28 junho 2006

PORTUGAL PERDEU UM QUINTO DA FLORESTA EM 10 ANOS


Portugal perdeu um quinto da floresta em apenas 10 anos

Com cerca de 3,2 milhões de hectares de floresta em 1995, Portugal perdeu, em apenas dez anos, cerca de um quinto do seu povoamento florestais, registando, em 2005, apenas 2,5 milhões de hectares.
A conclusão, expressa no livro «Portugal: o vermelho e o negro», do engenheiro biofísico Pedro Almeida Vieira, faz manchete na edição desta quarta-feira do jornal Diário de Notícias, que aponta ainda como principais causas para esta forte diminuição os violentos incêndios dos últimos anos.
Segundo o autor, que enquanto jornalista tem investigado esta problemática, a violência com que o fogo tem devorado a nossa floresta, principalmente nos últimos cinco anos, conduziu a uma taxa de regressão florestal da ordem dos 21%, ou seja, a floresta deixou de ter a dimensão espacial que tinha há uma década.
Recorde-se que apenas entre 2000 e 2005 o fogo devastou 600 mil hectares de povoamentos: 310 mil hectares de pinhais, 220 de eucaliptais e os restantes de montados de sobro, azinho e outras espécies florestais. E isto sem contabilizar os matos e zonas abandonadas que estiveram em chamas, os quais, caso sejam incluídos nas contas, fazem os números verdadeiramente disparar.
Contudo, numa visão mais optimista, o desaparecimento da floresta pode ter sido apenas de 14%, percentagem que, mesmo assim, deixa fortes motivos de preocupação e não augura boas notícias para o desenvolvimento sustentável do espaço florestal.
Mas se a nível nacional o problema já é grave, uma análise detalhada revela uma realidade mais dramática, com o ranking de distritos com maior destruição de floresta a ser liderado pela região algarvia de Faro.
Neste distrito, o nível de destruição pode ter atingido os 55% desde 1995, após a devastação das Serra do Caldeirão e de Monchique, uma vez que em 1995 havia 97 mil hectares de floresta e em 2005 só havia, na melhor das hipóteses, 69.900 hectares. Na pior, apenas 44 mil hectares sobraram nesta zona algarvia.
28-06-2006
in Diário de Notícias

Talvez não seja a melhor altura para voltar aos fogos florestais ou talvez sim. Andamos todos distraídos com o futebol e até os fogos têm estado ausentes do nosso quotidiano jornalístico.
São muito preocupantes os números a que este jornalista chegou e não se entende como é possível em 10 anos nada ter evoluído, a não ser a área ardida. Começamos a ter dúvidas sobre o desenvolvimento de um espaço florestal sustentável. O problema é supranacional o que agrava mais a sustentabilidade ambiental do planeta.
Preocupa-me não ver abordado este tema, de forma suficientemente atractiva e incisiva, nos programas das disciplinas e nas áreas de formação cívica. Afinal é um problema de todos nós. Todos devemos ser vigilantes atentos, cumprir e fazer cumprir pelo exemplo e pela palavra as mais elementares normas de prevenção de fogos e ajudar aqueles que voluntariamente ou não estão mais capacitados tanto para a prevenção como para o combate.
Não é o que verifico, assistimos passivamente às notícias e lamentamos todos os anos o património que perdemos sem termos consciência absoluta do que perdemos em termos reais e futuros.
Aqui fica um apelo para que a prevenção de fogos florestais seja mais um tema a ser tratado com os nossos alunos, de forma séria, mostrando-lhes que as suas acções em muito podem contribuir para a tal sustentabilidade de que tanto se fala.

24 junho 2006

A MEMÓRIA E A COMPREENSÃO


É difícil discutir Educação em Portugal. O debate é muito emotivo, pois há muito que está em jogo. E facilmente se torna simplista. Quem defenda a existência de alguma memorização no ensino corre o risco de ser identificado como conservador ou acusado de defender um ensino acrítico e repetitivo. E quem defenda actividades de divulgação e sensibilização para a actividade científica pode ser julgado como partidário de um ensino meramente lúdico. A agravar o panorama, nem sempre as breves declarações feitas à comunicação social pelos diversos actores aparecem de forma que transmita a complexidade e diversidade dos problemas.

Assim é, em particular, com o papel atribuído à memorização e à compreensão, ao treino e à avaliação, à experiência do dia-a-dia e à cultura.

