31 dezembro 2006

FELIZ ANO DE 2007









Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz
Ano novo sem comparação com todo o tempo já vivido(...)
Não precisa
de fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta
não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa
justiça entre os homens e as nações
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome
você, meu caro, tem de merecê-lo
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil
mas tente, experimente, consciente
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade


Para todos os virtuais leitores um Bom Ano de 2007.

29 dezembro 2006

A MUDANÇA COMO FACTOR DE BOA LIDERANÇA


A frustração é muito provável quando a distância entre as expectativas e a realidade se desencontram demasiado.
Ouvi ou li esta frase há pouco tempo. É uma definição muito aproximada do sentimento que exprime a angústia provocada pelo afastamento entre o planeado e o concretizado. E por mais que se caminhe em direcção ao horizonte sempre na esperança de encontrar “alguma coisa”é demasiado frustrante encontrar apenas as já habituais indicações dos caminhos que deviam ter sido seguidos, sem que alguém tivesse pelo menos indicado os caminhos a seguir à partida. Mais, sem ter contribuído com uma bússola, um meio de transporte ou até o combustível necessário para percorrer o caminho.
Se o planeado e as expectativas criadas não correspondem aos resultados gera-se a necessidade de analisar a causa, surgindo à cabeça uma liderança inadequada, seguida de escassez de recursos, ineficiência no seu uso, não apropriação pelos pares das metas a atingir, entre outras…
Como resolver este problema? Que metodologia deve ser utilizada? Que atractivos devem ser oferecidos? Há que parar para pensar! Mas, o tempo não para e, tudo tem que seguir em frente, embora sejam já perspectiváveis os resultados, numa projecção que, embora negativa, é realista. Ora, assim sendo, à frustração junta-se a desmotivação.
Porquê, como e para quê, são as questões que se põem constantemente. Valerá a pena? Provavelmente não! Assim o diz a experiência dos últimos anos, agravada todos os anos pela impossibilidade de concretizar algo de verdadeiramente útil, palpável, observável e que sirva para um bem comum.
Um novo ano vai começar e voltaremos a fazer mais do mesmo porque mais não podemos fazer ou não nos facilitam as condições para o fazer. Há factores igualmente inibidores de qualquer sucesso, para além da liderança adequada e da mobilização dos recursos, a motivação, sendo esta dependente da liderança. Sendo assim, caímos num círculo vicioso do qual só saímos pelo corte de um sector desse círculo, substituindo-o pela mudança.
A mudança pode gerar uma liderança forte, inovadora, geradora de novas experiências. É sempre uma situação de vantagem em qualquer projecto, e qualquer organização. Também o projecto ambiental está carente dessa mudança.
O Ano de 2007 será um ano de esperança para todos os que se sentem preocupados pelas questões ambientais? Projectos não faltam! A mudança é possível, mas há que criar outra postura na vida da escola e na perspectiva pessoal e organizacional. Só com papéis não chegaremos a bom porto e continuaremos a perseguir o horizonte, sempre em frente, sem deixar nenhum contributo verdadeiramente útil.
Que o Ano de 2007 seja o ano da mudança nos comportamentos e nas atitudes.

24 dezembro 2006

Eça de Queiroz e o Natal

Foto TL

CRÓNICAS DE EÇA DE QUEIRÓS PUBLICADAS
NA «GAZETA DE NOTÍCIAS», DO RIO DE JANEIRO.

Nesta crónica, sobre o fim do ano de 1880 Eça escreve sobre o Natal, que se tinha tornado em Inglaterra, por influência do príncipe Alberto, marido da rainha Vitória, uma festa familiar. O que contrastava com os países católicos onde o 25 de Dezembro não era mais do que uma festividade importante do calendário litúrgico, sem nenhuma outra conotação que não fosse a religiosa. Eça de Queirós já tinha abordado o assunto numa das suas crónicas enviada, nos finais da década de 70, para o jornal do Porto «A Actualidade», na perspectiva das crianças.


"Santo Claus" de acordo com o Harper's Bazar de Dezembro de1867

O NATAL

O Natal, a grande festa doméstica da Inglaterra, foi este ano triste – dessa tristeza particular que oferece, por um dia de calma ardente, a praça deserta de uma vila pobre, ou dessa melancolia que infundem umas poucas de cadeiras vazias em torno de um voltará mais...

O que nos estragou o Natal, não foram decerto as preocupações políticas, apesar da sua negrura de borrasca. Nem a rebelião do Transval em que os Boers debutaram por exterminar o 94 de linha, um dos mais experimentados e gloriosos regimentos da Inglaterra e que ameaça ensanguentar toda a África do Sul numa guerra de raças; nem a situação da Irlanda, que já não é governada pela Inglaterra, mas pelo comité revolucionário da Liga Agrária – seriam inquietações suficientes para tirar o sabor tradicional ao, plum-pudding do Natal. As desgraças públicas nunca impedem que os cidadãos jantem com apetite: e misérias da pátria, enquanto não são tangíveis e senão apresentam, sob a forma flamejante de obuses rebentando, numa cidade sitiada, não tirarão jamais o sono ao patriota.

