22 janeiro 2007

O esforço do cidadão andar de transporte público, tornar a sua casa eficiente a nível energético e reciclar o lixo



Vive numa casa onde se consome apenas a energia essencial: o ar condicionado tem a potência adequada, o frigorífico só é aberto as vezes necessárias, as lâmpadas são económicas e as janelas têm vidros duplos. Toma duche com água aquecida por um sistema de aquecimento solar e separa o lixo. Vai para o emprego de transportes públicos e quando sai desliga o computador e a impressora. Se no dia de descanso semanal dos táxis tiver de usar o automóvel, não vai circular nas auto- -estradas a mais de 118 quilómetros por hora.

É este o perfil do cidadão que contribui para o combate às alterações climáticas. Mas, apesar de estas parecerem apenas acções de um cidadão consciencioso, a qualidade do ambiente passa por aqui. Todas estas medidas estão previstas no Programa Nacional de Alterações Climáticas (PNAC), a estratégia aprovada pelo Governo para reduzir as emissões de gases poluentes e que exigirá um grande esforço de contenção energética às empresas e aos cidadãos. Para cada medida estão contabilizadas as acções concretas a desenvolver, com um calendário apertado para cumprir e com a contabilização das emissões de CO a poupar.

Algumas medidas já estão a andar. Mas, noutras, a sua concretização ainda se encontra numa fase muito incipiente. Preparam-se documentos legais, acções de sensibilização e formação da população e aguardam-se decisões políticas.

A medida que aposta na eficiência energética dos edifícios é uma delas. Prevê-se que, já a partir deste ano, o aumento da eficiência térmica dos novos edifícios seja de 40%. Mas apesar de já estarem definidas desde Abril do ano passado as regras para a construção, a climatização dos edifícios e a qualidade do seu ar interior - sempre com vista à poupança de energia -, a lei ainda não está a ser aplicada. Neste momento estão a ser formados os peritos qualificados para operar nesta área, avançou ao DN uma fonte da Agência para a Energia, a entidade executora desta medida.

No segundo semestre deste ano quem andar à procura de casa já vai poder olhar para as características energéticas do imóvel e optar por um que consuma menos energia. Esta etiqueta energética, à semelhança da que existe para os frigoríficos, será mais um aspecto importante a ter em conta na escolha de casa, como, entre outros, a sua localização.

Mas para que os regulamentos aprovados virem realidade, Oliveira Fernandes, engenheiro que ajudou na elaboração dos diplomas, acredita que tem de haver uma grande campanha. "O Estado, enquanto cliente e proprietário informado, tem de ser o grande promotor destas práticas", afirmou ao DN. E as autarquias, enquanto entidades licenciadoras, também têm de ser responsabilizadas nesta matéria, acrescenta.

Uma coisa é certa, diz Oliveira Fernandes: "As metas do PNAC são possíveis e desejáveis de cumprir. Mas não vejo ninguém a fazer, de forma séria, algo que política e administrativamente contribua para isso."

Por Rita carvalho
In Diário de Notícias