Surpreendentemente, em muitas das nossas escolas decora-se de menos e decora-se demais. A memória, que para algumas correntes pedagógicas românticas aparece só depois do raciocínio, surge para essas correntes desligada das outras capacidades cognitivas, quando deveria ser integrada nelas. Na realidade, há momentos em que a memória de certos factos ou o treino de certas rotinas pode preceder a sua compreensão, nomeadamente na aritmética e na leitura. A criança pode ser envolvida em actividades ou jogos mentais, com ou sem prazer imediato, que a ajudem na futura compreensão. Pode-se cantarolar 'b-a-ba' sem perceber a distinção entre vogais e consoantes e o processo de formação dos fonemas, tal como se pode resolver implicitamente equações lineares antes de perceber o que são variáveis e equações. Há actividades que podem preceder a compreensão completa dos conceitos que envolvem, enquanto a compreensão reforça a capacidade de efectuar essas actividades.

As correntes românticas que têm dominado as teorias pedagógicas em Portugal não o percebem e dizem que não se deve apelar à memorização e ao treino antes de os alunos perceberem os motivos e os fundamentos das técnicas. Igualmente segundo essas correntes, nada se deve transmitir aos alunos sem que seja justificada a sua utilidade. É este o pensamento que está por detrás do aparecimento do Big Brother em manuais de português e do afastamento de Gil Vicente e de Bocage dos programas. A confusão é tremenda. A utilidade e compreensão imediatas não podem ser critérios limitativos das matérias e do ensino.

Quando as coisas se confundem e o ensino se degrada, todos desenvolvem estratégias de adaptação. Os editores de manuais e os professores adaptam-se. Os autores medíocres proliferam e os professores procuram que os alunos sobrevivam. Estes últimos, em particular, criam estratégias de adaptação que os levem a ultrapassar os marcos escolares e sobreviver às avaliações. Decoram técnicas e regras, não para dominar as matérias, mas para ultrapassar os mínimos dos mínimos.

Quando a pedagogia romântica e antagonista da memorização predomina, os alunos respondem da maneira mais natural: memorizam cegamente algumas regras que lhes permitem sobreviver.

NUNO CRATO Professor do ISEG, membro da direcção da Sociedade Portuguesa de MAtemática

in Diário de Notícias

A CIÊNCIA NA ESCOLA

Dia Cultural na escola. Nada melhor que ACTIVIDADES FANTÁSTICAS. A Professora Marisa, mais uma professora que tenta "animar" a escola, desta vez com actividades experimentais. Os alunos observaram, experimentaram, quiseram repetir experiências e contaram com a presença de professores habilitados para estas actividades e outros, como eu, "especialmente dotada para as Ciências da Natureza", que os acompanharam nesta aventura fantástica da experimentação como processo privilegiado de aprendizagem. Foi grande o entusiasmo e mais uma vez constatamos que não são necessárias actividades de grande vulto para entusiasmar os alunos. É necessário ter criatividade, imaginação, vontade de trabalhar e algumas condições de trabalho. Este último ponto é factor condicionante para o êxito de qualquer trabalho. Quando escrevo condições de trabalho refiro-me a um círculo com vários sectores, estando em cada sector um pequena condição e quantos mais sectores tivermos, melhor podemos prospectivar o SUCESSO.
Parabéns à Marisa e à Carolina que quase sozinhas tomaram conta desta actividade.
Os alunos estão-lhes agradecidos certamente. Nós os "menos novos" contamos convosco para nos despertarem e para darem continuidade ao trabalho que já fizemos. Sim, não quero pecar por falsa modéstia, também já fizemos "qualquer coisinha". Posted by Picasa