Não; o que estragou o Natal, foi simplesmente a falta de neve. Um Natal como este que passámos, com um sol de uma palidez de convalescente, deslizando timidamente sobre uma imensa peça de seda azul desbotada, um Natal sem neve, um Natal sem casacos de peles, parece tão insípido e tão desconsolado como seria em Portugal a noite de S. João, noite de fogueiras e descantes, se houvesse no chão três palmos de neve e caísse por cima o granizo até de madrugada! Um desapontamento nacional!

Para compreender bem o encanto da neve deste famoso Natal inglês, basta examinar alguma das pinturas, gravuras ou oleografias, que o têm popularizado.

O assunto não varia na paisagem repetida: é sempre a mesma entrada dum parque, de aparência feudal, por vésperas do Natal, antes da meia-noite; o céu pesado de neve suspensa parece uma, gaza suja: e a perder de vista tudo está coberto da neve caída, uma neve branca, fofa, alta, que faz nos campos um grande silêncio. Junto à grade do parque, uma mulher e duas crianças, atabafadas nos seus farrapos, com lampiões na mão, vão cantando as loas; e ao fundo, entre as ramagens despidas, ergue-se o maciço castelo, com as janelas flamejando, abrasadas da grande luz de dentro e da alegria que as habita.

E toda a poesia do Natal está justamente nessas janelas resplandecendo na noite nevada.

Felizes aqueles para quem essas portas difíceis se abrem! Logo ao entrar na antecâmara os tectos, as ombreiras, os espaldares das cadeiras, os troféus de caça, aparecem adornados das verduras do Natal, das ramagens sagradas do carvalho céltico; e pelas paredes, em letras douradas, ondeiam os dísticos tradicionais – Merry Christmas! Merry Christmas! alegre natal! alegre natal! e o mesmo grito se repete nos shake-hands que se dão ao hóspede.

Sob a chaminé estala e dança a grande fogueira do Natal: a sua luz rica faz parecer de ouro os cabelos louros, e de prata as barbas brancas.

Tudo está enfeitado como numa Páscoa sagrada: dos retratos dos avós pendem ramos de flores de Inverno, as flores da neve, e todas as pratas da casa cintilam sobre os aparadores, numa solenidade patriarcal. Dos grandes lustres balança-se o ramo simbólico do mistletoe, o ramo do amor doméstico: e ai das senhoras que um momento pararem sob a sua ramagem! Quem assim as surpreender tem direito a beijá-las num grande abraço! Também, que voltas sábias, que estratégia complicada, para evitar o ramo fatídico! Mas, pobres anjos! ou se enganam ou se assustam, e a cada momento é sob o mistletoe um grito, um beijo, dois abraços que prendem uma cinta fugitiva...

E o piano não se cala nestas noites! É alguma velha canção inglesa, em que se fala de torneios e cavaleiros, ou uma dança da Escócia, que se baila, com o gentil cerimonial do passado.

E por corredores e salas, as crianças, os bebés, com os cabelos ao vento, vestidos de branco e cor-de-rosa, correm, cantam, riem, vão a cada momento espreitar os ponteiros do relógio monumental, porque à meia-noite chega Santo Claus, o venerável Santo Claus que tem três mil anos de idade e um coração de pomba, e que já a essa hora vem caminhando pela neve da estrada, rindo com os seus velhos botões, apoiado ao seu cajado, e com os alforges cheios de bonecos. Amável Santo Claus! Por um tempo tão frio, naquela idade deixar a cabana de algodão que ele habita no país da Legenda, e vir por sobre ondas do mar e ramagens de florestas trazer a estes bebés o seu natal!

Também, como eles o adoram, o bom Claus! E apenas ele chegar, como correrão todos, em triunfo, a puxá-lo para o pé do lume, a esfregar-lhe as decrépitas mãos regeladas, e oferecer-lhe uma taça de prata cheia de hidromel quente - que ele bebe dum trago, o glutão! Depois abrem-se-lhe os alforges. Quantas maravilhas!...

Mas destas personagens que aparecem pelas consoadas, o meu predilecto é Father Christmas – o papá Natal.

Esse, porém, só pode ser admirado em toda a sua glória, quando se abre a sala da ceia: então lá está sobre o seu pedestal, ao centro da mesa – que lhe põe em torno, com os cristais e os pratos, um amável brilho da auréola caseira. Bem-vindo, papá Natal! Boas noites, papá Natal!

O respeitável ancião, com o seu capuz até aos olhos, todo salpicado de neve, as mãos escondidas nas largas mangas de frade, o olho maganão e jovial, esgarça a boca num riso de felicidade sem-fim, e as suas enormes barbas de algodão pendem-lhe até aos pés.

