14 novembro 2006

FOGOS FLORESTAIS E BIODIVERSIDADE


Alterações climáticas podem comprometer combate a fogos.
Alguns cientistas receiam que o aquecimento global possa alimentar violentos incêndios florestais em vários lugares do mundo, desfazendo frágeis ecosistemas e prejudicando os esforços para proteger comunidades.

Recentes estudos relacionaram o aumento das temperaturas ao alastrar do s fogos florestais, particularmente no ocidente dos Estados Unidos que assistiu as últimas décadas a um número anormalmente elevado de fogos florestais.

«Realmente não há um lado bom nisto», reconheceu Thomas Swetnam, que chefia o Laboratório de Investigação na Universidade do Arizona.

Combater fogos florestais é uma tarefa árdua e cara que tem sido complicada pelo escasso crescimento da floresta e o aumento da presença humana perto da floresta.

«Contribuímos para a alteração climática e isso vai tornar as coisas muito piores», disse Swetnam.

Os cientistas estão já a ver uma mudança no comportamento dos fogos florestais devido ao aumento das temperaturas. Os incêndios sazonais atacaram forte em partes do ocidente dos Estados Unidos, na tundra siberiana e nas Montanhas Rochosas do Canadá. Se a tendência continuar, alguns prevêem que se multipliquem incêndios florestais difíceis de extinguir.

«Estamos a enfrentar uma nova realidade», disse Robin Wills, presidente da Assocation of Fire Ecology, um grupo profissional.

Milhares de cientistas e funcionários ligados à floresta que se reuniram em San Diego para uma encontro internacional sobre fogos florestais, que começou segunda-feira e dura toda a semana, exortaram os governantes a terem em consideração os efeitos do aquecimento global quando combaterem os fogos florestais.

Os futuros incêndios, alertaram, podem alterar drasticamente a terra e converter a vegetação de um tipo para outro. Isso, em contrapartida, pode colocar os animais e plantas em risco de extinção. O aumento dos fogos florestais pode também afectar o ambiente. Quando os incêndios deflagram, emitem toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera contribuindo para os gases com efeitos de estufa que aquecem o planeta.

Os cientistas sugerem, entre outras coisas, que as regiões mais em risco sejam assinaladas e que a madeira morta seja reduzida através do aumento de programas de queimadas controladas.

A passada época dos fogos florestais nos Estados Unidos foi a pior de sempre - e a mais cara, com mais de 89 mil fogos que queimaram 9,5 milhões de acres (3,8 milhões de hectares, de acordo com números do National Interagency Fire Center. Os serviços Florestais norte-americanos gastaram 1.5 mil milhões de dólares (1.17 mil milhões de euros para o ano fiscal de 2006 no combate aos fogos florestais, mais 100 milhões de dólares do que o orçamentado.

Os custos do aquecimento global podem superar os das guerras mundiaiss e não forem tomadas medidas na próxima década, segundo um relatório divulgado em Londres, no final de Outubro, que aponta Portugal como um dos países europeus mais afectados pelas alterações climáticas.

O estudo, da autoria de Nicholas Stern, um ex-responsável do Banco Mundial, prevê que o número de refugiados vítimas de secas ou inundações se eleve a 200 milhões de pessoas.

O relatório, que tinha sido encomendado há um ano pelo Governo britânico, salienta que os custos mundiais do aquecimento global poderão ser superiores a 5,5 biliões de euros, mais do que custaram as duas guerras mundiais ou a grande Depressão de 1929, tornando grandes zonas do planeta inabitáveis.

Mesmo que a poluição acabasse agora, os gases com efeito de estufa continuariam a aquecer o clima durante mais de trinta anos, com o nível dos mares a continuar a subir durante mais um século.

De acordo com o documento apresentado pelo governo britânico, Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo sobreaquecimento.

«O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas», refere o texto.

Diário Digital / Lusa

1 Comments:

At 5:28 p.m., Blogger Alexandre said...

Mais um post simplesmente fabuloso Teresa!

Esta questão do sobreaquecimento das águas do Mediterrâneo chega a ser assustadora. Tive a oportunidade de observar um sistema gráfico, montado numa fotografia captada por satélite, e neste ano, atingiram-se temperaturas impensáveis! Para mim pelo menos...

Obrigado por nos brindar com estes temas de extrema pertinência e importância.

Ando caladinho e com menos tempo (o que se reflecte na miséria que atravessa o meu blog e a ausência de comentários em blogs amigos...) mas sempre, sempre à espreita! :)

 

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