O TEATRO NA ESCOLA

Foi simplesmente maravilhoso assistir às magias da Professora Hermínia. A Escola tem para com esta professora uma dívida enorme que só a sua autosatisfação poderá pagar, assim como o reconhecimento dos colegas e alguns alunos e encarregados de educação.
Há mais de 20 anos que esta professora desenvolve na escola actividades ligadas ao teatro, nos anos iniciais em Português, ultimamente também em Inglês. Mas não fica por aqui, é coreógrafa, ensaia os alunos e imagine-se...é autora de inúmeros poemas e peças de teatro.
Todos os anos diz que é o último, mas tem continuado apesar de todas as adversidades por que tem passado. É perfeccionista e como tal cuida de todos os pormenores até à exaustão e depois desanima porque, infelizmente, nos tempos que correm ninguém quer saber de nada, ninguém é responsável por nada, enfim, a Professora Hemínia apresenta o que pode com as condições mínimas, mesmo mínimas, que lhe são proporcionadas.
Tenho pena e lamento muito que não sejam aproveitadas as potencialidade desta professora em benefício da educação artística, dando-lhe (obrigação da escola) as condições que permitam o seu trabalho e façam entender aos alunos e seus encarregados de educação a importância das actividades que desenvolve.
Eu vi garotos a actuarem, com um à vontade que deixaria muitos profissionais preocupados, alguns dançaram e viveram o que dançaram...a dança vive com eles de forma natural. Quem sabe se no decorrer destas actividades, muitos dos nossos alunos não descobririam a sua vocação? Isto é importante para toda a sociedade, para a educação, para os alunos, para a escola que se pretende de qualidade, mas que abandona com desprezo aqueles que mais têm contribuído para o verdadeiro sucesso.
A Professora Hermínia, com a sua habitual modéstia e impressão de que não fez nada bem, talvez fique um bocadinho zangada comigo, mas eu tenho que elogiar o que de bom acontece na escola.
Já agora, PARABÉNS AO GRUPO DE INGLÊS, que tão bem soube trabalhar.
Em nome do projecto Eco-Escola, OBRIGADA A TODOS E EM ESPECIAL À HERMÍNIA. Posted by Picasa

20 junho 2006

CIVILIZAÇÃO SEM RISO


Civilização sem Riso

Eu penso que o riso acabou - porque a humanidade entristeceu. E entristeceu - por causa da sua imensa civilização. O único homem sobre a Terra que ainda solta a feliz risada primitiva é o negro, na África. Quanto mais uma sociedade é culta - mais a sua face é triste. Foi a enorme civilização que nós criámos nestes derradeiros oitenta anos, a civilização material, a política, a económica, a social, a literária, a artística que matou o nosso riso, como o desejo de reinar e os trabalhos sangrentos em que se envolveu para o satisfazer mataram o sono de Lady MacBeth. Tanto complicámos a nossa existência social, que a Acção, no meio dela, pelo esforço prodigioso que reclama, se tornou uma dor grande: - e tanto complicámos a nossa vida moral, para a fazer mais consciente, que o pensamento, no meio dela, pela confusão em que se debate, se tornou uma dor maior. O homem de acção e de pensamento, hoje, está implacavelmente votado à melancolia.

Este pobre homem de acção, que todas as manhãs, ao acordar, sente dentro em si acordar também o amargo cuidado do pão a adquirir, da situação social a manter, da concorrência a repelir, da «íngreme escada a trepar», poderá porventura afrontar o Sol com singela alegria? Não. Entre ele e o Sol está o negro cuidado, que lhe estende uma sombra na face, lhe mata nela, como a sombra sempre faz às flores, a flor de todo o riso. Por outro lado o homem de pensamento que constantemente, pelo fatalismo da educação científica e crítica, busca as realidades através das aparências, e que no céu só vê uma complicada combinação de gases, e que na alma só descobre uma grosseira função de órgãos, e que sabe que porção de fosfato de cal entra em toda a lágrima, e que diante de dois olhos resplandecentes de amor pensa nos dois buracos da caveira que estão por trás, e que a todo o sacrifício heróico penetra logo o motivo egoísta, e que caminha sempre à procura da lei estável e eterna, e que a cada passo perde um sonho, e que por fim não sabe para onde vai, e nem mesmo sabe quem é - não pode ser senão um triste!
Desde que homem de acção e homem de pensamento são paralelamente tristes - o mundo, que é sua obra, só pode mostrar tristeza. Tristeza na sua literatura, tristeza na sua sociedade, tristeza nas suas festas, tristeza nos fatos negros de que se veste... Tristeza dentro de si, tristeza fora de si. E quando por acaso alguém por profissão tradicional, como os palhaços, ou por contraste, ou pela saudade da antiga alegria e o desejo de a ressuscitar, procura fazer rir este mundo - só lhe consegue arrancar a tal casquinada curta, áspera, rangente, quase dolorosa, que parece resultar de cócegas feitas nos pés de um doente.
Não há que duvidar! Voltaram os tempo de Albert Durer! Outra vez o famoso moço de asas potentes, no meio dos inumeráveis instrumentos das ciências e das artes, que atulham o seu laboratório, e diante das obras colossais, que com eles construiu, sente, sob esta produção excessiva que o não tornou nem melhor nem mais feliz, um imenso desalento, e, considerando a inutilidade de tudo, de novo deixa pender sobre as mãos a testa coroada de louro.
Pobre moço, que, de muito trabalhar sobre o universo e sobre ti próprio, perdeste a simplicidade e com ela o riso, queres um humilde conselho? Abandona o teu laboratório, reentra na Natureza, não te compliques com tantas máquinas, não te subtilizes em tantas análises, vive uma boa vida de pai próvido que amanha a terra, e reconquistarás, com a saúde e com a liberdade, o dom augusto de rir.
Mas como pode escutar estes conselhos de sapiência um desgraçado que tem, nos poucos anos que ainda restam de século, de descobrir o problema da comunicação interastral, e de assentar sobre bases seguras todas as ciências psíquicas?
O infeliz está votado ao bocejar infinito. E tem por única consolação que os jornais lhe chamem e que ele se chame a si próprio - o Grande Civilizado.