Todas as crianças o querem abraçar, e ele não se recusa, porque é indulgente.

E quanto mais a ceia se anima, mais o seu patriarcal riso se escancara; as bochechas reluzem-lhe de escarlates, as barbas parecem crescer-lhe, e ali está, bonacheirão e venerável, com a importância de um Deus tutelar e amado, como a encarnação sacramental da alegria doméstica.

E no entanto fora, na neve, as pobres crianças cantam as loas: e com vigor as cantam! É que elas sabem que não serão esquecidas: e que daqui a pouco a grade se abrirá, e virá um criado, vergando ao peso de toda a sorte de coisas boas, peças de carne, empadas, vinho, queijos – e mesmo bonecas para os pequenos; porque Santo Claus é um democrata, e, se enche os seus alforges para os ricos, gosta sobretudo de os ver esvaziados no regaço dos pobres.

Tudo isto é encantador. Mas tire-se-lhe a neve, e fica estragado. O Natal com uma lua cor de manteiga a bater numa terra tépida de Primavera, torna-se apenas uma data no calendário. O lume não tem poesia íntima; não há loas; Santo Claus não vem; o papá Natal parece um boneco insípido; não se colhe o mistletoe. Não há mesmo a alegria de abrir a janela, e pôr no rebordo, dentro duma malga, a ceia de migalhas do Natal para os pardais e para os outros passarinhos, que tanta fome sofrem pelas neves. Enfim não há Natal! Foi o que sucedeu este ano...

Resta a consolação de que os pobres tiveram menos frio. E isto é o essencial; pensando bem, se nas cabanas houve mais algum conforto, e se se não tiritou toda a noite entre quatro farrapos, é perfeitamente indiferente que nos castelos as damas bocejassem.

Nem eu sei realmente como, a ceia faustosa possa saber bem, como o lume do salão chegue a aquecer – quando se considere que lá fora há quem regele, e quem rilhe, a um canto triste, uma côdea de dois dias. É justamente nestas horas de festa íntima, quando pára por um momento o furioso galope do nosso egoísmo - que a alma se abre a sentimentos melhores de fraternidade e de simpatia universal, e que a consciência da miséria em que se debatem tantos milhares de criaturas, volta com uma amargura maior. Basta então ver uma pobre criança, pasmada diante da vitrine de uma loja, e com os olhos em lágrimas para uma boneca de pataco, que ela nunca poderá apertar nos seus miseráveis braços - para que se chegue à fácil conclusão que isto é um mundo abominável. Deste sentimento nascem algumas caridades de Natal; mas, findas as consoadas, o egoísmo parte à desfilada, ninguém torna a pensar mais nos pobres, a não ser alguns revolucionários endurecidos, dignos do cárcere e a miséria continua a gemer ao seu canto!

Os filósofos afirmam que isto há-de ser sempre assim: o mais nobre de entre eles, Jesus, cujo nascimento estamos exactamente celebrando, ameaçou-nos, numa palavra imortal, que teríamos sempre pobres entre nós. Tem-se procurado com revoluções sucessivas fazer falhar esta sinistra profecia – mas as revoluções passam e os pobres ficam.

Neste momento, por exemplo, na Irlanda, os trabalhadores, ou antes os servos do ducado de Leicester estão morrendo de fome, e o duque de Leicester está retirando anualmente, do trabalho duro que eles fazem, quatrocentos contos de réis de renda! É verdade que a Irlanda está em revolta; é verdade que, se o duque de Leicester se arriscasse a visitar o seu ducado de Irlanda, receberia, sem tardar, quatro lindas balas no crânio.

E o resultado? Daqui a vinte anos os trabalhadores de Leicester estarão de novo a sofrer a fome e o frio – e o filho do duque de Leicester, duque ele mesmo então, voltará a arrecadar os seus quatrocentos contos por ano.

Não é possível mudar. O esforço humano consegue, quando muito, converter um proletariado faminto numa burguesia farta; mas surge logo das entranhas da sociedade um proletariado pior. Jesus tinha razão: haverá sempre pobres entre nós. Donde se prova que esta humanidade é o maior erro que jamais Deus cometeu.

Aqui estamos sobre este globo há doze mil anos a girar fastidiosamente em torno do Sol, e sem adiantar um metro na famosa estrada do progresso e da perfectibilidade: porque só algum ingénuo de província é que ainda considera progresso a invenção ociosa desses bonecos pueris que se chamam máquinas, engenhos, locomotivas, etc., e essas prosas laboriosas e difusas que se denominam sistemas sociais.

Nos dois ou três primeiros mil anos de existência trepámos a uma certa altura de civilização; mas depois temos vindo rolando para baixo numa cambalhota secular.

