POUPE ÁGUA MAS NÃO DEIXE DE VIR A SESIMBRA 
Sesimbra é uma antiga vila piscatória, para onde vou desde que me lembro de existir. Pouca evolução sofreu. Está agora num processo de revolução urbanística, onde se aproveitam todos os espaços passíveis(?) de serem construídos. Pesca artesanal, como existia na altura, cujas memórias se encontram em azulejos, quadros pintados e fotografias que se encontram espalhados pelos inúmeros restaurantes. Diria que de vila piscatória passou a vila gastronómica, tal a afluència de pessoas que de Verão e de Inverno procuram o peixe fresco e o marisco. Perdeu-se a história, a tipicidade, o peixe freco (é preciso conhecer os locais), o licor "O Pescador", as navalheiras, o camarão de Sesimbra, as conquilhas. Aparecem agora novas bebidas nos numerosos bares e discotecas, o camarão de Madagascar, as lagostas de cabo Verde, as cracas, os percebes de Espanha, as trouxas de Azeitão, os gelados Olá. Na praia desapareceram os barcos dos pescadores, "as aiolas e as traineiras", umas porque já não são necessárias, outra porque foram enviadas para a doca, local de dembarque. A melhor praia, "a Praínha", também desapareceu, deu lugar à doca, mas o areal na praia do Ouro tem aumentado, o que não aconteceu na praia da Califórnia. A praia do Ouro até tem Bandeira Azul e tudo, é um luxo. Desapareceram os barquilhos, a língua da sogra, os bolos de couco, o Olá fresquinho, mas temos agora pastéis de nata, rissóis, chamuças, sumos, águas, cervejas e tudo aquilo que o bom senso nos diz que não devemos comer e beber, mas que num final de tarde não resistimos. Não há entardecer como o de Sesimbra. O vento para, as gaivotas vêm junto à praia, os pardalitos buscam os restos de pão, o barulho acaba, entramos num sossego, numa paz, em que os pensamentos quase param. A cor do mar, entre o azul, o verde e o violeta assume tonalidades não existentes na paleta habitual e nas ondas picadinhas pelo vento, quando o olhar nelas repara há como que um fluir de energia renovadora. Se a noite é de lua cheia, o brilho reflectido no mar, provocando fluorescência quando as ondas pequenas rebentam na areia, é um espectáculo de rara beleza. Apetece-nos que o relógio pare, que o mundo pare e tudo pare para que as sensações continuem, tal é o bem estar! Para quem não conhece os lugares típicos de Sesimbra poderá ver algumas fotografias em www.flickr.com Não se esqueça de visitar a vila, de preferência no Inverno e conselho final: POUPE ÁGUA |