Eça de Queiroz, in '«A Decadência do Riso», Gazeta de Notícias (1891)'


SEMPRE E CADA VEZ MAIS ACTUAL!

19 junho 2006

LUZ E MAR e BLOG ADULTERADO


Por sugestão daMadalena publico estas fotografias, resultado de uns dias de descanso e descontracção. Manhãs chuvosas, nevoeiro, sol encoberto, arco-íris, foi um festival de luzes e o mar de Sesimbra, habitualmente azul escuro e violeta, tomou um cor acinzentada, com brechas luz de magnífico efeito. É trabalho de amadora que gosta de registar o que acha belo, sem qualquer técnica, de forma intuitiva e sem elevações artísticas. Apenas o propósito pessoal de gostar de registar em fotografia a sua representação mental de beleza.
Já que o ano lectivo termina, desculpem-me os poucos leitores pela adulteração dos propósitos iniciais do blog, mas creio que a beleza também pode e deve ser enaltecida nas escolas.

LUZ E MAR





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MANHÃ DE CHUVA EM SESIMBRA

A praia deserta também tem o seu encanto
Soube bem a leitura na solidão da esplanada
Chuva e nevoeiro
Pingos de chuva na praia
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PORTUGAL E O ARCO-ÍRIS

O Mar, o céu, o arco-íris e Portugal
Arco-Íris sobre o mar de Sesimbra
Arco-Íris ao entardecer
Portugal precisa de um arco-íris
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16 junho 2006

Todo o Esforço se Desvia


Todo o Esforco se Desvia
Todo esforço, qualquer que seja o fim para que tenda, sofre, ao manifestar-se, os desvios que a vida lhe impõe; torna-se outro esforço, serve outros fins, consuma por vezes o mesmo contrário do que pretendera realizar. Só um baixo fim vale a pena, porque só um baixo fim se pode inteiramente efectuar. Se quero empregar meus esforços para conseguir uma fortuna, poderei em certo modo consegui-la; o fim é baixo, como todos os fins quantitativos, pessoais ou não, e é atingível e verificável. Mas como hei-de efectuar o intento de servir minha pátria, ou alargar a cultura humana, ou melhorar a humanidade? Nem posso ter a certeza dos processos nem a verificação dos fins.
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

15 junho 2006

Luz e Mar


Esta calma de fim de tarde, olhando a profundidade do mar, convida-nos à reflexão, a pensar o nosso percurso nesta vida, o porquê e para quê? Esta passagem, tão efémera, carregada de sentimentos e emoções, só tem sentido se for vivida em harmonia, o que se torna difícil e contraditório, a não ser que seja vivida e não sentida. Quando sentida provoca em nós um turbilhão de sentimentos, de dúvidas, de tristezas, de vazio pelo que não fizemos, pelas incertezas e sobretudo pelo tempo que não aproveitamos. Uma passagem quando sentida deixa sempre uma marca e quanto mais bela e grandiosa, mais harmoniosa pode ter sido.
Embora não possa fazer uma exposição sobre Luz e Mar, como me sugere a Mada, posso pelo menos, brigando com as vírgulas, escrever que sinto que a minha passagem nesta vida deixa algumas marcas, pequeninas, insignificantes, semelhantes a pegadas na areia, que se desvanecem com a subida das águas, não as que eu queria, mas as possíveis.
Aqui vos deixo parte de um trabalho DEZ SONETOS PARA SANTA TERESA DE ÁVILA, mais propriamente o IV (uma boa marca).


Meu ser como barca em fundo mar
de calmaria vogava na corrente
e eu era um nome apenas entre a gente
nau sem quilha para as águas apartar.

