Luz e Mar

Esta calma de fim de tarde, olhando a profundidade do mar, convida-nos à reflexão, a pensar o nosso percurso nesta vida, o porquê e para quê? Esta passagem, tão efémera, carregada de sentimentos e emoções, só tem sentido se for vivida em harmonia, o que se torna difícil e contraditório, a não ser que seja vivida e não sentida. Quando sentida provoca em nós um turbilhão de sentimentos, de dúvidas, de tristezas, de vazio pelo que não fizemos, pelas incertezas e sobretudo pelo tempo que não aproveitamos. Uma passagem quando sentida deixa sempre uma marca e quanto mais bela e grandiosa, mais harmoniosa pode ter sido.
Embora não possa fazer uma exposição sobre Luz e Mar, como me sugere a Mada, posso pelo menos, brigando com as vírgulas, escrever que sinto que a minha passagem nesta vida deixa algumas marcas, pequeninas, insignificantes, semelhantes a pegadas na areia, que se desvanecem com a subida das águas, não as que eu queria, mas as possíveis.
Aqui vos deixo parte de um trabalho DEZ SONETOS PARA SANTA TERESA DE ÁVILA, mais propriamente o IV (uma boa marca).
Meu ser como barca em fundo mar
de calmaria vogava na corrente
e eu era um nome apenas entre a gente
nau sem quilha para as águas apartar.
Assim andava eu a divagar
com o vagar que o tempo nos consente
quando um vento luminoso fez inchar
as velas da minha alma e, de repente,
me achei incertamente em rumo certo
sobre a rosa dos espinhos cardeais
cingindo em minha voz o mar aberto
que antes era só nunca e jamais,
E nunca tanto mar foi descoberto,
nem jamais o que era longe foi tão perto
A Fulminada: dez sonetos para Teresa de Ávila
de Francisco Pina
in www.educare.pt


1 Comments:
Parabéns pela fotografia!!!!!!
Da série que tu me mandaste, esta é sem dúvida uma das mais bonitas. Põe mais Teresa!!!!!Beijinhos
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