O tipo secular e doméstico de uma aldeia Ária do Himalaia, tal como uma vetusta tradição o tem trazido até nós, é infinitamente mais perfeito que o nosso organismo doméstico e social. Já não falo de gregos e romanos: ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Ésquilo ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura, somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar como Lúculo; agitavam-se em Atenas ou Roma mais ideias superiores num só dia do que nós inventámos num século; os nossos exércitos fazem rir, comparados às legiões de Germânicos; não há nada equiparável à administração romana; o boulevard é uma viela suja ao lado da Via Ápia; nem uma Aspásia temos; nunca ninguém tornou a falar como Demóstenes: - e o servo, o escravo, essa miséria da antiguidade, não era mais desgraçado que o proletário moderno.

De facto, pode-se dizer que o homem nem sequer é superior ao seu venerável pai – o macaco; excepto em duas coisas temerosas – o sofrimento moral e o sofrimento social.

Deus tem só uma medida a tomar com esta humanidade inútil: afogá-la num dilúvio. Mas afogá-la toda, sem repetir a fatal indulgência que o levou a poupar Noé; se não fosse o egoísmo senil desse patriarca borracho, que queria continuar a viver, para continuar a beber, nós hoje gozaríamos a felicidade inefável de não sermos...

Fontes:

As cartas de Inglaterra foram publicadas pela Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, de 1880 a 1896;

Eça de Queirós, «III - O Natal», in Cartas de Inglaterra, Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, 1905, págs. 45 a 54;

Eça de Queirós, «IV - O Natal», in Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres, (fixação do texto e notas de Helena Cidade Moura), Lisboa, Livros do Brasil («Obras de Eça de Queiroz»), 1970, págs. 41 a 48.


22 dezembro 2006

COMPANHIAS AÉREAS PREFEREM MERCADO DE CARBONO A TAXAS


Companhias aéreas preferem mercado de carbono a taxas
21.12.2006 - 17h40 Reuters


As companhias aéreas preferem entrar no mercado do carbono à aplicação de taxas sobre passageiros, voos ou combustível, no âmbito de uma proposta apresentada ontem pela Comissão Europeia.

O sector da aviação contribui com menos de dois por cento para as emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE), mas o sector está a crescer rapidamente. As suas emissões quase duplicaram de 1990 a 2004, segundo a Agência Europeia do Ambiente.

A entrada do sector da aviação no Mercado Europeu de Licenças de Emissão a partir de 2011 será menos lesiva para as contas das companhias do que as taxas e até poderá aumentar as suas receitas, consideram muitas companhias.

Há duas semanas, o ministro britânico das Finanças duplicou as taxas sobre os passageiros, uma medida que algumas transportadoras aéreas dizem custar quatro vezes mais do que simplesmente comprar licenças de emissão.

Companhias divergem quanto a voos a incluir no esquema

A directiva a adoptar pela Comissão Europeia irá incluir as emissões dos voos dentro da UE a partir de 2011 e todos os voos para e de aeroportos da UE a partir de 2012.

Mas as companhias com redes mais extensas, como a British Airways, querem que sejam abrangidos só os voos europeus. "Se tentarem aplicar isto a todas as companhias, onde quer que estejam sediadas, serão levantadas questões legais", lembrou Paul Marston, porta-voz da transportadora aérea britânica. "Isto só irá trazer grandes atrasos".

Já as companhias de baixo-custo, como a EasyJet, que voam quase só dentro da Europa, querem ver todos os voos incluídos. "Para nós ou está toda a gente ou não está ninguém", disse Toby Nicol, porta-voz da EasyJet.

O lado perverso do mercado

Ao entrar no mercado de carbono, as companhias ganharão um determinado número de licenças de emissão mas terão de comprar licenças extra se excederem os limites de emissão.

As empresas poderão obter enormes lucros deste esquema se transferirem para os consumidores os custos da compra destas licenças, que elas obtiveram de graça, como já fizeram há dois anos as companhias eléctricas.

"Seria perverso se a primeira tentativa de reduzir as emissões da aviação acabasse por dar ao sector enormes lucros sem fazer nada pelo ambiente", alertou Keith Allott, da organização WWF.

Há quem proponha uma solução simples: leiloar licenças em vez de as dar de graça. Os fundos seriam investidos em investigação e desenvolvimento.

"Quer queiram, quer não, a aviação é uma necessidade de consumo. O que importa é incentivar os responsáveis pelo sector a inovarem", comentou Michael Rea, director do Carbon Trust, figura que monitoriza a tentativa do Reino Unido em reduzir as suas emissões





Aviões europeus vão entrar no mercado do carbono


Paula Ferreira Arquivo DN

Metas. Portugal já ultrapassou limites acordados no âmbito de Quioto
A Comissão Europeia pondera apresentar, no decorrer de 2006, de uma proposta para que o sector da aviação entre no comércio de emissões. Uma ideia lançada pelo comissário europeu do Ambiente, Stravos Dimas, numa reunião realizada, na semana passada, em Londres, no âmbito da presidência britânica da União Europeia.