Assim andava eu a divagar
com o vagar que o tempo nos consente
quando um vento luminoso fez inchar
as velas da minha alma e, de repente,

me achei incertamente em rumo certo
sobre a rosa dos espinhos cardeais
cingindo em minha voz o mar aberto

que antes era só nunca e jamais,
E nunca tanto mar foi descoberto,
nem jamais o que era longe foi tão perto

A Fulminada: dez sonetos para Teresa de Ávila
de Francisco Pina
in
www.educare.pt

13 junho 2006

Dia de Santo António e Manjericos na Escola

Desta vez juntamos Santo António, Manjericos e Eco-Códigos. Quem sabe, talvez ele se lembre de nós e como diz no "Responso" - recupere-se o perdido. Um tostãozinho já não há, um cêntimozinho não soa bem, por isso resta-nos pedir ao Santo que as tradições não se percam e que se recuperem as festas populares. Será uma maneira de nos juntarmos e voltarmos a conviver e a viver todos na mesma escola, manobrando o leme que nos há-de levar ao bom porto pelo qual temos trabalhado. Resta acertar a remada, a compasso e para o mesmo lado. Festejamos o Santo António, aguardamos agora o S. Pedro, padroeiro dos pescadores Montijenses, gente que tem sabido guardar as tradições, apesar de todos os ventos contrários.

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03 junho 2006

AMBIENTE, FUTEBOL E ESCOLA, que semelhanças?

Consegui esta fotografia num passeio a Aveiro no qual tive o privilégio de fazer uma visita nocturna ao seu maravilhosos estádio. Nunca fui ver um desafio de futebol, mas o AMBIENTE deve ser qualquer coisa que um ou uma estreante nunca esquecerá. Imaginei aquele recinto cheio de gente, a torcer pela sua equipa, alegres, a cantar, a rir, a conviver... Agora, talvez pelo momento de tormenta que passamos já não imagino essa festa toda, caí na realidade. Naquele e noutros locais há de tudo e muito especialmente falta de civismo, esse atributo que se aprende primeiro em casa e se complementa na escola.
Não consigo entender como é que se pode esvaziar de conteúdo o conceito de civilidade quando as equipas entram em confronto, que em princípio devia ser saudável e amigável. O resultado serve apenas para saber quem é o melhor e pronto! Não, afinal não é tão simples...é que nem sempre o resultado reflecte a competência do melhor, há também o factor sorte e muitos outros factores que eu presumo, perdoem-me a ignorância, influenciam os resultados (pelo que sou compelida a ouvir nas longas horas de televisão dedicadas ao futebol).
Voltando à escola. A Madalena tem toda a razão quando nimnguém se preocupa, pelo menos até agora, com as longas horas também dedicadas ao Estudo Acompanhado, Formação Cívica e Área de Projecto. Será que alguém já pensou medir a utilização dos recursos, a eficiência, face à eficácia, resultado da sua aplicação? Parece-me que não. E analisar os Currículos e os Programas? Será que está tudo bem? Também não vejo nem ouço falar neste assuntos.
Neste momento assiste-se ao triste espectáculo de criar um AMBIENTE propício à contenda, onde são intervenientes professores, pais e equipas do ME. Não prevejo bons resultados. A contenda é tendenciosa, sempre ao ataque, enquanto a defesa está desguarnecida.
Perante este AMBIENTE, tenho-me mantido "anestesiada, ainda com feridas abertas", mas chegou a altura de me curar e aplicar aquilo que muitas vezes aceitei como certo, o passado já não volta e o futuro ainda não existe, portanto toca a pensar no presente. É bem certo que para estarmos de consciência tranquila temos que criar harmonia entre o que pensamos, dizemos e fazemos e por isso tenho que deixar a "anestesia" e voltar às lides.
Tenho referido muito o que fiz (isto é prenúncio de 3ª idade) e não falo no que faço ou vou fazer e confesso porquê, não me apeteceu sofrer com antecedência. Estava à espera que tudo estivesse escrito, preto no branco, para depois me debruçar sobre o assunto. Mas, tal como uma equipa de futebol, tenho que ir aos treinos. Assim, vou começar a reunir documentos, vou lê-los com atenção e debatê-los com quem estiver disposto a isso. Afinal estamos em fase de debate até Setembro.
Para que o debate seja sério tem que haver empenho da nossa parte (mesmo que o resultado seja "zero"), pelo menos não poderão dizer o habitual.
Para começar proponho que ouçam o debate da educação na Assembleia da República no passado dia 22 de Maio. Está em www.parlamento.pt , canal parlamento. Depois das habituais banalidade introdutórias é uma delícia ouvir o prof. António Nóvoa.
Em seguida vamos ler as propostas que nos foram apresentadas e debatê-las a sério, tirar conclusões, escrevê-las e apresentá-las a quem de direito. Não podemos ficar pelo que ouvimos aqui e ali e pelos títulos bombásticos dos media.
Terei o cérebro afectado? Talvez, mas habituei-me a agir assim. É uma proposta que faço para que de uma vez por todas deixemos de ser uma classe, uma escola de gente passiva que aceita ser interveniente numa contenda que não o devia ser, afinal nós trabalhamos com e para os alunos, não somos seus inimigos. Já é altura de, entre os papéis, como muitas vezes digo na escola, encontrarmos os alunos.
Vamos tentar uma escola onde os recursos sejam aplicados eficientemente e só assim encontraremos a eficácia.
Para atingir este resultado temos que lutar por um BOM AMBIENTE DE ESCOLA, afinal remamos ou não para o mesmo lado? Posted by Picasa

