06 março 2007

ALEMANHA ENTERRA DIÓXIDO DE CARBONO



Alemanha enterra dióxido de carbono
2007-03-05


Gunter Borm coordena o projecto
Uma equipa internacional de cientistas vai testar na Alemanha a viabilidade do enterramento a grande profundidade do dióxido de carbono (C02), em alternativa à sua libertação para a atmosfera, onde contribui para as alterações climáticas. A experiência, em grande escala, começou já em Ketzin, localidade da ex-RDA situada a 40 quilómetros de Berlim, com a realização de perfurações no solo até atingir, a 800 metros de profundidade, um aquífero de água salgada.

A partir do Verão, e durante dois anos, os cientistas contam injectar na zona cerca de 60.000 toneladas de C02 puro transportadas em camiões-cisternas. "Vamos equipar o local com todo o género de sensores para verificar a perenidade daquele tipo de depósito", explicou Gunter Borm, professor do Centro de Investigação da Terra de Potsdam, nos arredores de Berlim, que coordena o projecto. "Não há perigo nenhum: o local escolhido é muito estável e o gás que vamos injectar é igual ao que se usa para gaseificar a gasosa", sublinhou.

O projecto - orçado em 35 milhões de euros co-financiados pela União Europeia, Alemanha, França, universidades e empresas europeias - visa verificar a exequibilidade do "depósito geológico" do C02, o principal gás responsável pelo efeito de estufa.

Se a técnica for aplicada à escala industrial, o gás enterrado será previamente captado nos locais onde é produzido em maior concentração, como as cimenteiras, as siderurgias ou as centrais térmicas de electricidade, através de técnicas ainda experimentais. A tecnologia de enterramento do C02 foi já testada em vários países, em condições diferentes, nomeadamente em fundos marinhos ao largo da Noruega e da Austrália, jazidas de petróleo no Texas ou veios de carvão na Polónia.

Em Katzin, a equipa de cientistas alemães, britânicos, franceses, polacos e escandinavos vai injectar o gás num aquífero salino profundo, sem contacto com os lençóis freáticos. O problema é que a técnica, embora ainda por aperfeiçoar, custa pelo menos 40 euros por tonelada de CO2 enterrado, quando no mercado europeu do carbono as empresas que esgotam as suas quotas de emissão pagam menos de dois euros por tonelada para se verem livres da poluição que provocam.

A experiência está já ser criticada por alguns ecologistas como Matthias Seiche, da Federação Alemã para o Ambiente e a protecção da Natureza (BUND), para quem "o enorme investimento seria melhor aplicado no desenvolvimento de energias renováveis".
Na perspectiva da Greenpeace, a experiência não impedirá que se continue a utilizar maciçamente as energias fósseis".
In Ciência Hoje