Trata-se de uma tentativa de alargar o número de sectores a participar neste sistema europeu que, através de instrumentos de mercado, visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e, ao mesmo tempo, contribuir para atingir as metas definidas no Protocolo de Quioto. Os transportes aéreos têm uma importância determinante no aquecimento global do planeta, uma vez que a emissão de ga- ses proveniente do tráfego aéreo tem registado um aumento médio anual de cinco por cento.

A proposta de Stravos Dimas surge escassos dias antes do arranque, marcado para hoje, em Montreal, no Canadá, da Conferência sobre Alterações Climáticas. O primeiro encontro, sob a égide das Nações Unidas, desde que o Protocolo de Quioto entrou em vigor, em 2004, em que se espera que a União Europeia reafirme o propósito de liderar a redução de emissões de gases com efeito de estufa após 2012.

No que toca a Portugal, os limites assumidos relativamente a Quioto já foram ultrapassados. Por isso, o Governo prevê dotar o Fundo de Carbono com seis milhões de euros para comprar créditos no exterior. Um montante que José Eduardo Barroso, da E. Value, uma empresa orientada para a economia do ambiente, considera manifestamente "insuficiente". Enquanto define verbas para o fundo de carbono, o Governo, diz Eduardo Barroso, falha na implementação de medidas que conduzam à redução do consumo de energia.

automóveis. O deputado português Jorge Moreira da Silva, presente na reunião de Londres em representação do Parlamento nacional, aplaude a ideia veiculada pelo comissário do Ambiente, mas defende que se vá mais longe. "Não faz sentido incluir o sector da aviação e não os outros." A preocupação incide no transporte rodoviário, que todos os anos regista crescimento do número de veículos em circulação.

Moreira da Silva, que no Parlamento Europeu foi responsável pelo relatório sobre comércio de emissões, defende a introdução dos transportes no sistema com as mesmas regras que hoje em dia já regem o mercado do carbono na Europa. Com uma nuance. As licenças de emissão não seriam atribuídas aos automobilistas, mas às empresas construtoras de automóveis. Cada veículo poderia emitir 80 gramas de dióxido de carbono por quilómetro. Os que ultrapassassem esse montante seriam obrigados a comprar direitos de emissão àqueles cujos limites se situassem abaixo.

Desde a semana passada que o sistema de comércio de emissões português se encontra em rede com as instalações europeias, o que permite comprar e vender direitos de emissão de dióxido de carbono. O balanço ainda que incipiente deste "negócio" só poderá ser feito a partir de Janeiro, quando as empresas fizerem o relatório relativo ao ano que está a terminar. Depois serão auditadas por verificadores ambientais, que, neste momento, estão a receber formação nesta área específica por parte do Instituto do Ambiente. Um processo que se encontra atrasado.

19 dezembro 2006

TURISMO AFECTADO PELO AQUECIMENTO GLOBAL


Aquecimento global fecha 25% das estâncias de esqui

Três quartos das estâncias fechadas, milhões de turistas perdidos para outros destinos, outros milhares de milhões de prejuízo, são alguns números de um relatório da OCDE citados no Diário Económico desta terça-feira e que traçam o cenário provocado pelo efeito de estufa sobre o turismo na neve.


Até 2025, a falta de neve nas principais estâncias promete trazer consequências nefastas para as economias europeias. Para já, os mais de 60 mil portugueses que escolhem estes destinos no Inverno estão preocupados, e a maioria «ainda espera por mais neve para marcar as suas férias», adianta o DE. Segundo as conclusões do estudo «Climate Change in the European Alps: Adapting Winter Tourism and Natural Hazard Management», 70% das estâncias corre o risco de fechar nos próximos 20 anos se se confirmarem os piores cenários de alterações climatéricas. As estâncias mais pequenas já estão a fechar devido à falta de neve. E, na Suíça, «os bancos já não estão a emprestar dinheiro às estâncias localizadas abaixo dos 1500 metros de altitude», acrescenta Matthias Rumpf, responsável da OCDE.

Mas «nem todos os cenários são tão catastróficos», ameniza o jornal diário. Na melhor das hipóteses - com a subida de apenas um grau nas próximas duas décadas - 25% das estâncias irá fechar.

O relatório da OCDE - o primeiro estudo sistemático sobre as regiões de esqui da França, Itália, Alemanha, Suíça e Áustria -, alerta ainda para as consequências económicas deste fenómeno, pois entre 60 a 80 milhões de turistas visitam estes países por ano.