01 junho 2006

HOJE É DIA DA CRIANÇA - O QUE NÃO FOI DIVULGADO


Dedico a todas as crianças, em especial às mais carenciadas o dia de hoje.
No passado dia 13 de Maio teve lugar o I Simpósio Mundial de Serviços Lionísticos para Crianças. Para quem não sabe Lions são pessoas que dedicam o seu tempo livre a auxiliar os que mais precisam e a abordar os problemas que mais frequentemente dificultam a vida dos mais carenciados e acentue-se que carência não é só falta de dinheiro.
Realizou-se nesta "cidade", no Cine Teatro Joaquim d' Almeida um Simpósio inteiramente dedicado à criança. Realizou-se aqui e em todos os países do mundo onde existem Lions Clubes.
Neste simpósio foram abordados por especialistas os principais temas que nos afligem a nós, adultos mais ou menos consciente, e que têm recebido uma resposta, embora esforçada, não eficaz.
Passo a indicar os temas abordados e quem teve a amabildade de graciosamente aceder ao nosso convite.
- Dr. Jacinto Pereira fez a apresentação do projecto de uma instituição que brevemente, assim o esperamos, fará o acolhimento temporário de crianças em risco (situar-se-á no Montijo). Chama-se "ABRIGO".
- Dr. Luís Villas Boas, responsável pelo Refúgio Aboim Ascenção, conhecedor profundo desta problemática, falou-nos do acolhimento temporário de crianças em risco.
- Dra. Isabel Antunes, do Instituito de Apoio à Criança abordou outro aspecto não menos importante, o apoio à família.
- Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, referiu a importância e a influência que a televisão pode ter no desenvolvimento da criança.
- Professor Doutor Antunes de Sousa, chamou a si a abordagem do ambiente, valores e cidadania.
- Professor Doutor Eduardo Sá, dada a sua experência no campo falou-nos de sexualidade e tão entusiasmado esteve que não se deteve só nas crianças e adolescentes.
- Professor Doutor Eugénio Leite - dedicou a sua exposição aos problemas da visão e à necessidade de um despiste precoce, quase à nascença, chamando a sua importância para os problemas reversíveis.
O simpósio terminou com um concerto que foi proporcionado pelo LC Montijo e oferecido pela Banda da Força Aérea às 21h30. Foi um dia cheio.
No ambiente vivia-se a criança em todas as vertentes e aprendia-se o que fazer e como fazer para oferecer o SERVIÇO eficiente às crianças necessitadas.
Mas, como não há bela sem senão, apesar da divulgação e dos convites enviados a todas as escolas e instituições oficiais e particulçares do concelho, parece que a receptividade não foi a melhor, a ver pela assistência durante o simpósio. À noite, a festa foi outra e o cinema encheu.
Estamos de consciência tranquila, quisemos que o Montijo fosse a primeira cidade do país a realizar este evento. A cidade não quis entender a importância desta realização e não compareceu como esperavamos. Paciência, só ficaram a perder! A oferta foi feita.
Para quem não sabe, os Lions são a maior insituição de serviço em todo o mundo.
No próximo ano vamos ter os Lions implicados em acções dirigidas ao ambiente e à sua conservação, novas acções em complemento das que já existem como "A CAMPANHA VAMOS REFLORESTAR PORTUGAL" e "EU SOU VIGILANTE DA FLORESTA".
Quem quiser participar terá oportunidade de o fazer pois publicarei neste blog as actividade que se vão realizar tornando possível a sustentabilidade com pequenos contribuntos, muito importantes no seu conjunto.