27 maio 2005

SEMENTE

Glória do bem

A anónima semente pequenina
Atirada por mão piedosa e boa,
parecia dormir no charco, à toa,
Sorvendo o sol aos beijos da neblina...
Depois cresceu, abrindo-se em coroa,
Árvore nobre a frondejar, divina,
Fruto a fazer-se pão que nutre e ensina,
flor que perfuma, tronco que perdoa!...
Assim é o bem humilde que semeias
Pelo espinheiral das dores alheias
Que sombra, provação e angústia encerra...
Hoje singela dádiva perdida
Amanhã será luz, beleza e vida
Dulcificando as lágrimas da terra.

Auta de Souza