19-12-2006 7:50:21

In www.diariodigital.sapo.pt

18 dezembro 2006

Stefan Rahmastorf prevê subidas do mar até 1,4 m


Subida do mar poderá ser mais rápida do que previsto
2006-12-15

O aquecimento climático poderá provocar uma subida do nível do mar mais rápida do que o previsto durante este século , segundo um estudo hoje publicado na revista Science. Essa subida poderá atingir 1,40 metros até 2100, ou seja, o dobro da estimativa estabelecida até agora, aumentando os riscos de inundações de regiões baixas e a ameaça de tempestades violentas em cidades como Nova Iorque e Londres. Os climatologistas previam até agora um aumento de entre nove e 88 centímetros em relação ao nível de 1990 daqui até ao fim do século.

Stefan Rahmstorf prevê subidas até 1,4 m


Hoje, no estudo publicado na Science, o investigador alemão Stefan Rahmstorf, especialista de oceanos na Universidade de Potsdam (Alemanha), prevê uma subida de entre 50 centímetros e 1,40 metros. Na sua perspectiva, as estimativas actuais não são fiáveis por se basearem em modelos de simulação que subestimam a subida do nível do mar ocorrida até agora.

"Durante os últimos 40 anos, o nível do mar aumentou 50 por cento mais do que previam os modelos climáticos. Isto revela que ainda não compreendemos o problema da subida do nível do mar", afirmou. Rahmstorf estudou a relação entre a subida do nível do mar e as subidas das temperaturas médias do ar à superfície do globo. Desse trabalho concluiu que o aumento do nível do mar foi proporcional à subida das temperaturas e teve impacto nas alterações registadas no século XX.

A subida do nível do mar mais importante do que previsto tem pesadas consequências não só para as regiões baixas ameaçadas de inundações, como para algumas grandes cidades ocidentais. Num estudo publicado no ano passado, Rahmstorf e a sua equipa do Instituto para a Investigação do Impacto das Alterações Climáticas de Potsdam estimaram que o aquecimento do planeta poderia provocar uma subida do nível do mar no Atlântico Norte por fechar ou enfraquecer uma corrente oceânica conhecida por "tapete rolante" (Conveyor Belt).

Segundo este cenário, o nível do mar da região poderia aumentar até um metro e, juntando a isso o efeito dos gases com efeito de estufa, a subida poderia mesmo atingir dois metros, expondo Londres e Nova Iorque a "tempestades violentas devastadoras".

In Ciência Hoje

17 dezembro 2006

2006 International Year of Deserts and Desertification



ONU alerta que desertificação vai afectar 50 milhões de pessoas na próxima década
17.12.2006 - 18h20 AFP


A desertificação é um “desafio mundial” que, na próxima década, vai ameaçar 50 milhões de pessoas, alertou hoje o secretário-geral adjunto da ONU, Hans Van Ginkel, na conferência internacional em Argel que encerra o Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação 2006, proclamado pela ONU.

“Tornou-se evidente que a desertificação é um dos mais importantes desafios ambientais do planeta, desestabilizando sociedades inteiras”, disse Van Ginkel, reitor da Universidade das Nações Unidas de Tóquio, parceiro da conferência de Argel.

“Os especialistas estimam que 50 milhões de pessoas estejam ameaçadas pela desertificação nos próximos dez anos, o que terá um grande impacto na migração mundial”, acrescentou Van Ginkel, apelando à definição de “políticas internacionais” para combater o fenómeno.

No seu discurso de abertura da conferência, o Presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, apelou à elaboração de um “plano global” contra a desertificação. “A luta contra a desertificação deverá ter um contexto mundial. Deverá ser elaborado um plano global, ainda que isso seja uma missão imensa que precisa do envolvimento de todos”.

Bouteflika defendeu ainda a “adopção de uma carta mundial dos desertos e da luta contra a desertificação”.

In
http://www.publico.clix.pt/

Ver nova página
http://www.unccd.int/main.php

14 dezembro 2006

UMA VERFDADE INCONVENIENTE A CARBONO ZERO


ESTATUTO CARBONO ZERO

A atribuição do Estatuto Carbono Zero ao livro editado pela Esfera do Caos exigiu a quantificação de gases com efeito de estufa, expressas em dióxido de carbono equivalente (CO2e), associadas à produção do livro, vai permitir a respectiva compensação através da plantação de árvores autóctones na herdade da Gâmbia (Setúbal) que sequestram essas emissões erm quantidade equivalente. Na quantificação das emissões foi utilizada a metodologia de contabilização estabelecida pelo The Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) elaborado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e pelo Worl Rersource Institute (WRI). OGHG Protocol é actualmente o mais reconhecido e utilizado standart para a preparação de inventários de emissões de empresas e de outras organizações.
Para produzir cada exemplar de Uma Cerdade Inconveniente foram consumidos 1,2 Kg de papel e emitidos 0,8 Kg de CO2e. Estas emissões serão compensadas através do sequestro da mesma quantidade de dióxido de carbono, numa área de floresta autóctone nacional, a Herdade da Gâmbia.

Artigo inserido na revista ExecutiveDigest
nº9 II Série
Dezembro de 2006

Talvez um exemplo a seguir por outras empresas que contribuem para a emissão de GGE em Portugal.

