12 julho 2006

ENERGIA SOLAR - Protocolo com FCUL


BP Solar apoia projecto de energia da Universidade de Lisboa
Protocolo vai ser assinado a 14 de Julho


A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e a BP Solar vão assinar um Protocolo de Investigação com o objectivo de desenvolver um novo processo de fabrico de células solares. Esta iniciativa pretende desenvolver tecnologia necessária para a redução dos custos de produção de células solares, o principal obstáculo à expansão da electricidade solar.
A assinatura vai ter lugar em 14 de Julho.

A subida dos preços dos combustíveis fósseis e o avolumar das preocupações com as alterações climáticas associadas com a emissão de gases com efeito de estufa, está a impulsionar a produção de electricidade por outras vias, nomeadamente a partir da radiação solar. O desenvolvimento em larga escala da electricidade solar está contudo limitado pelo elevado custo das células solares. Mais de metade deste custo está associado ao custo da matéria prima: cristais de silício ultrapuro.

Tradicionalmente, os cristais de silício são produzidos sob a forma de grandes lingotes que têm que ser cortados em finas bolachas com cerca de 0,2mm de espessura, de que são feitas as células solares. O processo de corte do silício leva ao desperdício de mais de metade do material pois o fio de serra utilizado tem uma espessura semelhante à das bolachas finais. Surge assim com naturalidade a ideia de crescer os cristais de silício directamente sob a forma de fita, de modo a evitar o desperdício e os custos associados ao processo de corte do lingote. Embora a ideia seja simples e antiga, a produção de silício em fita com boa qualidade e a baixo custo tem-se revelado, ao longo dos últimos 40 anos, um problema extremamente difícil.

O Grupo de Semicondutores e Aplicações Fotovoltaicas da FCUL tem dedicado grande parte da última década a investigar técnicas alternativas para o crescimento de cristais de silício directamente sob a forma de fita. Esta investigação conduziu recentemente à obtenção de resultados muito interessantes com uma técnica radicalmente nova, objecto de um pedido de registo internacional de patente. Esta nova técnica, denominada EZ-Ribbon, é baseada num processo físico com potencial para uma redução significativa do custo das células solares.

Reconhecendo o interesse potencial desta nova tecnologia, a BP Solar, no âmbito de uma política de investigação de longo prazo, decidiu apoiar com €600,000 um projecto de investigação da FCUL com a duração de três anos. A Fundação para a Ciência e a Tecnologia atribuiu um financiamento complementar a este projecto.

A BP Solar é um dos maiores fabricantes mundiais de células e painéis solares do mundo. Com cerca de 2000 empregados em 160 países, a BP Solar tem fábricas de células e painéis solares nos E.U.A., Espanha, Índia e Austrália.

in Ciência Hoje,Ciência e Tecnologia em Directo

1 Comments:

At 11:47 a.m., Blogger Alexandre said...

As coisas que aprendemos no seu blog Teresa!...

Extremamente interessante este post e o assunto que aborda parece-me de elevadíssima importância...

Nem se percebe o motivo pelo qual estas coisas, com a tecnologia que temos disponível hoje em dia, não se desenvolvem de uma forma muito mais célere...

Obrigado Teresa!

 

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