08 junho 2007

G8 chega a acordo sem metas sobre o clima


G8 chega a acordo sem metas sobre o clima

08.06.2007, Ricardo Garcia
Bush não aceitou limites vinculativos, mas os oito países concordaram em que é preciso reduções "substanciais" nos gases com efeito de estufa. Discussões na ONU saem reforçadas.

Foi um passo, mas as opiniões divergem sobre o seu alcance. O G8 - o grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia - concordou ontem em que é preciso reduzir "substancialmente" as emissões dos gases que estão a acelerar o aquecimento do planeta. Mas não foi fixada uma meta concreta para esta redução, nem uma data limite.
Os oito países do G8 são responsáveis por 45 por cento das emissões anuais do mundo, segundo a organização ambientalista Amigos da Terra. Historicamente, respondem por 65 por cento dos gases com efeito de estufa já lançados para a atmosfera.
A chanceler alemã Angela Merkel fez das alterações climáticas o ponto central da cimeira do G8, a que preside até hoje, em Heiligendamm. Mas não conseguiu convencer George W. Bush a aceitar uma meta para as emissões.
Na declaração final da cimeira, os oito países comprometem-se a agir "com vigor e cedo" para lidar com o problema do aquecimento global. Mais, dizem que as emissões de gases com efeito de estufa "devem parar de subir, seguindo-se reduções globais substanciais".
Uma meta de 50 por cento de redução até 2050 - defendida pela União Europeia, Canadá e Japão - foi posta sobre a mesa. Mas a declaração final apenas reconhece que, quando se discutir uma meta global, os 50 por cento devem ser considerados "seriamente".
Contribuição de todos.
Se houver uma meta global, ela deve envolver "todos os maiores emissores", decidiu ainda o G8. A referência aponta implicitamente para países como a China e a Índia, que têm emissões brutais e não são obrigadas a controlá-las. Há uma semana, o Presidente norte-americano anunciou que promoverá uma série de reuniões com os 15 países que mais emitem gases com efeito de estufa, já a partir do próximo Outono, para discutir uma eventual meta global de longo prazo.
A iniciativa de Bush foi vista como uma forma de criar um fórum paralelo ao das Nações Unidas para encontrar um novo acordo sobre o problema do aquecimento global.
Mas a decisão mais aplaudida da reunião do G8 foi a de que o processo da ONU "é o fórum apropriado para negociar uma acção futura global sobre as alterações climáticas".
Os países do G8 concordaram, também, que um novo acordo global deve começar a ser discutido na próxima conferência climática da ONU, em Dezembro, em Bali, Indonésia, para estar concluído em 2009.
"Temos um claro momento de início e um claro final", disse Yvo de Boer, secretário-geral da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, entrevistado pela agência Reuters.
Impulso à reunião de Bali
Qualquer decisão sobre o calendário das negociações terá de ser aprovado, no entanto, por todos os países que integram a convenção.
A reunião de Bali vai começar a discutir o que deve ser feito além do Protocolo de Quioto, que obriga os países desenvolvidos a reduzirem as suas emissões em cinco por cento até 2012, em relação a 1990.
Para Angela Merkel, o acordo sobre as alterações climáticas foi "um grande sucesso". Organizações não-governamentais criticaram a recusa do Estados Unidos em não aceitar metas concretas, mas saudaram o impulso que o G8 decidiu dar às negociações no seio da ONU.
Angela Merkel, chanceler alemã
"Na minha opinião este é um passo em frente muito, muito substancial e significativo"

Nicolas Sarkozy, Presidente da França
"Se quiserem que eu diga que poderíamos ter feito melhor, digo que sim"

Yvo de Boer, secretário-geral da Convenção da ONU para as Alterações Climáticas
"É um resultado muito positivo. É um bom sinal para a conferência das partes [da convenção] em Bali".

Jörg Feddern, Greenpeace
"É muito pouco. O que precisamos é de objectivos vinculativos"

Hans Verolme, WWF
"O que conta é que eles estejam todos de acordo para preparar a conferência de Bali. Isto traduz bem a pressão que o público pôs sobre o G8".


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