31 outubro 2006

UMA NOVA CIDADANIA URGENTE


Perante tudo o que leio, ouço e vejo sobre um futuro cada vez mais incerto, parece-me descabido todo o alvoroço em torno de mais umas 2 ou 4 horas que devemos ou temos que ficar com as crianças, a entretê-las numa sala de aula. Sim, até aqui tínhamos que entretê-las, mas parece que o discurso agora virou no rumo certo e esperamos que essas horas venham a ser ocupadas de forma mais eficiente, já que sob o ponto de vista energético continuamos a deixar muito a desejar.
Sei que estou a ser um pouco, talvez muito ingénua, mas ainda espero um verdadeiro conteúdo de cidadania nas actividades que fazem parte do currículo, quer estejam integradas em disciplinas ou em áreas não discilinares (de eficácia duvidosa na minha perspectiva), onde sejam abordados de forma séria e adequada a cada nível etário os temas ligados à eficiência energética.
Nós somos os consumidores actuais, com vícios difíceis de alterar, mas as nossas crianças, os futuros consumidores, poderão sê-lo com plena consciência dos seus actos, ou seja poderão vir a ser consumidores informados e utilizadores eficientes das novas tecnologias ambientais que permitem, assim espero, que no futuro possam escolher livre e conscientemente, libertos de pressões economicistas, o melhor para si, para o seu bairro, para a sua cidade, para o seu país, para a Europa, para o Planeta. Só assim será garantida a tão falada SUSTENTABILIDADE.
Educação para uma verdadeira cidadania é urgente.

PORTUGAL LONGE DA META PROPOSTA


EMISSÕES DE GAES COM EFEITO DE ESTUFA VOLTAM A AUMENTAR Portugal longe da meta proposta

2006-10-30
Ciência Hoje

Tendência para aquecimento global será responsável por perturbações climáticas
As emissões de gases com efeito de estufa estão de novo a aumentar no planeta, apesar dos esforços requeridos no Protocolo de Quioto para as reduzir e travar o aquecimento global, indica um relatório da ONU. As emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que retêm calor baixaram nos anos 1990 depois do colapso do bloco soviético e do encerramento de velhas e poluentes fábricas e centrais de energia no leste da Europa. Mas a recuperação actual dessas economias contribuiu para um aumento de 2,4 por cento das emissões de 41 países industrializados entre 2000 e 2004.

"Isto significa que os países industrializados terão de intensificar os seus esforços para implementar políticas fortes que reduzam as emissões dos gases com efeito de estufa", disse o chefe do secretariado da ONU para a Convenção Quadro sobre as Alterações Climáticas.

Os cientistas atribuem o aumento de 0,6 graus Celsius registado no último século na temperatura global, pelo menos em parte, à acumulação na atmosfera de gases com efeito de estufa e dizem que essa tendência será responsável por perturbações climáticas. Ao abrigo do Protocolo de Quioto (1997), 35 países industrializados comprometeram-se baixar os níveis de emissões de 1990 em 5 por cento em média até 2 012. Os Estados Unidos, principal poluidor do planeta, rejeitou este acordo.

Entre 1990 e 2004, as emissões de todos os países industrializados baixaram 3,3 por cento, sobretudo devido a uma redução de 36,8 por cento no antigo bloco soviético, segundo um relatório da ONU. Porém, desde 2000 "essas economias em transição" aumentaram as emissões em 4,1 por cento. "Dos 41 países industrializados, 34 aumentaram as emissões entre 2000 e 2004", refere o documento.

EUA são fonte de 40 por cento dos gases com efeitos de estufa

Nos Estados Unidos, fonte de dois quintos dos gases com efeitos de estufa de todo o planeta, as emissões cresceram 1,3 por cento no mesmo período e quase 16 por cento entre 1990 e 2004.

O grupo de 41 países definidos como industrializados na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (1992) não inclui nações em rápido desenvolvimento do Terceiro Mundo como a China e a Índia.


