obriga a perder este património precioso? Só o conhecimento? A tecnologia devia DAR-NOS mais tempo, mas não vejo isso, ou será que até os meus olhos me enganam? Sinceramente ando um pouco baralhada com os novos tempos!!!!
Todos correm, todos gritam, todos contestam, tomam as refeições com um pé na rua e outro em casa, dormem em frente à televisão, encarnam os papéis desempenhados nas telenovelas, assistem petrificados ou insensíveis às notícias (todos os dias catrastóficas), não falam, não lêem (só o jornal), não convivem, entram já a a correr para tomar uma bica. Emfim, creio que estamos perante um novo património. Espero que não seja para preservar.
A CRONOLOGIA DO TEMPO SERÁ A RESPONSÁVEL POR TUDO ISTO?
Terei que aprender a pensar e a viver como sugere Faíza Hayat na citação que transcrevo.

A urgência é-nos comum, o tempo atrás ou o tempo em frente é irrelevante, absurdamente irrelevante. Ambos são uma ficção: tanto o que recordamos como o que esperamos. Apenas existe na nossa imaginação.
Autor:
Hayat , Faíza Tema: Tempo