A HISTÓRIA DO AMBIENTE EM PORTUGAL NO ECOLINE


Imagem que abre a primeira edição de Ecoline

A história do Ambiente em Portugal reunida no site Ecoline
Iniciativa inédita desenvolvida pelo Instituto de Ciências Sociais
2006-12-13


Conhecer a história das questões ambientais é fundamental para compreender os problemas do ambiente em Portugal. Nesse sentido, o Instituto de Ciências Sociais (ICS) lança oficialmente hoje o projecto Ecoline http://ecoline.ics.ul.pt um site inédito que contém uma base de dados com cerca de 11.700 artigos editados ao longo do século XX e 1800 notícias transmitidas pela RTP entre 1957 e 2000, além de textos temáticos, estatísticas e inquéritos.
Esta plataforma online, que recorre a conteúdos multimédia de cariz sociológico, histórico e urbanístico, pretende tornar-se uma ferramenta útil para escolas, empresas, instituições públicas, ONGs, comunicação social e todos os que se interessam por questões ambientais e qualidade de vida e pretendem obter informação diversificada e completa sobre esta área.

Desenvolvido pelo ICS, o Ecoline está integrado no programa Observa, tem o apoio do POS-Conhecimento e do Instituto do Ambiente e é desenvolvido por profissionais da área da sociologia, ambiente, comunicação social e informática. A equipa responsável pela apresentação deste projecto é constituída pelos investigadores Luísa Schmidt, Pedro Prista, Alberto Lopes e José Gomes Ferreira.

Novos projectos do programa Observa

Além do site Ecoline, o programa Observa integra outras propostas que visam perceber o que pensam, o que sabem e o que fazem os portugueses em relação ao ambiente.

Aumentar a eficácia da separação selectiva de resíduos é o objectivo do projecto SEPARA, que já vai na sua segunda edição e que compreende a intervenção na área abrangida pelos quatro concelhos da AMTRES (Associação dos Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra para o Tratamento de Resíduos Sólidos).

Através deste programa, os munícipes recebem formação sobre a melhor forma de proceder à separação do lixo. Em paralelo, decorre o Concurso ECO-Freguesias que irá premiar a freguesia que melhor aplica os conhecimentos adquiridos e, simultaneamente, desenvolva projectos como a gestão do uso de água, limpeza de ribeiras, valorização de espaços verdes ou introdução de energias renováveis.

Um projecto sobre “Autarquias e Alterações Climáticas” e um mega inquérito encomendado pelo Instituto do Ambiente ao ICS para apurar junto das 15 mil escolas do país o balanço da Educação Ambiental em Portugal são exemplos de projectos em desenvolvimento no âmbito do Observa.

In Ciência Hoje
Imagem que abre a primeira edição de Ecoline

12 dezembro 2006

O NATAL NA TERRA DE AMANHÃ


POSTAIS VENCEDORES
Terminou o concurso. Pouca participação...já é habitual! É pena, perdemos uma boa oportunidade de exteriorizar o que há de bom nas crianças, contando-lhes velhas histórias, lendas que eles gostam de ouvir. Ficam em silêncio, como que extasiados com a magia do Natal.
Os poucos que aderiram ao concurso, dentro da sua tenra idade falaram nas prendas, na família e poucos atenderam ao tema. Mas o que importa é que quiseram participar e incluir-se nos nos que ainda conseguem pensar no Natal.
Para os que entenderam bem a mensagem , a Inês Póvoas, a Cátia Perez e a Mariana Vaz Natário vai o nosso agradecimento e parabéns pelos brilhantes 1º, 2º e 3º lugares.
Diz a Inês:

Está na altura da árvore enfeitar
Porque o Natal está a chegar
Com muita animação
Vamos todos festejar esta linda tradição

Para a ceia há bacalhau e perú
Que é um grande menu.
Vamos todos saborear
E ao Natal brindar.

À meia-noite tocam os sinos
E aparece o Pai Natal
Para ele todos os meninos,
Prepararam um grande Festival.

Depois abrem as prendas
Que tanto ansiavam,
Transportadas pelas renas
Que depressa chegaram

Depois vão-se deitar,
E com esta maravilhosa noite sonhar!

Com toda esta poluição
O ambiente piorou
Graças ao Homem
Que o mundo sujou!

Amanhã tudo pode mudar.
A Terra mais suja e triste pode ficar
Um sítio impossível para viver
e tudo e todos podem morrer!

Isto não pode acontecer!
Temos de melhorar,
O mundo não sujar
E a natureza respeitar.

Se tudo isto cumprirmos
Vão ver-se muitos sorrisos
Porque a Terra mais bonita vai ficar,
e tornar-se um belo sítio para habitar.