Entre os países subscritores do Protocolo de Quito, a Alemanha reduziu as suas emissões em 17 por cento entre 1990 e 2004, o Reino Unido em 14 por cento e a França em cerca de 1 por cento, diz a ONU. Segundo um relatório divulgado na semana passada pela Comissão Europeia , Portugal é um dos sete Estados-membros da UE sem perspectivas de cumprir os objectivos de Quioto, mesmo recorrendo a medidas suplementares para reduzir as emissões.

De acordo com as projecções de Bruxelas, mesmo recorrendo a políticas e medidas adicionais, aos denominados "mecanismos de Quioto" e à reflorestação, Portugal apresentará em 2010 um aumento das emissões de gases com efeito de estufa de 31,9 por cento, quando o seu compromisso é de não exceder os 27 por cento.

Mundo mais eficiente do ponto de vista energético.

Entre os países incumpridores, que mesmo nas perspectivas mais optimistas não esperam cumprir os objectivos de Quioto, apenas a Espanha, de forma destacada, e a Áustria ficam mais longe dos objectivos traçados que Portugal. Bélgica, Dinamarca, Irlanda e Itália são os outros quatro Estados-membros que também não esperam atingir os objectivos com os quais se haviam comprometido.

Numa nota positiva, a ONU afirma que o mundo industrializado está a tornar-se mais eficiente do ponto de vista energético: entre 2000 e 2004 foram precisos menos sete por cento de gases com efeito de estufa para produzir um dólar de produto interno bruto (PIB).

30 outubro 2006

PORTUGAL UM DOS PAÍSES MAIS AFECTADOS PELAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS


Portugal entre os mais afectados pelas alterações climáticas
Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo aquecimento global, segundo um relatório britânico hoje divulgado, que aponta consequências como a falta de água, as ondas de calor e os fogos florestais.

O relatório Stern, encomendado pelo governo britânico ao ex-responsável do Banco Mundial Nicholas Stern, evidencia as grandes variações climáticas na Europa salientando que as regiões vão ser afectadas de maneira diferente.

«O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas», refere o documento.

O Norte da Europa poderá registar um aumento na produtividade agrícola (com a adaptação à subida das temperaturas) e menos necessidade de gastar energia no Inverno.

Mas os verões mais quentes vão aumentar a necessidade de ar condicionado.

O derretimento das neves alpinas e padrões de precipitação mais extremos podem aumentar a frequências das cheias nas principais bacias hidrográficas como as do Danúbio, Reno e Ródano.

O turismo de Inverno será gravemente afectado.

O estudo prevê também que muitos países costeiros em toda a Europa sejam vulneráveis à subida do nível do mar.

A Holanda, onde 70% da população seria ameaçada com uma subida de um metro no nível do mar, é o país que se encontra mais em risco.

O relatório refere ainda que os países desenvolvidos de latitudes mais baixas (caso de Portugal) são os mais vulneráveis.

Regiões onde a água já é escassa enfrentariam grandes dificuldades e custos crescentes. Estudos recentes sugerem que um aumento de dois graus nas temperaturas globais poderia levar a uma redução de 20% na disponibilidade de água.

A escassez de água nesta região vai limitar o efeito de fertilização do carbono e levar a quebras substanciais na agricultura.

Os custos dos fenómenos extremos como tempestades, cheias, secas e ondas de calor vão aumentar rapidamente com temperaturas mais altas, neutralizando alguns dos benefícios iniciais associados às alterações climáticas.

Só os custos destes fenómenos poderiam atingir 0,5 a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em meados do século e continuarão a aumentar à medida que o mundo aquece.

As ondas de calor, como a que aconteceu na Europa em 2003, provocando a morte de 35 mil pessoas e prejuízos de 11,7 mil milhões de euros na agricultura, serão comuns em meados do século.

A disparidade norte-sul dos impactos das alterações climáticas já tinha sido registada durante esta onda de calor quando as colheitas no Sul da Europa tiveram uma quebra de 25%, enquanto no Norte da Europa se verificou o contrário (aumento de 25% na Irlanda e 5% na Escandinávia).

