15 setembro 2006

Forte redução do gelo do Árctico no Inverno



O gelo do Árctico no Inverno diminuiu 6 por cento em cada um dos últimos dois anos, em comparação com 1,5 por cento por década desde o início das observações por satélite, em 1978, segundo um novo estudo. O fenómeno "resulta provavelmente do aquecimento atmosférico devido aos gases com efeito de estufa", considera Joey Comiso, climatologista do Centro Goddard de voos da agência espacial norte-americana (NASA) em Greenbelt (Maryland).
Num artigo que publica na edição de Setembro da revista "Letters of Geophysical Research", o cientista assinala que este fenómeno é acompanhado, no Verão, por um recuo dos glaciares do Árctico de 10 por cento em média, por década, desde 1979. "No passado, a redução dos gelos árcticos no Inverno era nitidamente menos importante por década do que no Verão", sublinha o investigador.
Todavia, explicou, os programas informáticos que simulam os efeitos dos gases com efeito de estufa no aquecimento climático mostram agora que o volume dos gelos árcticos está a diminuir mais rapidamente no Inverno do que no Verão. Até há dois anos, as medições efectuadas pelos satélites continuavam a indicar uma situação normal no Árctico, com uma diminuição mais importante dos gelos no Verão, referiu.
No seu entender, "se este ritmo de redução dos gelos árcticos prosseguir, isso será um indicador de aquecimento climático devido ao crescimento dos gases com efeito de estufa atmosférica". Esse fenómeno "confirmaria pelo menos a nossa compreensão actual da física do sistema climático do Árctico que incorporámos nos nossos modelos informáticos", explicou. Estudos anteriores já tinham mostrado uma tendência para o aquecimento do Árctico no Inverno, com um prolongamento de cerca de duas semanas por ano do período de fusão dos gelos.
Joey Comiso considerou ainda que a continuação da redução dos gelos do Árctico no Inverno poderá ser desastrosa para a fauna marinha devido à destruição do fitoplâncton, a fonte alimentar básica do oceano. Por outro lado, um estudo divulgado quarta-feira pela revista Nature concluiu que "os efeitos da acção do homem no último século ultrapassaram de longe os das mudanças da luminosidade solar nas alterações climáticas", segundo um dos seus autores, Tom Wigley, do Centro Nacional de Investigação Atmosférica (NCAR).

In Ciência Hoje

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Estes textos poderão constituir tema base para debate na escola sobre o tema do ano do projecto Eco-Escola, AS ATERAÇÕES CLIMÁTICAS.

1 Comments:

At 5:24 p.m., Blogger Madalena said...

É uma questão cívica, moral e ética. É sim, Teresa. Um beijinho!

 

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