Esperemos que sonho da Inês, tornado mensagem, venha a ser uma realidade e que adultos e crianças consigam unir esforços para que se pratique uma cidadania verdadeira, consistente, "emocionalmente racional".
Parabéns a todos os participantes e aos professores que os incentivaram a participar.

08 dezembro 2006

O QUÊ? COMO? PARA QUEM?

Fotografia TL, arranjo MS
Uma das evidências de sempre é que os bens são escassos e por isso temos o dever de os utilizar de forma eficiente. O mesmo acontece com a Terra, um bem que parecia inesgotável, mas que por ter sido utilizado de forma ineficiente se virou contra nós ameaçando o nosso futuro a mais curto prazo do que esperávamos. Gostaria de poder aceitar e acreditar nas fases cíclicas dos acontecimentos, mas infelizmente verifico demasiada rapidez na mudança, o que me leva a crer que não haverá alternância pacífica para um novo ciclo.
Em qualquer sociedade nada acontece sem que previamente se saiba o quê, como e para quem. Acontece o mesmo numa sociedade dita "ambientalista". Preocupações com o que vai acontecer, como vai acontecer e quem vai sofrer ou beneficiar das mudanças. A informação, parte primeira do conhecimento é o motor das decisões que afectarão ou não o bem estar social, económico e ambiental da sociedade. Acontece que nem sempre a sociedade tem apetência pela informação, deixando ao acaso o que possa vir a acontecer. Nesta situação o quê, como e para quem deixa de ter sentido, entramos numa era de laisser-faire ou de auto-regulação, esperando que uma "entidade superior" tome conta de nós. Esperemos que este custo de oportunidade não seja demasiado elevado, tendo em conta o valor do bem de que estamos a prescindir.
Não sou fanaticamente ambientalista, apenas me preocupo em analisar o que me parece evidente, tendo a cautela de ouvir quem não partilha das informações massivamente evidenciadas, contudo, perturba-me um pouco quem não quer sequer conhecer um pouco mais, mostrando um comportamento antagónico quando blasfema contra as intempéries e os prejuízos que daí advêm. E só o faz quando esses prejuízos lhe entram no bolso.
Começo a reforçar a vontade de partilhar com os jovens estas preocupações ambientais de forma pacífica, não alarmista, mas realista, já que a geração que me acompanha anda demasiado atarefada com papéis e outras "coisas", que mais não são, e que por isso são efémeras.
Talvez uma abordagem menos institucional, mais pontual e informal possa ser melhor entendida.
Como está, neste momento, não creio que leve a utilizarmos os escassos recursos da forma mais eficiente e assim nunca conseguiremos a eficácia pretendida.
O panorama é escuro como a fotografia, prenúncio de tempestade.

05 dezembro 2006

DESETRWATCH vigia Portugal no combate à desertificação




Especialistas da ESA em Lisboa apresentam amanhã Projecto
2006-12-04


Desertificação é uma das grandes preocupações mundiais

As novas tecnologias na observação da Terra e na gestão do fenómeno da Seca e Desertificação trazem amanhã a Lisboa dois especialistas internacionais, Diego Fernandez, da Agência Espacial Europeia (ESA) e Gaetano Pace, do Projecto DESERTWATCH, no âmbito do Ciclo de Conferências de Ambiente promovido pelo Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST.

Nesta 4ª conferência do Ciclo promovido pelo IST, os dois especialistas vão actualizar o recurso das novas tecnologias no combate à desertificação, dando como exemplo os casos de Portugal e Itália na aplicação tecnológica e na implementação do DESERTWATCH, um projecto com a chancela da ESA.

Portugal é um dos países europeus de mais fracos recursos em relação ao solo e que, simultaneamente, apresenta o maior risco de degradação por erosão, principal causa de desertificação na Europa.

Este cenário, conjuntamente com as alterações climáticas globais, tem nos países mediterrâneos, consequências dramáticas, dominadas pelo fenómeno dos incêndios, de secas cada vez mais frequentes e da degradação continuada dos factores biofísicos e sócio-económicos da desertificação.

Tal como todos os países mediterrâneos, Portugal terá de responder a curto ou médio prazo à “one million dollar question”: quanto custa e quem paga? E responder à primeira parte da questão implica necessariamente, e em primeiro lugar, quantificar os indicadores dos fenómenos da Desertificação e Seca ao nível regional.

É nesta perspectiva que se justifica o actual papel que as novas tecnologias de detecção remota, em particular os Sistemas de Observação da Terra, e metodologias de integração de informação, têm no combate à desertificação.

In Ciência Hoje

Acrescento ainda: mais uma vez se pode concluir que os projectos que têm sido propostos às escolas têm todo o sentido porque englobam medidas que em pequena escala inserem procedimentos antes não usados na medição das emissões de gases com efeito de estufa, a serem verificados "in loco", assim como a diminuição, possível, dos gastos ineficientes de energia. Requer apenas um pouco de trabalho, interesse e preocupação pelo ambiente das actuais e futuras gerações.