Nas latitudes mais baixas, espera-se um aumento global do consumo de energia, devido à maior procura de ar condicionado no Verão.

Nestas regiões, as mortes durante o Verão devem ultrapassar a redução de óbitos durante o Inverno, levando a um aumento global da mortalidade.

Da mesma maneira, o turismo pode mudar-se para norte, já que as regiões mais frias vão passar a ter verões mais quentes, enquanto as regiões mais quentes do Sul da Europa vão sofrer uma maior frequência de ondas de calor e reduzir a disponibilidade de água.

A distribuição destes impactos em vários sectores poderá estimular uma mudança para norte a nível da actividade económica e população em regiões como a América do Norte ou a Europa, à medida que as regiões do Sul vão sendo afectadas por aumentos desproporcionados dos riscos para a saúde humana e fenómenos extremos associados a uma perda de competitividade na agricultura e no sector florestal, menor disponibilidade de água e aumento dos custos da energia.

Vastas regiões do mundo serão devastadas por consequências sociais e económicas das temperaturas elevadas.

«Como a história demonstra, isto conduzirá a um movimento populacional e em grande escala desencadeando conflitos regionais», salienta o estudo.

Diário Digital / Lusa

30-10-2006

Este estudo vem confirmar as previsões, apelidadas de pessimistas, feitas pelo PIAC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas).
E o que é que nós podemos fazer para evitar algumas emissões desnecessárias ou excessivas de CO2?
Aqui vão alguns exemplos:
Em casa - poupe electricidade, desligando as luzes, a televisão e o computador quando não são precisos. Quando comprar um electrodoméstico certefique-se que pertence à categoria "A" (o mais eficiente em termos energéticos). No Inverno, se tiver frio, experimente vestir uma camisola mais grossa antes de ligar os aquecedores. Certifique-se que a sua casa não deixa entrar o frio: a calafetagem e o isolamento trazem muitas vantagens. Faça a separação de resíduos. Contribui para a diminuição do envio de lixo para as lixeiras e para a poupança de recursos naturais, como árvores ou alumínio.
Em Movimento - ande a pé ou de bicicleta sempre que possível. Use os transportes públicos. Partilhe o carro com outras pessoas.
Ou ainda ... plante árvores! As árvores absorvem CO2, o principal gás com efeito de estufa.
Governos e empresas devem definir os seus planos de acção para o combate às alterações climáticas. Em Portugal existem duas grandes "ferramentas" que trabalham nesse sentido: O PROGRAMA NACIONAL PARA AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (PNAC) E O RELATÓRIO DE INVENTÁRIO NACIONAL (NIR).
PNAC e NIR podem ser consultados www.iambiente.pt

As escolas são meios importantes e de interesse estratégico na difusão dos temas ligados às alterações climáticas, sendo os alunos os principais intervenientes na mediação entre a escola e o meio e na disseminação da informação que leva a boas prática ambientais.

"Antes era o clima que mudava os sers humanos. Agora os seres humanos parecem estar a mudar o clima".
Nações Unidas

28 outubro 2006

TEMPERATURA TERRESTRE NUNCA SUBIU TANTO EM 12 000 ANOS


James Hansen fala de níveis perigosos de poluição humana


A temperatura terrestre atingiu nos últimos 30 anos o seu nível mais alto em quase 12.000 anos, um fenómeno que está já a afectar a fauna e a flora, indica um estudo norte-americano hoje publicado. A rápida subida da temperatura global nos últimos 30 anos, à razão de 0,2 graus Celsius por década, faz com que estejamos actualmente a cerca de um grau Celsius do máximo registado em quase um milhão de anos, segundo um dos principais autores da investigação, James Hansen, do Instituto Goddard da NASA. O trabalho vem publicado na edição de hoje da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
"Esta subida do termómetro significa que a Terra atingiu a temperatura mais quente do período interglaciar actual, iniciado há cerca de 12.000 anos", afirmou. Poucos cientistas duvidam que o planeta aqueceu, embora alguns divirjam sobre as causas da alteração. Hansen, que advertiu há décadas para o perigo das alterações climáticas, considera os gases com efeito de estufa produzidos pelo homem como o factor dominante desse fenómeno.

