G8 promete articular decisões com as economias emergentes

G8 promete articular decisões com as economias emergentes
Ajuda a África vai subir para 60 mil milhões de dólares por ano
Os oito países mais industrializados (G8) assumiram ontem que o mundo está a mudar e abriram as portas da cimeira de Heiligendamm às cinco economias emergentes, num reconhecimento da crescente importância política da China, Índia, Brasil, México e África do Sul.
Num dia que foi essencialmente dedicado ao relançamento do apoio à África com a promessa de uma ajuda de 60 mil milhões de dólares para o combate à sida, malária e tuberculose nos próximos anos, o G8 prometeu uma articulação mais estruturada e regular com as cinco economias emergentes.
Esta articulação aponta para a promoção de investimentos, da investigação e da inovação, além do combate às alterações climáticas, além do aprofundamento da política energética e do desenvolvimento. Em especial no continente africano.
A 4 de Julho, União Europeia e Brasil realizam a sua primeira cimeira bilateral em Lisboa, permitindo que Brasília passe a ser também considerado como parceiro estratégico.
O G8, cujos dirigentes têm recusado qualquer alargamento formal do grupo, pretendem com a abertura manifestada perante a China, Índia, Brasil, México e África do Sul dar, segundo a chanceler alemã Angela Merkel, uma resposta "àqueles que se interrogam se o G8 é ainda uma organização enquadrada nos tempos modernos".
Nesta cimeira, que decorreu numa estância balnear do norte da Alemanha, o G8 prometeram ainda aumentar para 60 mil milhões de dólares a ajuda que os Estados mais industrializados do mundo vão conceder para o combate à sida, malária e tuberculose no continente africano. Metade desse montante deverá ser assegurado pelos EUA, ainda que várias organizações não-governamentais tenham declarado já que os montantes eram insuficientes, recordando que na cimeira anterior, realizada em Gleneagles, na Escócia, muitas das promessas não tinham sido cumpridas. Max Lawson, dirigente da Oxfam, classificou a oferta do G8 como "um pequeno passo quando precisamos de saltos gigantes". Esta organização considera que apenas três mil milhões de dólares são dinheiro novo, em relação às promessas anteriores.
Angela Merkel procurou dar a ideia de que, desta vez, o G8 falava a sério, ao declarar que estavam conscientes das suas obrigações e promessas.
O cantor Bob Geldof, conhecido pelas suas campanhas a favor de África, mostrou-se igualmente crítico, considerando a ajuda anunciada como uma farsa.
Em parte porque o G8 já tinha prometido há dois anosa duplicação da ajuda a África, anunciando uma verba anual de 50 mil milhões de dólares até 20010.
A cimeira de Heiligendamm prometeu ainda vir a apoiar a União Africana e outras organizações sub-regionais no combate à proliferação não autorizada de armas ligeiras, contribuindo igualmente para o impedimento da exploração ilegal dos recursos naturais de África.
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In Diário de Notícias


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