Placas em Cimento - Um Património Preservado

Públicas. Sim, todos os que ali passam as vêem
Bem, nem sei bem como começar. Não quero ser cáustica, nem crítica sem alternativa a dar, mas verdade, verdadinha, depois de 31 anos de leccionação nunca esperei pisar de novo as velhas placas de cimento dos pavilhões pré-fabricados onde comecei a minha profissão. Afinal sempre havia algum motivo para não as tirarem (espertos). Constituem um património que data talvez de 1969 e que juntamente com o eucaliptal se transformaram num "ecossistema" a preservar(e eu que não sabia). Quantos momentos bons ali passei e maus também, à chuva, com frio, com calor, conforme a estação do ano, mas havia calor humano que nos confortava quando tínhamos que levar os filhos pequenos para casa das avós porque tínhamos reuniões atrás de reuniões (o PREC assim o ditava). Mas com tudo isto, tinha tempo para os filhos, para a casa, para sair. E agora? Acabou há muito tempo essa "folga". Será da idade? Não há tempo para nada. Há aqui uma contradição, devia haver, os tempos modernos assim o deviam permitir, mas não há. Não entendo o que se passa.
Estou a desviar o assunto, queria falar do Património Escolar. Parabéns a quem ainda não fez as contas de tudo quanto isto tem custado, escusa de ter um peso na consciência, pois creio que já dava para ter feito uma nova escola. Já o meu pai dizia, o Montijo há-de ser sempre o Montijo, não há nada a fazer. Guardemos este património.
Gostava que os entendidos na matéria permanecessem na escola, nos blocos ou nos PLF (nova sigla para pré-fabricados) só 8 dias no Inverno, quando chove e 8 dias em Maio, Junho ou Setembro. Se desejar fazer sauna pode escolher os meses de Verão, se desejar experimentar a sensação de frio nórdico pode vir entre Novembro e Março. Também era bom que visitassem a escola num dia de reunião de D.T. ou C.P. ou A.E ou Departamento. Ficariam certamente surpreendidos com a capacidade que os professores têm para rapidamente organizarem algumas filas e tentarem ouvir alguém que, supostamente, dirige a reunião e que está no meio. Sugiro para a próxima que leve uma cadeira rotativa para não ter que pedir desculpa por estar de costas.
Sinceramente, eu não quero preservar este património, é demais, é aviltante, não me sinto na minha escola, sinto-me numa feira (desculpem o desabafo).
P.S Eu sempre defendi que os professores deviam estar na escola as 35 horas, como qualquer outro trabalhador, mas tem que ter um mínimo de condições para trabalhar. Onde estão os gabinetes? Os computadores e e e e as impressoras? E um projector de diapositivos (data show?)E um local de leitura? E um local para escrever? Não me venham mais com a história de que se o professor quiser consegue dar a volta, é que eu já estou tonta de dar tanta volta. Agora não dou.


3 Comments:
As saudades que eu já tinha
Da minha alegre escolinha
Tão alegre quanto eu
Meu Deus como é bom estudar
Num pavilhão a apanhar
O saber vindo do céu!
Mil beijinhos
Se o saber viesse do céu
Íamos antes ver o mar
Com a cabecinha ao léu
O saber havia de lá chegar
Era bem mais saudável
Os cotas reflectiriam
Para os mais novos era agradável
e os alunos adorariam!
E prontos, já escrevestes e je também. Tou que nem posso.
Teresa, era bom que alguém os pusesse a pensar, mas eu não acredito que possamos fazê-lo!!!
Começo a pensar que esta gente padece de imaginação inesgotável para o mau uso das coisas.
Lá vamos cantando e rindo, agora é que é o caso! E eu que até votei neles!!!! tenho vergonha! Tenho mesmo muita vergonha!
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