"Os índices levam a pensar que nos aproximamos de níveis perigosos de poluição humana", com os gases com efeito de estufa como o CO2 (dióxido de carbono) a constituir, nas últimas décadas, a principal causa das alterações climáticas, advertiu o climatologista. "Se o aquecimento atingir dois ou três graus Celsius, teremos provavelmente as alterações que farão da Terra um planeta diferente do que conhecemos", acrescentou. "A última vez que o planeta esteve tão quente, no meio do Plioceno, há cerca de três milhões de anos, o nível dos oceanos estava cerca de 25 metros acima do actual", segundo as estimativas, sublinhou.

Os autores do estudo mencionam um trabalho publicado em 2003 pela revista científica britânica Nature no qual se referia que 1.700 variedades de plantas e espécies de animais e de insectos migraram em direcção ao Pólo Norte a um ritmo médio de 6,5 quilómetros por década durante a última metade do século XX. O aquecimento é mais pronunciado no norte, nas proximidades do Árctico, onde a fusão dos gelos e das neves põe a nu partes do solo mais escuras, que absorvem por isso mais calor do Sol, amplificando o fenómeno.

Pelo contrário, os oceanos estão a aquecer mais devagar graças às trocas térmicas com as águas frias das profundidades, embora os investigadores assinalem um maior aquecimento nas águas dos oceanos Índico e Pacífico ocidental.
Em 26/09/2006
Artigo publicado "Ciência Hoje"


Procupante esta situação e preocupante a indiferença com que a maior parte dos actores , intervenientes e futuros receptores das alterações previstas encaram esta problemática.
Aqui fica mais um alerta.

26 outubro 2006

ÁREA PROJECTO-Ambiente e Sustentabilidade

Começamos hoje os trabalhos, com uma turma do 5º ano, com vista ao início do tema escolhido pelos alunos após os inquéritos feitos e analisados no início do ano - Ambiente e Sustentabilidade. Formaram-se grupos e de acordo com uma listagem de subtemas previamente dados decidiram, por consenso, quais os assuntos que mais lhes interessavam e sobre os quais irão incidir as suas pesquisas e o seu trabalho.
Escolheram como temas prioritários a Biodiversidade, a Água e a Energia, os Transportes e a Mobilidade Sustentável e finalmente os Resíduos. Foram informados que mais tarde tratarão as alterações climáticas e que serão eles próprios a descobrir porquê.
Também votaram o nome do Blog a construir, 100% Ambiente, de entre outras propostas que haviam feito.
Estamos a procurar os recursos a que podem aceder para realizarem os seus trabalhos, de acordo com as regras e os pressupostos anteriormente definidos e analisados. Essa informação ser-lhes-á dada numa próxima aula.

É engraçado observar o entusiasmo com que estes pequenos cientistas se entregam ao trabalho e se debruçam sobre assuntos que à partida lhes poderiam parecer difíceis. Esperemos não vir a decepcioná-los nas suas descobertas com a habitual falta de recursos disponíveis e a disponibilizar. Aguardamos com alguma ansiedade os famosos computadores que hão-de chegar à escola e sem os quais o trabalho poderá ficar comprometido.

O trabalho a desenvolver está de acordo com a metodologia do Projecto Eco-Escola e este ano insere-se também noutro projecto ao qual nos associamos, com uma metodologia parecida, mas com outras exigências e que constitui igualmente um desafio para a escola e para os professores nele envolvidos, o Projecto Carbon Force.
Contamos com toda a comunidade escolar de modo a podermos alterar não só os procedimentos como o desempenho ambiental, melhorando significativamente a nossa eficiência energética para que assim possamos contribuir para uma menor emissão de gases com efeito de estufa.
Todas as contribuições e críticas serão bem recebidas.
Agora ao trabalho.