O esforço das empresas da produção mais limpa de energia à maior eficiência no consumo

Produzir mais com menos energia e aumentar a riqueza sem gerar mais poluição são os dois grandes desafios para as empresas.
Para o período de 2008/12, o PNALE II (Plano Nacional de Alocação de Licenças de Emissão) propõe um corte de 13% a 15% nas licenças gratuitas de emissão das indústrias existentes em relação a 2006. A electricidade é a mais penalizada com um corte de 24%.
Apesar da aparente redução, a proposta portuguesa cria uma reserva substancial de licenças grátis para novas indústrias, para salvaguardar o crescimento económico. Este é um aspecto sensível do PNALE português que está em avaliação na Comissão Europeia. Tal como já fez à maioria dos planos analisados, Bruxelas deverá impor a Portugal um corte adicional nas licenças para as indústrias do comércio de carbono que geram cerca de 40% das emissões totais. Mesmo sem este corte, o plano nacional já prevê um défice de licenças de CO que terá de ser coberto pelo Fundo de Carbono, financiado pelo Estado.
Ao mesmo tempo, o Governo conta com a eficácia das medidas adicionais do PNAC (Plano Nacional de Alterações Climáticas). É uma vez mais na energia que se concentram as medidas com mais impacto para as empresas e que poderão também gerar uma maior redução de emissões de CO . Só na produção, e com o arranque das novas centrais a gás natural em 2009, é esperada uma diminuição de 0,9 milhões de toneladas de carbono, graças à sua maior eficiência e à menor utilização de unidades mais poluentes a carvão e a fuel. Outra via é a promoção da energia renovável, em particular a eólica, que permitirá poupar 0,37 milhões de toneladas de CO em 2012, quando estiver instalada uma potência de 5100 MW (megawatts).
Não menos importante é o esforço pedido a todas as indústrias e serviços de poupar energia através de um consumo mais eficiente. O PNAC estima que a melhoria da eficiência do lado da procura pode reduzir em 1020 GWh (gigawatt por hora) a energia usada, o que corresponde a 2% do consumo nacional em 2006. A poupança estimada é de 0,795 milhões de toneladas de CO . As medidas previstas apostam no agravamento da carga fiscal sobre combustíveis industriais, como o fuel e o gasóleo, mas também sobre produtos domésticos, como as lâmpadas fluorescentes e o gasóleo de aquecimento. Na mesma linha, o PNAC quer penalizar a utilização de fuel na co-geração (produção de calor e electricidade em processos industriais) e incentivar a mudança para o gás.
Fora das obrigações de Quioto, para já, ficam os transportes e os edifícios, apesar de terem sido os sectores que mais aumentaram as emissões. A aviação civil será a primeira a ter de reduzir emissões a partir de 2011. Nos transportes, o PNAC quer mais autocarros a gás natural e propõe várias medidas para aumentar em 5% os passageiros dos transportes públicos. Nas mercadorias, as auto-estradas marítimas deverão transportar até 20% do tráfego internacional até 2010.
Por Ana Suspiro
In Diário de Notícias


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