06 fevereiro 2007

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: Portugal Inadaptado


Alterações Climáticas: Portugal Inadaptado
O painel intergovernamental para as alterações climáticas, reunido em Paris, apresentou na passada semana um relatório que corrobora as maiores preocupações vindas a público nos últimos anos.
Hélder Spínola*

As alterações climáticas já se fazem sentir e o grande desafio da próxima década é o da minimização. Minimização da intensidade do próprio aquecimento global, reduzindo ao máximo as emissões de gases com efeito de estufa, e minimização das consequências desse mesmo aquecimento global.
Portugal, para além de estar a perder a batalha da redução das emissões de gases com efeito de estufa, continua a ignorar a urgência da sua própria adaptação às alterações climáticas. As zonas sensíveis do litoral continuam a ser pressionadas com mais construção, pouco tem sido feito para travar a desertificação dos solos, a gestão dos recursos hídricos ainda não consegue evitar enormes desperdícios nem a degradação da sua qualidade e as medidas estruturais para a redução do risco de incêndio na floresta tardam em se efectivar.
Se Portugal continuar distraído e não desenvolver as necessárias medidas de adaptação sofrerá profundamente nas próximas décadas em termos ambientais, económicos e sociais.

*Presidente da Direcção Nacional da Quercus
www.quercus.pt

Este último parágrafo é de extrema importância. Portugal para além de não estar a cumprir as metas a que se propôs e como não apostou nos últimos anos em inovação e desenvolvimento, corre o risco de deixar de ser competitivo, se é que já o foi, e de entrar num mercado de emissões de GEE em posição muito desconfortável. Sofreremos as agruras do clima e o desespero económico. Seria uma boa aposta no desenvolvimento da indústria automóvel, geradora de mercados de componentes, onde novas tecnologias poderiam ser empregues. Seria um desafio que poderia trazer mais emprego e maior produtividade. Mas, não vislumbro que seja essa a opção ou então ando a ver mal.
Não sei se terei razão, mas a verfdade é que não vejo empenho nem motivação em Portugal para levarem este problema a sério.